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Aceleração portuguesa coincide com abrandamento nas potências europeias

Variação homóloga do PIB nacional foi 1,1 pontos percentuais mais elevada do que na média da zona euro, mas ainda há pelo menos cinco países a crescer mais que Portugal.

A aceleração da economia portuguesa durante o primeiro trimestre deste ano aconteceu em simultâneo com um ligeiro abrandamento da economia da zona euro, registado principalmente nas maiores potências da região: Alemanha, França e Itália. Feitas as contas, uma diferença entre o ritmo de crescimento português e o europeu tão grande como a registada agora apenas aconteceu em três outras ocasiões desde a criação do euro.

De acordo com os dados publicados esta terça-feira pelo Eurostat, a economia da zona euro cresceu durante o primeiro trimestre deste ano a uma taxa de 0,5% face ao período imediatamente anterior, o que colocou a variação homóloga do PIB em 1,7%, um ligeiro abrandamento face aos 1,8% do quarto trimestre de 2016.

Em simultâneo, tal como anunciado na segunda-feira pelo INE, Portugal registou um crescimento em cadeia de 1%, o que fez subir a variação homóloga do PIB de 2% para 2,8%.

A diferença de 1,1 pontos percentuais entre o crescimento homólogo português e o da zona euro registada neste arranque de 2017 é uma das mais fortes dos últimos 17 anos.
Um resultado deste tipo aconteceu somente em três outras ocasiões desde a criação do euro. No primeiro trimestre de 2002, a taxa de variação homóloga do PIB português disparou momentaneamente para 2,7% superando por larga margem os 0,5% europeus. No entanto, logo a seguir, com Durão Barroso a anunciar que o país estava “de tanga”, a economia afundou, entrando em recessão.

Durante o ano de 2009, apesar de estar em recessão, Portugal registou variações do PIB marcadamente superiores ao resto da zona euro, que sofreu um impacto mais expressivo da crise financeira provocada pelo mercado de crédito subprime dos Estados Unidos e viu a economia a cair mais de 4%. A zona euro depois conseguiu sair da recessão, enquanto Portugal foi afectado pela crise das dívidas soberanas da zona euro.

Por fim, no final de 2013, a economia registou uma aceleração súbita, com a variação homóloga do PIB a passar de -0,8% no terceiro trimestre para 1,9% no quarto, superando os 0,7% registados na zona euro. Logo a seguir, no primeiro trimestre de 2014, Portugal voltou a abrandar e foi ultrapassado pela zona euro.

Agora, mais uma vez, se debate a sustentabilidade desta aceleração da economia portuguesa que se iniciou a partir de meados de 2016 e se acentuou no arranque de 2017. Este foi já o segundo trimestre consecutivo em que Portugal registou um crescimento homólogo superior ao resto da zona euro, sendo que as taxas de variação em cadeia são já superiores há três trimestres seguidos.

De acordo com o Eurostat, há cinco países na zona euro com uma variação homóloga do PIB mais elevada do que Portugal no primeiro trimestre deste ano: a Lituânia, com 4,1%, a Letónia com 3,9%, Chipre com 3,3%, a Eslováquia com 3,1% e a Espanha com 3%.

A Holanda regista uma taxa de crescimento idêntica a Portugal. A Alemanha abrandou de 1,8% para 1,7%, ao passo que França e Itália caíram para 0,8%. Entre os países que apresentaram dados (falta saber o que aconteceu na Irlanda, Estónia, Malta, Luxemburgo e Eslovénia), a Grécia é a única com uma taxa de crescimento negativa, de 0,5%.

in Jornal Público de 16 maio 2017


     
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