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…e matança do porco

O ritual que dá origem ao fumeiro

Além da tarefa doméstica para a economia do lar durante o ano, em tempo invernoso, que é o mais propício à conservação das carnes, a matança do porco constituiu uma das características festas familiares nas aldeias de Portugal.

Fixava-se a data com antecedência estudada. Por norma, esperava-se pelos meses mais frios para se realizar o abate, melhor quando a lua está em quarto crescente, «para a carne crescer na panela».

O frio evita que a carne se deteriore a curto prazo, ajuda à sua conservação e é propício à realização do fumeiro.

Convidava-se a família e amigos íntimos e durante os dois ou três dias que se seguiam ao abate do porco, passava-se o tempo em celebração, comemorada com comida e vinho caseiro, bem ao estilo rural, nas venturosas fainas de comer, digerir e palestrar em fraternidade, ao calor da lareira.

Para quem mora na cidade, falar sobre o abate do porco pode não ser novidade, mas certamente, é algo a que poucos devem ter assistido. Os pratos mais frequentes nos dias do abate são o arroz de sarrabulho, preparado com o sangue do porco, ou os rojões após o desmanche.

No entanto, os pratos variam de região para região.

Apesar de cada vez menos, de Norte a Sul ainda se cumpre esta tradição, cujo costume ainda se vai mantendo em algumas regiões, onde algumas famílias fazem questão de celebrar este ritual uma vez por ano. 

Antigamente aproveitava-se o fogo que era feito para cozinhar e para aquecimento das habitações e o fumo gerado por este, para realizar a defumação dos enchidos. Normalmente, as chouriças, os chouriços e o presunto eram pendurados no teto das habitações e lá permaneciam durante semanas para secar. Esta técnica é secular e é o segredo de um bom fumeiro, uma vez que o gosto da carne também está condicionado pelo tipo de lenha utilizado e pela quantidade de fumo a que os enchidos são expostos.

São cada vez menos as pessoas que vivem de perto com esta realidade. No entanto, o nosso fumeiro é muito apreciado de Norte a Sul do país, pelas características quer dos enchidos quer dos presuntos, que diferem de região para região, o que lhes confere diferente paladar.

Para relembrar, ou dar a conhecer esta tradição, a Comissão Sindical de Reformados proporcionará, no próximo dia 21, na Aldeia da Ermida, no Gerês, a quantos o desejarem, sócios do SBN e familiares, a já tradicional matança do porco

     
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