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Templo Ecuménico Universalista

Um Templo das Religiões tem na fachada incrustados símbolos das religiões monoteístas e nos espaços interiores e exteriores simbologia alusiva a 15 religiões e onde os ateus são tratados por igual.

Foi inaugurado (no passado dia 11de setembro), em Miranda do Corvo, o Templo Ecuménico Universalista, dedicado à tolerância, ao respeito pela diferença e à desconstrução de preconceitos.

Como explicou Jaime Ramos da Fundação para a Assistência e Desenvolvimento e Formação Profissional (ADFP) – a instituição de solidariedade social laica com sede em Miranda do Corvo que idealizou e financiou o projeto –, o Templo pretende, de uma forma geral, ser um monumento de homenagem a todas as pessoas que ao longo de séculos e milénios morreram devido ao fundamentalismo e às ortodoxias religiosas.

Com forma piramidal – numa homenagem arquitetónica ao Antigo Egito – e com 13,4 metros de altura, como o Templo de Salomão, construído no século IX a.C. em Jerusalém, o Templo situa-se no topo do Parque Biológico da Serra da Lousã, no distrito de Coimbra. Não querendo misturar todas as religiões o Templo abriga, no seu interior, um Observatório de Religiões que trata, em pé de igualdade, Cristianismo, Islamismo, Judaísmo, Hinduísmo, Xintoísmo, Jainismo, Budismo, Confucionismo, Taoísmo, Sikhismo, Zoroastrismo, Fé Bahai e a religião dos Orixás e valoriza as religiões separadamente, cada uma por si. 

Os conteúdos informativos disponibilizados pelo Observatório são elaborados pelo departamento de Ciência das Religiões da Universidade Lusófona, dirigido por Paulo Mendes Pinto, para quem este é “um projeto completamente único e ímpar em todo o mundo. A ênfase é colocada na cultura da paz, por oposição ao uso das religiões por parte de ideologias e para guerras e morte (…). Por isso, este projeto apresenta aquilo que de bom têm as religiões, mas também aquilo que de mau foi feito ao longo de séculos e milénios com base religiosa.”

Com o mesmo destaque que é dado a cada uma das religiões, o Templo tem também um espaço dedicado ao Ateísmo, onde a visão do ateu é colocada numa posição de igualdade em relação àqueles que creem, e com idêntico respeito. “Os ateus não só são bem-vindos como são convidados a participar neste diálogo que é importante para todos”, refere Jaime Ramos.

No exterior do Templo, um espaço retangular com pavimento em xadrez e que remete para o típico chão dos templos maçónicos, constitui uma espécie de “pátio dos gentios”, numa lógica de respeito absoluto tanto pela liberdade de crer como pela liberdade de não crer, numa resposta às palavras do Papa Bento XVI – que apelou ao diálogo inter-religioso aberto a ateus e agnósticos.

Ainda no espaço exterior, um cubo em pedra com uma bola também de pedra a girar sobre água remete para o positivismo científico de Galileu Galilei, julgado e condenado pela Inquisição há precisamente 400 anos, por defender que a Terra se movia em redor do Sol. No cubo, pode ler-se a célebre frase que Galileu terá proferido à saída do tribunal do Santo Ofício: “Contudo ela move-se”.

Simbolicamente, recorda também que nenhuma crença pode silenciar ou travar a ciência na sua permanente busca da verdade.

Ao Templo Ecuménico pode chegar-se de carro ou a pé, a partir da entrada do Parque Biológico. (Numa primeira fase, as visitas são só para grupos, mediante contacto prévio para o Parque Biológico da Serra da Lousã.) Para quem optar pela via pedonal, o caminho é pontuado por bancos onde o visitante pode descansar e meditar nas frases de filósofos e pensadores com que se vai cruzando e que convidam à introspeção.

Ao longo do percurso, sucedem-se símbolos taoístas, a imagem de Buda, um altar hindu, a Mesa da Igualdade dos shiks (que também pode ser a mesa da Última Ceia cristã ou a Távola Redonda da tradi- ção bretã), referências ao mundo politeísta e aos fenómenos indígenas no seu confronto com as religiões hegemónicas.

Nas fachadas do Templo estão impressos símbolos dos monoteísmos abraâmicos: na face orientada para sudeste o crescente do Islão e uma pedra negra que lembra a Caaba e define a direção de Meca; para sudoeste, a estrela de David, símbolo judaico; e na parede voltada para noroeste a cruz cristã.

Junto ao Templo, a bandeira portuguesa está hasteada a 15,24 metros de altura, a altura da Caaba muçulmana, numa homenagem à religião que chegou a ser maioritária em Portugal

     
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