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Vender a alma ao diabo?... Não, obrigado

… aceitar transferir para uma negociação particular a tabela dos “reformados”(!), isso seria vender a alma ao diabo.


Muito se tem falado, ultimamente no “diabo”.

Dizem uns que o diabo, mais dia, menos dia, aparecerá para atormentar os portugueses, na sua vida económica e social.

Dizem outros que, afinal, o diabo permaneceu em Portugal durante alguns anos, não conseguindo, no entanto, levar a cabo, na totalidade, os seus objetivos, tendo-se arredado, cabisbaixo, deste País à beira mar plantado.

Até quando, não o sabemos, dizemos nós.

No entanto, chegou-nos ao conhecimento, através talvez de uma “borboleta” retardatária, ou enganada, por este tempo primaveril que temos vivido, que o Millenium/BCP propôs, nas negociações em curso do AE, uma cláusula que alteraria o conceito da negociação da tabela salarial, retirando dela os trabalhadores na situação de invalidez ou de invalidez presumível – vulgo pensionistas –, atirando-os para uma cláusula especial que obrigaria à negociação particular sobre a tabela a aplicar a estes associados.

Não nos espanta esta proposta. Ela tem sido muitas vezes apresentada aos sindicatos aquando das negociações salariais.

Espanta-nos, sim (ou espantar-nos-ia!...), que algum representante sindical, esquecendo-se, ou talvez desconhecendo o histórico do ACT do setor bancário, pudesse imaginar ser possível tal retrocesso aos longínquos anos de 70, quando este conceito de retribuição dos trabalhadores na situação de reforma foi negociado.

Àqueles que possam vir a ter tal veleidade, aconselhamos a (re) ler o que então dizia o CCT em vigor em 1974/75 (a tal bíblia de cor vermelha da contratação coletiva) sobre a matéria e constatar aí qual o preço então pago por essa real conquista para os trabalhadores.

Sabemos, e temo-lo dito, que existem muitas cláusulas no ACT que, pelo desenvolvimento tecnológico, nada dizem hoje aos trabalhadores, apesar de serem considerados direitos adquiridos e conquistas de âmbito negocial.

Somos defensores de que, numa negociação, mais vale um mau acordo do que uma boa demanda.

Mas aceitar transferir para uma negociação particular a tabela dos “reformados”(!), isso seria de, facto, vender a alma ao diabo. E isso não, obrigado.

Firmino Marques

     
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