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Da Rua dos Douradores à Ameixoeira

38 anos ao serviço dos trabalhadores e da democracia

O sindicalismo surge como a forma primitiva do movimento operário num sistema capitalista estável. O trabalhador independente não tem defesa face ao patrão capitalista. Por isso os operários se organizaram em sindicatos.
Estes, conscientes também de que só a união faz a força, reú- nem-se em centrais sindicais, que lhes permitem uma ação coletiva baseada na solidariedade entre as diversas classes profissionais.
Foi assim em Portugal, quando, ainda espartilhados por um regime totalitário, em que a maioria dos sindicatos não passava de organizações fantoches ao serviço de interesses contrários aos interesses dos trabalhadores que “representavam”, um pequeno grupo de sindicatos, entre os quais se contavam os dos bancários, fundaram a Intersindical, que se queria que fosse apenas e só mais uma organização para fortalecer e lutar pelos direitos dos trabalhadores.
Porém, após a gloriosa Revolução dos Cravos, aquela organização começou a desviar-se do caminho traçado na sua funda- ção e de uma central de sindicatos que se queria equidistante de toda e qualquer força política e com a força que a Lei da Unicidade sindical lhe permitia, institucionaliza no seu interior uma ideologia não aceite por grande parte da sociedade portuguesa
A ação sindical faz parte, naturalmente, da luta de classes É então que alguns líderes sindicais, descontentes com o caminho que a Intersindical estava a seguir, apresentaram ao País a chamada “Carta Aberta” que, na sua génese, tinha por objetivo (claramente não conseguido) repor a “central de todos os trabalhadores” nos carris que inicialmente lhe tinham sido traçados – democracia sindical.
Imbuídos desses ideais democráticos, perante a teimosia da corrente hegemónica que se apoderara da central em não retornar à génese que prevaleceu à sua criação e após revogada a lei da unicidade sindical, a grande maioria dos subscritores do movimento “Carta Aberta” empenharam-se na mudança e fundaram, em 28 de outubro de 1978, a União Geral dos Trabalhadores (UGT), cujo objetivo era (e é) lutar por um sindicalismo Democrático, de Proposição, Solidário e Responsável, que coloca à frente dos seus interesses os interesses dos trabalhadores portugueses e, simultaneamente, os interesses nacionais. Um sindicalismo que se pauta pela negociação e pela concertação social.
A primeira e humilde sede situou-se na Rua dos Douradores, bem no centro da cidade de Lisboa. Bem cedo, porém, se constatou da exiguidade desse espaço para a tarefa que se adivinhava hercúlea na defesa dos trabalhadores portugueses Seguiram-se as sedes da Rua Buenos Aires e, posteriormente, da Avenida Gago Coutinho.
Mas era evidente a necessidade de encontrar instalações que permitissem à UGT centralizar todos os serviços e entidades que lhe estão afetos, nomeadamente, os serviços da confederação sindical, o Centro de Formação Profissional e de Aperfeiçoamento Sindical (CEFOSAP), a União Geral de Consumidores (UGC) e o Movimento de Reformados e Pensionistas (MODERP), para além da UGT-Lisboa e das comissões estatutárias. Esse desiderato foi finalmente conseguido no passado dia 10, com a inauguração de uma nova e funcional sede na Rua Vitorino Nemésio, na Ameixoeira.
Estamos certos de que para a UGT este é mais um passo, um passo gigantesco, para a concretização dos princípios e dos objetivos que prevaleceram à sua criação: a defesa intransigente dos direitos dos trabalhadores portugueses, no respeito pela negociação, pela concertação, pela solidariedade e, sobretudo, pela democracia.

Parabéns, União Geral dos Trabalhadores!

Por Firmino Marques
     
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