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Vida de trabalhador

Na desigual viagem
Chegou a salvo o patrão,
Mas o meu barco encalhou
No litoral da opressão.
Fiquei na terra assombrada
Onde só comem alguns;
Os outros são atirados
Para a fome dos jejuns.
Sempre o trabalho foi honra,
Definição que perdura;
Mas não se pode dizer
Que há honra na escravatura!
Trabalhei durante a vida
De forma honesta e esforçada,
Cheguei ao fim e fiquei
Com as mãos cheias de nada!
Quando os patrões enriquecem
É à custa do que valho,
Mas nenhum diz que a riqueza
É fruto do meu trabalho.
Dão-me, da mesa, as migalhas,
Algumas já com bolor,
Pois se sou filho de Deus,
Sou filho dum deus menor.
Um capital vampirino
Como, por cá, se consente,
Do remediado faz pobre,
Do pobre faz indigente!
Irmãos, queremos um mundo
Onde se viva melhor
E o capital não se nutra
Do nosso sangue e suor!

Por Sílvio Martins
     
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