Pesquisa

ok
Home»Nortada»Nortada Detalhe
 
Dizer “sim” por convicção| Dizer “sim” pelos bancários

Terminou, finalmente, o processo negocial encetado em 2012 para a revisão do Acordo Coletivo do Setor Bancário. Digo que terminou porque não foi arrumado, mas sim livremente negociado e acordado entre as partes.
Tornava-se imperioso encontrar pontos de encontro entre as partes que permitissem concluir um trabalho longo de quase quatro anos, dotando a nova convenção de articulado que possa fazer frente aos desafios que se colocam no momento, quer aos bancários quer aos bancos.
Pela parte que nos toca, temos vontade e dizemos “sim” a este acordo, nunca tendo passado pela nossa mente a vontade de dizer não. Só irresponsáveis poderiam pensar desta forma, colocando em risco toda a arquitetura da nova convenção e permitindo que o anterior Acordo Coletivo de Trabalho entrasse em período de sobrevigência e de caducidade, com todos os perigos que tal situação acarretaria.

“Vós que escreveis,
escolhei um assunto correspondente às vossas forças”1

A revisão do Acordo Coletivo de Trabalho decorreu no âmbito da Febase - Federação do Setor Financeiro, organização sindical que o outorga em nome dos sindicatos – Sindicato dos Bancários do Centro, Sindicato dos Bancários do Norte e Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas –, que para o efeito criaram um Grupo Negociador, devidamente mandatado por cada sindicato e, sempre em uníssono, manifestaram na mesa negocial, sem divergências, as suas posições, sempre foram partilhadas e apoiadas pelos sindicatos respetivos, permitindo desta forma chegar a bom porto com as negociações.

“De todas as ciências, a moral é a mais interessante”1
Dizer o contrário disto é faltar à verdade, é mentir, é deturpar de forma clara e com interesses inconfessáveis toda a realidade. No fundo, é delirar, o que, no momento atual, não serve os interesses dos bancários. O que serve os interesses dos bancários são posições como as agora assumidas, responsavelmente, pelos sindicatos que conseguiram alcançar um acordo que defende os direitos e os interesses dos bancários, que tão vilipendiados têm sido nos últimos tempos, e apoiado, unanimemente, por todo o Grupo Negociador da Febase.

“Terminei uma obra mais duradoura que o bronze e mais alta que as pirâmides reais”1
A Febase, que mais não é que o somatório dos sindicatos que a compõem, não é dominada hegemonicamente por nenhum sindicato, por maior que possa ser ou que julgue ser, mas é tão somente um conjunto de sindicatos que juntaram forças para enfrentar os desafios que o mundo sindical tem vindo a sofrer nos últimos tempos, conseguindo resultados positivos. Se é verdade que se resume ao pelouro da negociação coletiva, não culpem os sindicatos a quem, pejorativamente, apelidam de pequenos. Culpem, sim, aqueles que não permitiram que a Febase crescesse para não perderem algo dos seus “quintais”.

“A força bruta, quando não é governada pela razão, desmorona sob o seu próprio peso”1
Pode-se questionar tudo, até o interesse da existência da Febase, até a competência de todos os seus membros. Não se pode é pôr em causa a Dignidade, a Seriedade e o Historial dos Sindicatos que a compõem – todos –, conforme alguém, aleivosamente, pretende fazer.

“Considera bem a medida da tua força e aquilo que excede a tua aptidão”1
Terminou assim o processo negocial. Com interesses úteis, é verdade, mas que poucos, felizmente, ainda não conseguiram ver, ou por incapacidade, ou por má-fé, o que é pior. E o interesse útil é o dos bancários, que vão beneficiar da nova convenção coletiva, mas também é dos sindicatos, que beneficiam e protegem os seus associados, como é sua obrigação. Se há quem ponha em causa se vale a pena manter a Febase, da nossa parte não tem acolhimento. Se há quem tenha outros percursos para atingir os seus desideratos, não é problema nosso, mas sim de quem escolhe trilhos sinuosos para atingir objetivos de contornos obscuros.

“A adversidade desperta em nós capacidades que, em circunstâncias favoráveis, teriam ficado adormecidas”1
Valeu a pena negociar, valeu a pena a conjugação de esforços e as vontades das partes na obtenção de um acordo que serve os interesses dos bancários. Alguns vão reconhecer isso mais tarde, mas nada podemos fazer para alterar tal estado de coisas. O pior cego é mesmo o que não quer ver.

“E uma vez lançada, a palavra voa irrevogável”1

1) Horácio, artista protegido pelo poeta Virgílio, de origem romana, faleceu a 27 de novembro do ano 8 a.C.

Teixeira Guimarães

     
   Imprimir        Voltar        Topo
Copyright © 2007 SBN