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“Põe-te andar, pela tua saúde…”

Caminhada por passadiços do Paiva
Bem-vindos ao Paraíso...

Os passadiços do Paiva serpenteiam a margem esquerda do Rio Paiva, concelho de Arouca, distrito de Aveiro. Um caminho em madeira, uma obra de engenharia excecional com 8,7 quilómetros que proporcionam um passeio intocado, rodeado de paisagens de beleza ímpar, num autêntico santuário natural, junto a descidas de águas bravas, cristais de quartzo e espécies em extinção na Europa. O percurso, ora em escadaria abrupta com vistas de arrepiar, ora como varanda de luxo entre penedos e bosque, estende-se entre as praias fluviais do Areinho e de Espiunca, encontrando-se entre as duas a praia do Vau. Uma viagem pela biologia, a geologia e a arqueologia, que ficará com certeza no coração, na alma e na mente de qualquer apaixonado pela natureza.
Foi com estas referências que, no passado dia 25 de junho, 76 participantes (68 sócios do SBN e oito acompanhantes) abordaram a “meca” dos amigos das caminhadas. Uma espécie de “passeio da fama”, qual tapete estendido que convida as pessoas a entrar. Bastou mostrar um bocadinho do corrimão e dos primeiros metros daquele que é já o passadiço de madeira mais famoso do país e, a partir daí, o impulso torna-se irresistível.
O quilómetro 0, assinalado ao pé do estacionamento da praia do Areinho, foi o ponto de partida. Umas centenas de metros mais à frente encontramos a estrada que passa sobre a ponte romana de Alvarenga – uma ponte do séc. II constituída por um só arco, com trinta metros de altura e vinte de largura no vão. O percurso, sendo na maioria pouco exigente fisicamente, é neste local que apresenta o maior desafio ao caminhante: são perto de uns íngremes quinhentos degraus. De uma assentada, mais de cem metros a subir, obviamente já de língua de fora. Mas o cansaço foi compensado pela vista soberba que se tem lá do alto, com a estrada cinzenta e sinuosa em baixo e o rio a correr no meio.
O percurso continua depois num pequeno troço de terra batida, também a subir, até chegar ao posto de controlo dos bilhetes. A paragem seguinte é no miradouro da Cascata das Aguieiras. Mas aqui o que faz perder o fôlego é a paisagem que rodeia quase completamente, com as águas brancas da cascata a escorrerem em socalcos pela encosta rochosa do outro lado do rio. Começa então a descida mais extensa, com o passadiço a ziguezaguear pela vertente abaixo, degrau após degrau, continuando a estender-se pela encosta, um pouco acima do rio, até se perder de vista numa curva, lá muito à frente. A partir daqui, o caminho é substancialmente a direito e fácil de percorrer. Começa-se a serpentear por entre árvores e rochas, passo a passo, por uma estrutura em pinho que parece interminá- vel, suspensa em falésias e pequenos desfiladeiros, acompanhando sempre a margem esquerda daquele a que chamam o rio mais selvagem de Portugal.
A praia do Vau, mais ou menos a meio, é outro dos pontos de paragem obrigatória. A ponte suspensa dá ao local um charme irresistível. Percorrê-la é ter a sensação de estar num filme de aventuras e a perspetiva que oferece do rio é totalmente diferente. Foi o sítio ideal para alguns tomarem um belo banho num dos rios mais limpos da Europa.
Mais à frente, percorridos já cerca de 6,5 quilómetros, depara-se com o miradouro sobre o Salto do Paiva: é local privilegiado para observar o ponto mais perigoso do rio, mas certamente também o mais impressionante, com a água revolta e branca de espuma precipitando- -se entre as rochas negras. No fim do percurso chega-se a Espiunca, no extremo norte, onde se encontra também uma praia fluvial (e mais uns mergulhos), bem como várias infraestruturas de apoio a quem visita a bonita região.



Depois de tanto exercício físico, para repor a energia gasta nada melhor do que uma boa refeição. A carne de vaca arouquesa é famosa pelo seu caráter tenro e saboroso, tanto assada como nos famosos bifes de Alvarenga regados pelo vinho verde… O passeio pela região foi ainda complementado com uma visita a Arouca e ao mosteiro, monumento nacional com origens no séc. X, ainda antes da fundação de Portugal. Que bela caminhada!


     
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