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História das Abelhas (XV)

A colmeia – Um ecossistema equilibrado
(continuação)

Intervenção do apicultor

É importante que o apicultor tenha consciência dos mecanismos que as abelhas utilizam para manter os níveis de temperatura e de humidade, pois que as intervenções em nenhum caso devem interferir com aqueles. Se o fazem, criam uma situação de stresse que franqueia a porta à entrada de numerosos problemas sanitários, muitos dos quais, especialmente os bacterianos e os fúngicos, se desencadeiam a partir de situações provocadas pelo próprio apicultor. Ao contrário, as intervenções devem ajudar a colónia, acompanhando a população de abelhas a manter a temperatura e a humidade dentro dos limites de tolerância. Para isso dispõe de várias ferramentas.

Localizar corretamente o apiário

Antes de tudo, há que localizar corretamente o apiário num lugar seco, onde não haja acumulação de ar frio durante as noites, nem tão pouco em lugares húmidos.

Orientar adequadamente as colmeias

Há que proteger as colmeias dos ventos frios do norte, sendo aconselhável orientar as entradas segundo o quadrante sul-oeste. Desta forma evita-se a entrada do ar frio e ao mesmo tempo facilita-se o aquecimento solar da frente da colmeia e da parede lateral orientada a oeste.

Permitir uma separação razoável entre colmeias

Convém que as colmeias estejam separadas entre si, deixando um intervalo de cerca de quarenta a sessenta centímetros entre uma e outra.

Regular a abertura da entrada

Se bem que cada apicultor desenvolve os seus próprios métodos de trabalho, é importante transmitir a outros, especialmente aos novatos, as experiências que se vão reunindo. Têm-se registado bons resultados em manter as entradas de colmeias bem desenvolvidas – com duas aberturas laterais, em vez de uma central, durante todo o ano. Estas aberturas têm uma longitude de uns quatro centímetros. Quando é necessário, acrescenta-se um suplemento em cada abertura para reduzi-la, o que sucede no inverno ou em plena temporada, quando piora o tempo durante um período prolongado.
Por outro lado, a dupla abertura da entrada facilita a circulação do ar, mantendo uma adequada percentagem de humidade e uma correta ventilação.

Abrir ou fechar o orifício da prancheta de agasalho

Para que as colmeias estejam bem ventiladas no inverno não basta que haja uma entrada com duas aberturas laterais: também convém manter aberto, de vez em quando, o orifício da prancheta de agasalho. Em janeiro convém levantar um pouco a prancheta na parte de trás, com uma cunha de madeira de três milímetros de espessura colocada nos cantos posteriores. Também neste caso as abelhas propolizam o excesso de aberturas.

Deixar na colmeia as reservas invernais de mel e pólen necessárias para o inverno

Meia alça repleta de mel, quando as abelhas entram no outono na câmara de criação à medida que reduzem a postura, costuma ser suficiente reserva invernal para que a colónia chegue até à temporada seguinte. Os meses críticos são fevereiro e março, quando a rainha ativa a postura e ainda não há entrada suficiente de néctares. Se for necessário, nesses meses há que suplementar com xarope alimentar.

Conclusões

Como conclusão geral podemos dizer que o controlo da humidade, da temperatura e das reservas invernais são três fatores essenciais na sustentabilidade das colmeias. Se interiorizarmos a ideia de que estamos perante um ecossistema em equilíbrio, seremos mais cuidadosos na hora de intervir nos nossos colmeais.

     
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