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Comissão Sindical de Empresa do Banco Popular - Norte

Contamos com o apoio da casa mãe

Nelson Alves é o coordenador da Comissão Sindical de Empresa – norte – do Banco Popular que nos concedeu a entrevista que passamos a reproduzir. Àquela estrutura pertencem também José Paulo Couto e William Alves.


P. Como carateriza o clima que a nível geral se vive na banca em Portugal?
R. Considero-o cada vez mais turbulento e instável, como foi prova recente o que aconteceu no Banif e o que está a suceder no Novo Banco, num folhetim que ainda não terminou, para além de outras que constituem fatores de especulação. Tudo isto demonstra bem o momento do setor no nosso país, que terá de levar ainda um ajustamento muito significativo e que continua a passar por uma situação de que os trabalhadores não são culpados. Mas quero ressalvar que na nossa instituição a situação, para já, está relativamente calma.

P. A que se deve essa acalmia?
R. Por um lado, porque continuamos a contar com o apoio da casa mãe, que prossegue uma política de comunicação ativa com todos os colaboradores, no sentido de transmitir essa mesma acalmia a nível dos postos de trabalho. Por outro lado, a nível dos recursos humanos, também para já estamos equilibrados. Por outro, vendemos duas unidades de negócio, onde se encontravam alguns associados do SBN. Mas como o banco aposta forte na imagem, mostrou abertura para que os sindicatos conseguissem salvaguardar, garantir e manter o acordo coletivo, bem como o acesso aos SAMS.

P. É caso para dizer que tudo está bem quando acaba em bem?
R. Talvez, embora tenha subsistido um senão, que se consubstancia no fator risco. Isto é: o banco só não nos conseguiu garantir que se a empresa compradora vier a entrar em falência, não haja despedimentos. Mas francamente não achamos que esse seja um cenário plausí- vel, até porque se trata de uma conhecida empresa norte-americana com larga experiência na área do crédito vencido. E com tudo isto, o banco, com cerca de 1.300 trabalhadores, libertou cerca de 10% da massa salarial, o que lhe permitiu equilibrar as contas e ter vindo a fazer mensalmente novas aquisições com vínculos diretos à instituição e com todos os direitos constantes do ACT, apesar de serem contratados a prazo.

P. E o recurso ao outsourcing e a estagiários?
R. Nesses domínios, temos vindo a notar algum decréscimo, ainda que não muito significativo. Mesmo assim, é verdade que os elementos recrutados têm vindo a revelar-se como bons comerciais, pelo que lhes tem sido proposto posteriormente o vínculo ao banco.

P. Significa então que o tempo é de bonança?
R. Por enquanto. Depois, o futuro dirá. É que temos notícias, provenientes de Espanha, que apontam para uma eventual fusão entre o Santander e o Banco Popular. Claro que os trabalhadores têm estado na expetativa, embora o Santander seja uma instituição considerada estável. Se isso acontecer, é natural que a marca venha a desaparecer em Portugal.

P. Mas vocês já contataram os vossos congéneres espanhóis para apurarem algo de mais concreto?
R. Sim, e até posso adiantar que a Comissão Sindical de Espanha nos revelou a possibilidade de, se se concretizar o negócio, serem reduzidos três mil postos de trabalho nas duas instituições a nível ibérico, número que, sendo naturalmente maior lá do que cá, acabará também por afetar também Portugal. E consta até que as negociações para a fusão já começaram, devendo estar concluídas até ao final do primeiro semestre do próximo ano.

P. Não temem, em relação ao vosso futuro?
R. Para ser franco, para já, não esperamos que a atual crise no setor bancário nos arraste também para a lama. Estamos numa situação de expetativa, sim, mas de otimismo moderado…

P. A nível interno, não tem havido pressões?
R. Ultimamente tem-se verificado, desde o final do verão, um aperto muito significativo em termos de processos disciplinares, com o argumento de incumprimento de normas. Pensamos que isto se deve a um desejo de quererem fazer uma “limpeza de pessoal”. Até há pouco tempo, mostravam o cartão amarelo, mas agora já estamos na fase de mostrarem o vermelho direto.

P. Essa mudança colheu-vos de surpresa?
R. Não totalmente. Aliás, o anterior presidente do banco já tinha alertado para que as pessoas “não se pusessem a jeito” e evitassem processos disciplinares. Só que, agora, dos avisos passaram à prática. Só aqui no norte passamos a ter o dobro – ou mais!

P. E no que diz respeito à parte comercial?
R. Também neste aspeto a pressão tem vindo a crescer, com a agravante de o cenário de o mercado não ajudar. É certo que os objetivos têm vindo a ser aumentados, mas os trabalhadores não são motivados de forma nenhuma – com prémios, por exemplo. Apenas são confrontados com o medo da não manutenção do posto de trabalho se não atingirem esses objetivos…

P. Mas não são proporcionados meios acrescidos para a consecução desses objetivos comerciais?
R. Não só isso não acontece, como os trabalhadores se encontram limitados na sua ação, como seja, por exemplo, através da falta de eficácia da parte informativa. É que temos uma plataforma ibérica, que funciona bem em Espanha mas menos bem em Portugal. Posso afirmar que, neste aspeto, temos funcionado mais como cobaias do que como instrumentos eficazes de cumprimento de objetivos.

P. Outro aspeto: os trabalhadores são conservados bastante tempo nos respetivos balcões?
R. Ah, não! Essa é outra situação que nos tem vindo a provocar uma preocupação crescente, desde 2014. É que dificilmente um trabalhador fica mais de um ano e meio ou dois no mesmo balcão, o que obviamente os afeta imenso. Vejamos: quando estão adaptados aos clientes e ao meio envolvente, são transferidos.

P. Então se essa situação é reiterada, não há queixas?
R. Pois, o pior é que o banco tem violado sistematicamente o ACT no que diz respeito a esta matéria. E nós dizemos aos associados que podem recorrer ao Contencioso do SBN, mas a maior parte acaba por aceitar a situa- ção a que são sujeitos, porque têm medo de represálias e expetativas de futuras recompensas, no que diz respeito à progressão na carreira. Apenas casos pontuais recorrem. Nessas situações, o Contencioso contesta e o banco acaba, obviamente, por ser recetivo. E ainda não temos tido notícias de grandes represálias, quando isso acontece.

P. Os horários, são cumpridos?
R. É raro o trabalhador que possa fazê-lo. As pessoas saem dos balcões geralmente entre as 18 e as 19 horas, quando deveriam sair entre as 16h30 e as 17, porque hoje em dia é necessário ausentarem-se no meio do trabalho para irem ao encontro dos clientes. Ora, sempre que isso acontece – e acontece muito frequentemente –, o trabalho que o colaborador tem de fazer no balcão fica parado. Depois, tem de o compensar. É um círculo vicioso, sempre em nome da necessidade do cumprimento dos objetivos.

P. Pode falar-nos da dicotomia função/remuneração?
R. Nesse caso, temos muitos responsáveis de balcões que não usufruem de remunerações compatíveis com as funções que desempenham, porque o banco aposta em redução de custos mais reduzidos com o pessoal, enquadrando assim trabalhadores em funções mais elevadas sem os remunerar em conformidade com o ACT. E também nestes casos o sindicato só pode atuar se os lesados se queixarem. O mal é que eles aceitam este facto, na expetativa de virem posteriormente a ser promovidos. Está bem claro que esta situação só beneficia o banco, que assim poupa significativos recursos financeiros.

P. Quanto ao relacionamento da Comissão Sindical com a administração?
R. Eu aqui preferia falar do sindicato, já que nós não somos mais do que uma emanação do SBN. Assim, posso dizer que a administra- ção tem estado sempre recetiva e aberta, até porque procura evitar problemas, por uma questão de imagem. Muitas vezes o próprio presidente do banco afirma disponibilidade para o diálogo. Não se nota o “efeito de rolha” que se verificava há alguns anos atrás e, portanto, não temos tido razões de queixa. Por outro lado, não têm surgido grandes situações de conflitos laborais, muito devido ao que já afirmei: os trabalhadores claramente prejudicados não se queixam e preferem não levantar problemas.

P.Qual é a vossa apreciação, no que diz respeito ao SAMS?
R. O nosso trabalho no dia-a-dia, não apenas para conservar os atuais associados, mas também para conquistar novos sócios, é muito duro. E neste caso somos confrontados com duas grandes pedras no sapato: a estomatologia e a oftalmologia, em que as respetivas tabelas de comparticipação estão muito longe de ser concorrenciais. É que os colegas casam- -se e têm filhos, pelo que necessitam cada vez mais de cuidados de saúde nestas duas áreas para os agregados familiares, com a fatura cada vez mais pesada. No resto, somos claramente melhores, designadamente nas cirurgias. Mas, felizmente, estes casos só se verificam pontualmente e não no dia-a-dia, pelo que os colegas não os valorizam tanto. Ou seja: são mais sensibilizados pelo imediatismo, em vez de apostarem no futuro.

P. Para finalizar, fale-nos da atividade sindical…
R. Esta área tem funcionado bem. Temos andado permanentemente no terreno. O único momento em que paramos é em agosto e no Natal, alturas em que há muito poucos colegas nos balcões, dado que o importante é ouvir e sermos ouvidos. É que nem toda a gente tem tempo para ler os e-mails que enviamos… Daí o contacto direto ser tão importante. Até para tirarmos dúvidas, prestarmos toda a espécie de esclarecimento e podermos também ser portadores de situações para o Contencioso, por exemplo. A nossa Comissão Sindical é muito dinâmica e gera um trabalho ultradesgastante mas, ao mesmo tempo, extremamente gratificante. Nas nossas visitas aos balcões é muito interessante verificarmos, por exemplo, como os associados dos outros sindicatos se encontram completamente desacompanhados. É triste vê-los acomodados. Mas também só estão assim porque têm a sorte de, ao contrá- rio do que se verificou em outras instituições, nunca terem passado por situações delicadas. Nesse caso, só poderão ser defendidos pelo nosso sindicato. Por outro lado, a nível interno tenho notado uma certa dificuldade de o SBN agendar as visitas aos nossos 71 balcões, nomeadamente no que toca a diretores e a viaturas. Faço sempre questão, no que diz respeito ao Porto e aos arredores, de ser sempre acompanhado por um diretor, porque é a forma mais eficaz de estarmos mais envolvidos com os trabalhadores, de marcarmos a nossa presença e de termos maior notoriedade. Compreendo e sei que essa dificuldade não parte da coordenação do pelouro. Só que se houvesse maior disponibilidade de diretores e de viaturas, as coisas funcionariam muito melhor. Aliás, defendo que as visitas são a melhor escola de sindicalismo, porque aprendemos muito com os colegas, identificamos as suas necessidades e, simultaneamente, temos de estar municiados das respostas para as questões que nos colocam, quer a nível do SAMS quer a nível sindical, o que significa termos de estar sempre informados e atualizados, para também podermos assim agilizar todos os canais de informação.

     
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