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Cancro colorretal: um rastreio que se impõe

... da Saúde: "Estado de completo bem-estar físico, moral e social e não apenas a ausência de doença ou enfermidade" (O.M.S.)

O cancro colorretal é dos cancros com maior incidência na Europa e nomeadamente em Portugal. Segundo dados da Direção-Geral de Saúde, a mortalidade anual por cancro é de 25 000 casos por ano, sendo que o cancro colorretal é responsável por nove ou dez mortes por dia. Neste contexto, é muito importante o diagnóstico precoce da patologia, para que se possa atuar eficazmente no tratamento. Tendo em consideração o referido, solicitei a Costa Santos, médico do SAMS especialista em Gastroenterologia, que fizesse um artigo em que alguns pontos fundamentais fossem abordados para maior informação e vigilância aos nossos beneficiários.


Cancro colorretal: um rastreio que se impõe

Introdução

Segundo estatísticas da Associação Internacional para o Estudo do Cancro em 2012, o cancro mais comum na Europa foi o do cólon (intestino grosso) e reto (porção terminal do intestino antes do ânus), com mais de 400 000 novos casos em homens e mulheres reportados anualmente – não existe grande diferença entre os géneros masculino e feminino.
A incidência é maior a partir dos 50 anos, atingindo um pico entre os 60 e os 70 anos de idade; é a segunda causa mais frequente de morte por cancro na Europa, com mais de 200 000 casos em 2008.
Em Portugal, segundo dados da Direção-Geral de Saúde, a mortalidade anual por cancro é de cerca de 25 000 casos, sendo responsável por nove ou dez mortes por dia.


Indicação

1. O rastreio do cancro do cólon e reto deve ser proposto aos indivíduos assintomáticos (sem queixas do intestino grosso – cólon e reto) a partir dos 50 anos e até aos 75 anos.
2. A partir dos 75 anos deve ser individualizada essa recomendação, atendendo ao estado de saúde e ao interesse da pessoa.
3. Não são incluídos no rastreio, devendo ser submetidos a exames complementares, preferencialmente a colonoscopia, os indivíduos que apresentem sinais e/ou sintomas sugestivos da existência de doença do cólon ou do reto e os que se incluam nas situações clínicas seguintes:

a. antecedentes pessoais de adenoma (um tipo de pólipo) ou de cancro do cólon ou do reto;
b. doença inflamatória intestinal – colite ulcerosa e doença de Crohn, com envolvimento do cólon e reto;
c. antecedentes em familiares de primeiro grau (pais, irmãos ou filhos) de adenoma, de cancro do cólon ou do reto e de síndromas hereditárias de cancro do cólon e reto.


Método

A escolha do método difere nos vários países em que está implementado – a título de exemplo, em França é a pesquisa de sangue oculto fecal que, se positiva, leva à realização de colonoscopia e, na Alemanha, a pesquisa anual de sangue oculto fecal dos 50 aos 54 anos, seguida de pesquisa de sangue oculto bianual até aos 75 anos, ou colonoscopia aos 55 e 65 anos.
Em Portugal, o plano oncológico nacional recomenda a pesquisa de sangue oculto fecal e a DGS teve em discussão pública, em 2014, normas de rastreio oportunístico, com a pesquisa de sangue oculto fecal anual, que, se for positiva, deve ser seguida de colonoscopia (consulte o sítio da Direção-Geral de Saúde em www.dgs.pt).
Vários hospitais portugueses têm centros de rastreio e outros também em curso programas de rastreio do cancro colorretal (para mais informação consulte o sítio da Sociedade Portuguesa de Endoscopia Digestiva – www.sped.pt).


Explicados os benefícios e os eventuais riscos da implementação do rastreio, existem vários métodos para o fazer:

- pesquisa de sangue oculto fecal por teste imunoquímico (o teste do guaiaco deve ser abandonado)
- pesquisa de mutações genéticas no sangue
- clister opaco de duplo contraste
- colografia por TAC ou ressonância magnética abdominopélvica (erradamente conhecida como colonoscopia virtual)
- endoscopia – videocápsula e colonoscopia


Os Vários Métodos Permitem Dois Tipos de Estratégia

1. Estratégia de diagnóstico de pólipos e de cancro em fase precoce (implica, se teste positivo, colonoscopia numa segunda fase):
Fezes – pesquisa de sangue oculto por teste imunoquímico
Sangue – pesquisa de mutação genética
Imagiologia/radiologia – clister opaco de duplo contraste e colografia por TAC ou ressonância magnética abdominopélvica
Videocápsula endoscópica

2. Estratégia de diagnóstico de cancro em fase precoce e diagnóstico e prevenção pela remoção, no mesmo ato, de pólipos e de outras lesões precursoras do cancro colorretal:
Colonoscopia com eventual terapêutica por polipectomia e outros métodos de exérese das lesões precursoras
“Mensagem final para pensar e divulgar”
Consulte o seu médico e escolha com ele o método a utilizar, mas não deixe de fazer o rastreio do cancro colorretal, um dos maiores flagelos da saúde pública atual.

Por Costa Santos, gastrenterologista

     
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