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Um parto difícil… só restará a “cesariana”?

“Aos negociadores, deixo um desafio e um conselho: o parto pode ser difícil, mas há sempre a possibilidade de uma cesariana.”


Terminou o chamado período de férias. Os bancários regressaram ao trabalho, mas continuam a questionar-se sobre a situação profissional, económica e social, preocupados com as notícias que diariamente são dadas à estampa na comunicação social, quer escrita quer radiofónica ou televisionada.
A venda de património por parte de algumas instituições à venda do Novo Banco, é uma das questões que não podem deixar que os trabalhadores bancários adormeçam ou usufruam de um dia a dia de paz e de segurança.
Aliada a estas preocupações, que por si só seriam suficientes para que tenham uma vida de desassossego, continua a saga da revisão estatutária, que, com a prolongada vigência, ameaça pôr em causa a sua situação económica e social.
As negociações prolongam-se por um período gestativo pouco comum para uma negociação que se quer séria e construtiva da paz social necessária para o bom desenvolvimento de um setor diariamente em convulsão.
E se, como diz o povo, na sua sabedoria ancestral, “cadelas apressadas têm filhos cegos”, a verdade é que a mesma sabedoria também nos recorda que “quem espera, desespera”. E os bancários estão cansados de esperar
É por isso que, para bem das instituições, dos trabalhadores e do país, as partes, de uma vez por todas, deviam assumir as suas responsabilidades políticas e sociais para o encontro de soluções que, (des)agradando, mais ou menos, à banca e aos trabalhadores, permitam encontrar soluções capazes de promover o bem-estar social no setor.
Aos negociadores, deixo um desafio e um conselho: o parto pode ser difícil, mas há sempre a possibilidade de uma cesariana.
Atentem, pois, com “olhos de ouvir e ouvidos de ver” – como é costume dizer – nos esclarecedores versos de António Aleixo:


“Há tantos burros mandando
em homens de inteligência,
que às vezes fico pensando
se a burrice não será uma ciência.”
“Acho uma moral ruim
trazer o vulgo enganado:
mandarem fazer assim
e eles fazerem assado.”
“Não me dêem mais desgostos
porque sei raciocinar...
Só os burros estão dispostos
a sofrer sem protestar!”
“Vós que lá do vosso império
prometeis um mundo novo,
calai-vos, que pode o povo
querer um mundo novo a sério!”


Firmino Marques

     
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