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O gozo de férias

“Presentemente, muitos trabalhadores, nomeadamente os bancários, vivem em permanente sobressalto, com a ameaça do seu posto de trabalho, com a retirada das isenções de trabalho e com a consequente redução dos seus rendimentos.”


Estamos no período que se intitula como período de férias.

De facto, este período serve para os trabalhadores fazerem uma pausa às permanentes pressões que são utilizadas no dia- -a-dia por parte das instituições de crédito.
Presentemente, muitos trabalhadores, nomeadamente os bancários, vivem em permanente sobressalto, com a ameaça do seu posto de trabalho, com a retirada das isenções de trabalho e com a consequente redução dos seus rendimentos.
Estou certo que muitos dos colegas já não poderão usar este período como “o gozo de férias”.

A negociação coletiva está paralisada, muito pela intransigência do grupo negociador das instituições de crédito (IC), que utilizam um instrumento que a alteração a legislação do trabalho lhes concedeu – a caducidade. Sem argumentos, insistem na retirada de benefícios consagrados ao longo dos anos no ACT, fruto do bom senso que sempre imperou, por parte quer dos grupos negociadores das IC quer dos sindicatos, num tempo em que os valores e o respeito pela pessoa humana estavam no centro das atenções. Hoje os tempos, dizem alguns, são outros, mas não será também por serem outros, que estão a dissidir, que caminhamos para a selva. Cuidado, porque na selva há muitos perigos.

Porque hoje o que conta são os mercados.
Porque dizem que não temos de ter valores.
Porque dizem que não temos de ser solidários.
Porque dizem que não temos de valorizar a família.
Porque dizem que não podemos pensar em ter filhos.
Porque… porque… etc…

Porque nós temos aceitado tudo o que nos querem impingir, com o argumento de que são novos tempos e que temos de abdicar de tudo o que era o nosso modelo de vida.

Pena é que fomos nós que criamos a geração que dá pouco valor a tudo o que temos vindo a perder.

Mas não me resigno. Não. Não nos devemos resignar. Devemos lutar contra esta onda simplista de um novo modelo de vida.

A propósito, vejamos o que tem acontecido no Montepio Geral, conforme noticiamos nas páginas seguintes desta revista, relativamente a uma trabalhadora que fez uma opção de vida: ter uma família e ter filhos, mas ter direito ao trabalho. Entretanto, ainda há outros que continuamos com os processos para resolução, em que a administração do Montepio persiste em negar os direitos mais elementares. Mas não desistiremos de lutar ao lado desses trabalhadores, tal como fizemos com essa mãe, num processo em que o tribunal lhe deu razão. Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para defendermos os nossos associados, porque hoje são uns e amanhã poderemos ser nós. Estas pessoas, que dirigem outras pessoas, esquecem-se que vivemos num país onde os cidadãos ainda têm direitos, apesar de haver quem os quer destruir.

Entretanto, antes de terminar, quero deixar um apelo à participação de todos no próximo ato eleitoral para as legislativas que se avizinham. Mas gostaria de propor uma séria ponderação aos bancários eleitores, em ordem a ponderarem bem todas as propostas que são apresentadas pelos diversos partidos concorrentes, elegendo aquelas e aqueles que não visem diminuir ainda mais os direitos dos trabalhadores.

Aproveitemos, pois, esta época para refletirmos, mas também para nos consciencializarmos de que não temos que ter medo, de que não podemos deixar de resistir perante as adversidades e de que temos de manter as nossas convicções.
Só perde quem deixa de lutar.
Boas “férias”!

Mário Mourão

     
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