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Olho Seco

... da Saúde: "Estado de completo bem-estar físico, moral e social e não apenas a ausência de doença ou enfermidade" (O.M.S.)

Verifica-se uma cada vez mais frequente patologia ocular, sobretudo atendendo a uma maior esperança de vida, mas também à influência, por vezes nefasta, que o uso de computadores e outros aparelhos, bem como a poluição atmosférica, provocam nos olhos. Uma situação muito frequente é a chamada de “olho seco”, que afeta uma quantidade muito considerável de portugueses e que pode provocar um desconforto ocular manifesto e pode, em grau elevado, causar patologia ocular grave.
Assim e para informação dos beneficiários solicitei a duas colegas especialistas de oftalmologia do SAMS que escrevessem um artigo sobre o tema em questão e que muito útil poderá ser para todos nós.


Olho seco

Definição

O síndrome do «olho seco» é uma patologia inflamatória crónica da superfície ocular, que resulta de alterações quantitativas ou qualitativas da lágrima, comprometendo o recobrimento da superfície ocular, levando a uma maior exposição ocular.
Assim, a diminuição da produção de lágrima, a deficiência de alguns dos seus componentes ou a excessiva evaporação das lágrimas, provoca instabilidade do filme lacrimal. Como consequência, surgem sintomas de desconforto e de perturbação visual que, dependendo da gravidade dos sintomas e das complicações a que pode associar-se, têm um impacto negativo considerável na qualidade de vida dos doentes.

Esta patologia é muito frequente: atinge 10 a 20% da população adulta e, devido ao aumento da esperança média de vida, a sua prevalência tem vindo a aumentar

A Lágrima

Num olho saudável há produção constante de lágrimas, de forma a se obter uma lubrificação eficaz e, adicionalmente, como resposta a uma irritação ou emoção.
É importante lembrar que a lágrima é composta por três camadas distintas, cada uma delas desempenhando uma função específica. A camada mais externa, ou lipídica, previne a evaporação e estabiliza o filme lacrimal; a camada do meio, chamada aquosa, é responsável pela nutrição da córnea; a camada de mucina, em contacto com o epitélio corneano, promove a adesão das lágrimas à superfície ocular, formando uma película protetora transparente.
É necessário que todas elas estejam presentes e sejam homogéneas, para que o olho permaneça saudável, prevenindo a ocorrência de lesões dos tecidos oculares. Em cada pestanejar, uma pequena quantidade de lágrima recobre a superfície ocular, nutrindo-a, protegendo-a e tornando-a regular, fazendo assim com que a visão seja clara e sem distorções.

Sintomas

Os sintomas, muito variáveis e inespecíficos, são geralmente bilaterais. Os doentes referem desde sensação de corpo estranho, ardor, picadas, prurido no canto interno do olho, lacrimejo reflexo, secreção mucosa, olho vermelho, pestanejo frequente, sensação de pálpebras pesadas, visão enevoada, dificuldade na leitura e trabalho no computador, flutuação diurna da capacidade visual com agravamento frequente ao fim do dia, intolerância a lentes de contacto, agravamento sintomático em ambiente de ar condicionado, até dor intensa, fotofobia (dificuldade em encarar a luz) e redução acentuada da visão

Causas

Faz parte do processo natural de envelhecimento, é uma doença do adulto, preferencialmente do sexo feminino, sobretudo na menopausa, fase na qual tem início a redução das hormonas femininas.
Esta patologia está relacionada com inúmeras patologias, nomeadamente doenças oftalmológicas da superfície ocular como conjuntivite alérgica, blefarite (inflamação e produção de caspa nas pestanas), doenças da glândula lacrimal, distúrbios do pestanejar como na paralisia facial, cirurgias oculares (cirurgia das pálpebras, cirurgia refrativa, especialmente o LASIK), rosácea e uso prolongado de lentes de contacto.
Pode ser uma manifestação de doenças sistémicas, particularmente as doenças reumatológicas e auto-imunes (artrite reumatoide, lúpus eritematoso disseminado, síndrome de Sjögren e sarcoidose, entre outras), diabetes mellitus, linfoma e carência grave de vitamina A. É muito frequente em doentes com hábitos tabágicos e etílicos marcados. Pode ainda dever-se a um efeito secundário de

Por Margarida Queiroz e Ana Paula Pina, oftalmologistas

     
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