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História das Abelhas (XIII) - A Apicultura no Inverno

A chegada do outono marca o aproximar do fim de mais um ano, mas o trabalho do apicultor nunca tem fim...

É comum pensar-se que as abelhas param a sua atividade no inverno e que por isso acabam as preocupações do apicultor, mas isso não é verdade. Na verdade, a rainha, com a diminuição da temperatura e com uma menor disponibilidade de floração, diminui bastante a sua atividade, chegando, por vezes, a parar por completo a postura durante algum tempo, mas num clima temperado como o nosso as abelhas normalmente continuam as tarefas durante o inverno, embora com muito menor intensidade, procurando florações, recolhendo água e fazendo os necessários voos higiénicos. Perdem-se por isso muitas abelhas no exterior nessa altura do ano, especialmente em dias chuvosos e mais amenos, o que pode levar ao enfraquecimento das colónias.
Uma das regras de ouro da apicultura é evitar ter colónias fracas, especialmente no inverno. Como é sabido, uma colmeia forte produz mais do que duas ou três colmeias fracas, e além disso colmeias fracas no inverno terão um arranque muito mais lento no início da floração, tornando-se por vezes difícil obter destas alguma rentabilidade, pois, devido à pouca força de trabalho disponível, acabam por não tirar o devido partido das principais florações.
Nunca esquecer que as visitas ao apiário durante o inverno não se devem fazer em dias muito frios e a horas tardias: o apicultor pode sempre optar por aproveitar dias soalheiros durante a hora de almoço para verificar alguns pormenores dentro da colmeia. Se a essa hora a temperatura estiver acima dos 12ºC, céu limpo e sol, não haverá grande problema em fazer uma rápida inspeção das colmeias, para poder fazer algumas manutenções. Mesmo não sendo possível um exame minucioso ao interior da colmeia, que levaria a que o ninho arrefecesse em demasia, causando mais prejuízos do que benefícios, é fundamental ir tendo ao longo do inverno a noção do comportamento das colónias, para poder atuar atempadamente e em conformidade.
Antes da entrada do inverno é a altura ideal para fazer a limpeza à vegetação do apiário, pois nessa época a maioria das plantas param o crescimento, ficando por isso o apiário limpo por mais tempo, evitando o ensombramento e o excesso de humidade, que pode trazer problemas ao material e às abelhas. Deve proceder-se à limpeza e à desinfeção de fundos e de ninhos, com a ajuda do formão e do maçarico, removendo também as ceras em más condições e substituindo o material danificado, de modo a proporcionar às colónias um ambiente mais higiénico durante os meses de frio.
É este o momento de fazer os preparativos para a nova época e de proceder às encomendas de materiais, de colmeias e de ceras, para que estejam disponíveis no arranque da primavera, quando serão necessários, podendo ser aproveitadas as noites, mais longas naquela época, para realizar pequenas reparações do material e substituição dos arames danificados dos quadros.
O espaço disponível na colmeia deve também ser corretamente dimensionado ao tamanho do enxame, sendo sempre preferível transferir um enxame pequeno para um núcleo do que deixá-lo num ninho com demasiado espaço, onde é mais difícil manter a temperatura, o que significa um maior consumo de reservas e maior dificuldade em ultrapassarem o inverno. Deve-se assegurar que os quadros dos extremos estão repletos de reservas, de modo a criar uma barreira térmica contra o frio do exterior. Caso se verifique que a colónia não tem reservas suficientes para o inverno, terá de ser fornecido alimento de manutenção, na forma de pasta, adicionando de preferência alguma proteína, de forma a garantir a sobrevivência até à próxima floração.
Na entrada do inverno pode acontecer algumas colónias perderem a rainha por tentarem, sem sucesso, substituir a rainha velha muito tardiamente. Nesses casos a solução será juntar essa colónia a outra, recorrendo, por exemplo, ao método do jornal, que consiste na colocação da colónia órfã em cima de outra com rainha, separadas por uma folha de jornal, de modo a que, enquanto roem o jornal, se misturem e se ambientem ao cheiro (feromona) da nova rainha, evitando assim que lutem entre si. Entre três a cinco dias após a colocação de um ninho em cima do outro, estamos em condições de voltar a organizar a colmeia, reduzindo-a apenas a um ninho. Em colónias mais fracas deve-se também mudar para a entrada de inverno, o que facilita o aquecimento da colónia e dificulta a pilhagem em caso de escassez de alimento.
Quando estamos a cerca de 45 dias do início de uma floração abundante devemos começar a estimular as colmeias para o arranque da floração, utilizando para isso uma alimentação líquida, tendo sempre em atenção que esta operação apresenta riscos, pois este tipo de alimentação estimula o aumento de população, o que pode gerar fome no caso de, na altura da floração, as abelhas não conseguirem trabalhar devido às condições atmosféricas, ou de a floração ser destruída pelo tempo, como tem acontecido nos últimos anos à floração do eucalipto.
Como contrapartida a todos os benefícios que o apicultor obtém das abelhas, é também obrigação ampará-las nos momentos mais difíceis, proporcionando-lhes as condições necessárias à realização das tarefas, das quais todos, direta ou indiretamente, acabamos por beneficiar.

João dos Santos Pimpão

     
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