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Ainda o tema do sindicato único

A edição de março da Revista FEBASE , numa das páginas de responsabilidade do Sindicato dos Bancários do Centro, refere o seguinte, a propósito da sessão de comemoração do 80º aniversário do SBC: “Com exceção do líder do SBN, todos os dirigentes da Febase presentes abordaram este tema (o sindicato único) e, em uníssono, afirmaram que é um passo em frente que o setor financeiro da banca e dos seguros tem que dar, face à debilidade atual dos sindicatos…” A forma como a notícia se encontra redigida impõe alguns esclarecimentos, porque insinuações não são legítimas e as meias verdades, como sabemos, são dupla mentira… por não serem verdade nem serem mentira! Assim,

Só a mim e a mais ninguém compete escolher os temas que devo abordar em cada momento. Respeito outras opiniões, independentemente de estar concordante ou não com elas. Não tenho, contudo, feitio para servir de “câmara de eco”. Naquela circunstância, o que para mim importava relevar era o elevado significado sindical e social para os bancários associados do SBC que constituíam o centro da data festiva. Foi isso que fiz.
Seguramente que nenhum daqueles que se referiu ao tema “sindicato único” concede mais importância a essa estrutura do que eu próprio, como demonstra o facto de tal desiderato constar de todos os programas com que me candidatei, bem com do da Tendência Sindical Socialista do Sindicato dos Bancários do Norte. Só que há momentos para tudo. E, em meu entendimento, aquele não era o mais adequado para se falar de tal matéria. Se todos nos respeitarmos, a via fica mais fácil. Colocar escolhos no caminho só prejudicará o processo. Mas o sindicato único tem de ser mais do que o produto de uma mera escritura notarial.
O sindicato único tem de ser uma estrutura que constitua um reforço para uma efetiva defesa das atrocidades e das malfeitorias de que os bancários têm vindo a ser vítimas, como cortes nos rendimentos, rescisões ditas por mútuo acordo e muitas outras situações que todos nós tão bem conhecemos. O sindicato único não pode servir para vir a agravar ainda mais as diferenças que os bancários já hoje têm no contexto nacional, nomeadamente no âmbito das comparticipações dos SAMS.
Esta e outras matérias carecem ainda de ser muito criteriosa e aprofundadamente sopesadas, para todos aqueles que representamos não sejam prejudicados por decisões precipitadas, pouco ponderadas ou tomadas mais pelo coração do que pela razão.
A verdade é que, atendo-me ainda à questão dos SAMS – que todos sabemos ser particularmente delicada e, por conseguinte, merecedora de ser analisada preventivamente para depois não necessitar de cuidados paliativos –, ainda não foram discutidas as diferenças registadas nos benefícios/ comparticipações verificados nas diferentes áreas sindicais. Por conseguinte pergunto, tal como se interrogarão os nossos associados: se o assunto não for cuidadosamente analisado e ponderado, haverá áreas sindicais que ficarão prejudicadas relativamente a outras em que as condições se apresentem mais favoráveis? São estas, como tantas outras questões, que carecem de ser aprofundadas.
É portanto meu entendimento que quando se partir para a constituição do sindicato único, temos nós, dirigentes e têm os bancários nossos associados de possuir o máximo de garantias possíveis de que tal alteração constituirá uma poderosíssima arma de defesa dos legítimos direitos e interesses dos bancários. Poderosa e eficaz.
Não andará bem avisado quem não se empenhar em lembrar a história. Pela minha parte, recordo a enorme generosidade e a extrema alegria com que todos partimos para a constituição da Febase. Também todos concordamos que era um passo para a edificação do sindicato único. Aliás, recordo com emoção aquele dia 8 de novembro de 2007 em que, no Sindicato dos Bancários do Norte, o referendo que para o efeito realizámos nos legitimou para a constituição da federação.
O objetivo era, de facto, irrecusável, na sua força mobilizadora, de conceder mais força e maior poder reivindicativo aos sindicatos do setor. Quem recusaria empunhar tão nobre estandarte, tão empolgante desafio?
Todavia, até agora, quantas regalias os bancários conseguiram com a constituição da Febase? De quantos aumentos salariais beneficiaram?
Uma coisa é a grandeza e a magnificência dos sonhos. Outra, a crueza da realidade. Mas é neste tabuleiro que temos de jogar, o que nos impõe muita ponderação e uma reflexão acrescida, porque é o futuro de todos os nossos associados e dos seus agregados familiares que está em causa. Podemos construir o sonho, mas não temos o direito de o destruir com imprudências. Falar e escrever não custa. O que se impõe é encontrar as palavras que sejam portadoras das soluções. E nos locais próprios.
Quanto à constituição do sindicato único, será aos associados de cada organização que competirá a decisão. No Sindicato dos Bancários do Norte, em tempo oportuno saberemos convocar a assembleia que permitirá aos nossos sócios expressar o seu sentimento e a sua decisão.


     
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