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Delegaçao de Bragança

“Não se adivinham boas novas para os bancários” – diz a comissão sindical

Foi com a frase em título – “Não se adivinham boas novas para os bancários em 2015” – que os elementos da Comissão Sindical de Bragança começaram a analisar o futuro, numa entrevista que a seguir reproduzimos. Aquela estrutura é constituída por Luís Matos Afonso (coordenador), Graça Patrício (vogal) e Vítor Veloso (tesoureiro).


P. Quais os principais problemas que constatam na vossa ação sindical quotidiana?
R. São tantos que nem sabemos por onde começar. Mas um dos mais relevantes é, inquestionavelmente, o encerramento de balcões, que tem afetado um número muito significativo de bancários. Isto, como é evidente, a par da introdução da prática da mobilidade, que coloca níveis inacreditáveis de apreensão nos trabalhadores do setor, muitos dos quais acabam por ser colocados em cidades e vilas a uma enorme distância de suas casas. E não esqueçamos que o conceito de “distância” em Trás-os-Montes é bem diferente das regiões do litoral. Aqui, quando se fala em deslocalizações desta natureza é sempre para ir para bem longe – nunca menos de trinta quilómetros –, o que provoca consequências terríveis, não apenas no aspeto financeiro, mas também alterando rotinas e hábitos, com repercussões dramáticas a nível familiar. Mas também é bom não esquecer que para estes lados não existem transportes públicos e que, portanto, os bancários passam a ter de deslocar-se em automóveis privados, com todos os encargos que isso acarreta.

P. Mas tinham começado por falar no encerramento de balcões…
R. Sim, sim. Porque só no ano passado, na cidade de Bragança, fecharam cinco – Banif, BBVA, CGD, CCA e BCP. Relativamente ao Banif, rescindiram os contratos, com exceção do chefe, que foi transferido para uma localidade a sessenta quilómetros de distância. Quanto ao BBVA, no final do ano os trabalhadores foram surpreendidos com o despedimento coletivo intentado por aquela instituição de crédito, com todas as implicações que é possível e impossível imaginar para a vida familiar a local. Neste caso, foram promovidas várias reuniões extraordinárias, com a presença do vice- presidente do sindicato e do coordenador do pelouro da estrutura sindical, com o objetivo de esclarecer e de apoiar os bancários envolvidos no processo. No que diz respeito ao Banif, os clientes ficaram “pendurados”, sem terem um balcão onde pudessem resolver os seus problemas, como depósitos para encargos fixos, situação que muito os penalizou. Quanto ao BCP, realizou-se uma reunião a fim de esclarecer todos os associados daquele banco sobre as propostas de rescisão por mútuo acordo que estavam a ser enviadas via portal e sobre as questões constantes do Memorando de Entendimento, designadamente no que se refere às reduções temporárias de vencimento até 2017.

P. Os ecos do chamado “caso BES” não chegaram até aqui?
R. Se chegaram! Isso foi uma surpresa para todos! Nessa altura, nós os três deslocamo-nos a todas as agências da área geográfica da nossa delegação para apoiar os colegas, transmitindo-lhes todas as informações existentes e disponibilizando o apoio integral do SBN, nomeadamente por parte dos serviços jurídicos. Aliás, logo ali, no primeiro contacto, tínhamos instruções para lhes dizer que não assinassem nada sem previamente dar conhecimento à delegação, a fim de que pudéssemos articular com o Contencioso. Para além disso, estas visitas foram reforçadas com uma outra, que contou com a presença de um membro da Direção do sindicato, especificamente indigitado para o efeito.

P. Quanto ao SAMS, como podem traduzir a situação atual?
R. Recordemos que o anterior posto clínico foi encerrado pela fraca afluência e pela escassez de médicos. Aliás, fomos a primeira delegação do SBN a quem aconteceu essa situação. Depois, começamos a fazer protocolos com várias entidades clínicas em diversas localidades da nossa área. E de momento encontra-se a funcionar nas nossas instalações – mais precisamente no antigo posto – uma clínica (a Mozclinic), com a qual temos um acordo que permite garantir aos associados e familiares todos os direitos vigentes à data de encerramento do antigo posto. Neste momento temos as especialidades de clínica dentária, medicina interna e psicologia infantil, prevendo-se a breve trecho a disponibilização de cardiologia, pediatria, enfermagem e fisioterapia. Na delegação existe também um ponto de venda da Loja de Ótica do SBN que, como na sede, tem vindo a registar bons resultados, nomeadamente nas campanhas de promoção, que são realizadas com regularidade.

P. Perspetivas? O que vem aí? O ano de 2015 já vai quase a meio…
R. Pois é. E o pior é que não se adivinham boas novas para os bancários, uma vez que correm insistentes notícias sobre fusões e aquisições, o que cria uma enormíssima instabilidade e apreensão nos trabalhadores, com repercussões avassaladoras no seio familiar. Os membros desta delegação têm vindo a ser questionados pelos associados sobre a veracidade destas informações e sobre quando e como elas ocorrerão. A permanência e a continuidade desta dúvida mantém uma angústia indescritível nos nossos sócios, que nos dizem temer pelo seu futuro na banca.

P. Face a essa realidade, como é que vocês coordenam a vossa atuação?
R. Continuamos com uma atividade muito, mas muito, intensa, quer com visitas programadas aos balcões da área da delegação, quer diariamente aos balcões da cidade, o que permite, por um lado, transmitir as informações e os esclarecimentos que nos são veiculados pela Direção, e por outro, recolher as dúvidas e as apreensões dos bancários, com quem fazemos, assim, uma verdadeira prática de sindicalismo de proximidade. Aliás – e só para encerrar – permita-nos acrescentar que a delegação teve um papel fundamental na defesa e na manutenção dos direitos de um delegado sindical do BIC, que arbitrariamente iria ser transferido. Com efeito, as nossas diligências conduziram a que a situação com que este colega foi confrontado tivesse sido levada ao conhecimento e à pronta e eficaz atuação do Contencioso do SBN, o que fez com que o processo tivesse sido solucionado a contento do associado.


     
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