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Jornadas médicas 2015

A diabetes mellitus no século XXI - uma abordagem global

“A diabetes é uma doença que pela sua prevalência e incidência em Portugal e no mundo, que tem na saúde e na vida social mas também na economia – na do SAMS, mas do próprio SNS – um significado muito importante. De diagnóstico muitas vezes inesperado – para o doente – é detetado noutras vezes numa simples análise de rotina, quando o doente nem sequer suspeita da sua existência, adquire uma importância muito grande pela doença em si e pelas consequências que pode originar. Contudo, convém antes de mais referir que um diabético pode e deve fazer uma vida plenamente normal, tendo sobretudo em atenção as recomendações que o seu médico e o seu nutricionista lhe prescreverem, quer do ponto de vista alimentar, quer do ponto de vista do exercício físico e medicamentoso.” Foi assim que o diretor clínico do SAMS, Luís Aguiar, abriu as primeiras jornadas médicas, subordinadas ao tema “A Diabetes Mellitus no Século XXI – Uma Abordagem Global”.

Antes, o presidente do Conselho de Gerência do SAMS, Sá Coutinho, ao proferir a saudação de boas vindas, referira que o objectivo das jornadas fora o de promover um maior conhecimento da doença, assentando no tríptico prevenção, controlo e custos, tendo aproveitado o ensejo para revelar que a incidência da diabetes no SAMS – 1,7 – é muito inferior à média nacional, o que, em seu entendimento, poderá ficar a dever-se a uma maior homogeneidade de literacia da classe bancária e a uma maior facilidade de acesso às fontes de informação.

O oftalmologista Luís Torrão falou depois sobre a catarata, a catarata diabética, as paralisias oculomotoras e as alterações da superfície ocular.

A endocrinologista Paula Mendes sublinhou que a diabetes é um problema crescente a nível mundial – “um em cada doze pessoas são diabéticas, mas apenas metade sabe que o é” –, acrescentando que é referenciado um novo diabético em cada sete segundos. Revelou em seguida que em Portugal – país onde existe uma prevalência de 13 por cento – 10% com as despesas de saúde são feitas com a diabetes. E, a terminar: “É uma doença que tem de ser diagnosticada o mais cedo possível, para que o nosso doente possa voltar a sorrir.”

O endocrinologista Lima Reis fez a história da diabetes – do egípcio Imhotep – o “descobridor” da doença até hoje. Relatando alguns dados curiosos, disse que já 600 anos antes de Cristo, os indianos recomendavam temperança e exercício físico. Por seu turno, 400 anos antes de Cristo, Hipócrates dizia que a alimentação deve ser proporcional ao consumo. Mas a diabetes foi baptizada 230 anos antes de Cristo pelos gregos, já que a palavra que escolheram para a designação da patologia significa “água que passa através de”. Mais tarde, a insulina surge em 1922 e em 1926 é criada a Associação Portuguesa de Diabéticos, por Ernesto Roma. A data mais recente a reter é a da criação da famosa Roda dos Alimentos, pelo “nosso” saudoso Emílio Peres.

A nutricionista Teresa Maia recomendou uma melhor e mais racional forma de alimentação, em função da idade, do estado nutricional, de patologias associadas, de gostos e de culturas. Alertou, depois, para o facto de 30% dos jovens terem peso a mais e disse que “pela boca nos podemos tratar”. E terminou com um segredo, que é uma receita: “Variar, criar, inovar, apreciar.”

A enfermeira chefe Maria de Jesus salientou a seguir que a automonitorização constitui uma preciosa ajuda, após o que a oftalmologista Ângela Carneiro referiu que hoje na Europa 8,5% da população entre os 20 e os 79 padece de diabetes, calculando-se que em Portugal existam presentemente um milhão de pessoas afectadas com a doença, que é responsável por 5% da cegueira a nível mundial. Atendo-se depois à retinopatia diabética, salientou que é uma importante causa da cegueira, para a qual, todavia, existem tratamentos encorajadores, ainda que seja fundamental uma deteção precoce. Ao terminar, enviou uma mensagem significativa: “É importante manter-se a visão, porque o mundo é lindo e é importante que o vejamos.”

A nefrologista Ana Ventura revelou que o género masculino está mais exposto à nefropatia do que o feminino, sendo uma doença em relação à qual também se revela fundamental um diagnóstico precoce. E adiantou que para o tratamento destas doenças os fármacos não são suficientes: é necessário mudar os estilos de vida – e vale a pena fazer esta mudança enquanto é tempo…

O cirurgião vascular Paulo Pimenta dissertou sobre o pé diabético em risco vascular, revelando que no mundo em cada trinta segundos é amputado um pé e que a úlcera de pé diabético tem uma prevalência de 4 a 10%, sendo a diabetes e o tabaco os principais fatores de risco. O endocrinologista Baldaque Faria sublinhou que a dieta e o exercício físico ocupam lugar relevante no tratamento da diabetes, recomendando, para o primeiro caso, um exercício moderado e cotidiano, sendo o desejável uma marcha de três quilómetros em plano. O presidente do SBN, Mário Mourão, ao encerrar as jornadas, salientou que “a relevância deste evento é bem sublinhada, não apenas porque revela a grande preocupação que o SBN/SAMS continua a conceder à mobilização em torno dos grandes temas que dizem respeito não apenas aos beneficiários, como ao conjunto da população portuguesa”. Mourão congratulou-se pela forma como os responsáveis pelas comunicações souberam colocar “este tema tão sensível da diabetes num patamar de análise e de discussão, que evidenciou, para além do seu reconhecido elevadíssimo conhecimento técnico, uma forma polifacetada de abordagem daquela que é uma das mais generalizadas patologias existentes entre as sociedades das convencionalmente designadas democracias industrializadas”.

De resto, ao ter lido no desdobrável destas jornadas o apelo “Stop diabetes” e depois de ter escutado as comunicações e a discussão a que deram azo, acentuou ter-lhe restado a seguinte convicção: “Já que parece ser uma tarefa inatingível estancar completamente o terrível flagelo desta tão insidiosa doença, poder-se-á, quando menos, através de uma multiplicidade de ações conjugadas, das quais se destaca o papel da informação, reduzir significativamente os danos que ela provoca em todos os escalões etários.”

O presidente do SBN concretizou: “Uma população informada diminui em valores substanciais a ocorrência de patologias. Prevenir é, em todos os casos, melhor do que remediar. E temos de convir que, também nesta matéria, o SBN/SAMS tem vindo a fazer um esforço notável para colocar a tónica da sua atuação na vertente da profilaxia, sem descurar, evidentemente, as áreas terapêuticas, com ações de informação que atingem não apenas beneficiários como também os respetivos familiares, situação que, no caso da diabetes, é particularmente significativo.”

esta circunstância particular da diabetes, ao ditado popular “quem te avisa, teu amigo é”, Mourão referiu, a terminar, que o SBN/SAMS bem poderia acrescentar outro: “quem te vigia, teu amigo é”: “Porque, como aqui ouvi, com a diabetes todos os cuidados são poucos.”


     
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