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Sá Coutinho em Entrevisto à Nortada

É vital o aprofundamento da discussão sobre um SAMS único

A necessidade do aprofundamento da discussão sobre um SAMS único, as virtualidades dos SAMS dos sindicatos verticais, a possibilidade de evolução para um sistema de capitação, a desinformação no que diz respeito às garantias e aos benefícios prestados pelo SAMS, o compromisso da manutenção de uma gestão parcimoniosa e de rigor e a dívida do Ministério da Saúde ao SAMS constituem alguns dos principais temas versados na entrevista que o presidente do Conselho da Gestão daquele serviço, Sá Coutinho, concedeu na entrevista que publicamos na íntegra.



N. Está na ordem do dia a discussão sobre um sindicato único e, por consequência, de um SAMS único. Quais são as perspectivas sobre esta matéria?
SC. SAMS único equivale a dizer, no meu conceito, “SAMS para sempre”! Por essa razão é que entendo como vital a discussão e o aprofundamento desta matéria pelos bancários. Por todos os bancários! Tal significaria o envolvimento de todos os SAMS/ sindicatos numa discussão franca e aberta, despretensiosa e descomplexada, capaz de colocar, em todas as circunstâncias, o interesse dos bancários/beneficiários no topo das nossas preocupações.

N. Quando se refere a todos os SAMS/sindicatos não está a excluir mesmo nenhum?
SC. É desejável que assim não seja. Naturalmente que um processo desta natureza exige muita sensibilidade e bom senso porque complexo e com imensas particularidades. Pese embora a existência de um denominador comum a todos eles – assistência médica, medicamentosa e social – é uma evidência que nem as suas normas e regulamentos e subsequentes benefícios são, na íntegra, sobreponíveis. Há áreas e detalhes mais valorizados por uns e vice-versa. Há diferentes sensibilidades que nos conduzem a privilegiar situações e até diferentes níveis etários dos nossos beneficiários, encarando-os com um olhar diferente. Não há qualquer tipo de exclusão nem preconceito nisso. Existe sempre alguma subjetividade na avaliação de determinados fatores e circunstâncias. Contudo, nada que obste a um pleno entendimento, que considero não só desejável como necessário.

N. Pois… mas as diferenças existem de facto. O que me leva a perguntar qual a sua opinião como proceder ao nivelamento, sendo que nivelar pode fazer-se a diferentes níveis: nivelar por cima, por baixo, de modo intermédio…
SC. Naturalmente que o desejável seria a primeira hipótese, ou seja nivelar por cima. Mas não devemos, nem podemos, confundir o desejo com a realidade. Teremos de levar em conta as particularidades de cada um e seria impossível escolher o melhor de cada um e aplicá-lo a todos. Tal não poderá vir a suceder. Será necessário encontrar a bissetriz, um ponto de equilíbrio, no qual todos se revejam e que, no seu todo, pelas sinergias criadas e ganhos de escala, resultem em vantagens para todos os beneficiários. Em primeiro lugar, a vantagem incontestável e inestimável, que seria a garantia da sustentabilidade do sistema, ou seja, como referi, a garantia de termos “um SAMS para sempre”!

N. A possibilidade de evolução para a intermediação de uma seguradora pode considerar-se uma hipótese a equacionar, razoável e exequível?
SC. Não! De todo! Para o cidadão comum não existem apólices de seguros de saúde vitalícias! Não nos devemos iludir. O seguro é anual e renovável e depende sempre das seguradoras a aceitação da renovação. Se somarmos a essa circunstância o largo conjunto de restrições, de franquias e de exclusões… O modelo dos SAMS dos sindicatos verticais contem, ainda, virtualidades. A coexistência dos nossos serviços internos com uma rede convencionada à dimensão das nossas necessidades continua a ser garante de uma assistência de qualidade.

N. A finalizar este capítulo, insisto numa questão já colocada em anterior conversa e que consiste no modelo de financiamento dos SAMS. Há perspetiva de alteração, no sentido de o tornar mais justo, pela adoção da chamada “capitação”?
SC. Existem, de facto, perspetivas animadoras quanto a essa matéria. Os sindicatos encontram-se em plena fase negocial, creio que numa fase crucial e decisiva. Consta da proposta apresentada pela Associação Portuguesa de Bancos a possibilidade de evoluirmos para esse modelo de financiamento. Naturalmente, é conhecida a enorme complexidade destas negociações, nas quais serão discutidas, obviamente, contrapartidas. Contudo, é considerada consensual a ideia de que, no plano de princípios, é o modelo mais justo, mais equilibrado e com uma vertente social muito profunda. Seria uma solução no interesse de todos, sejam as instituições de crédito, sejam os trabalhadores bancários. Há outras formas de distinguir o mérito e a competências dos trabalhadores que não a saúde e os banqueiros entenderam-no, dando sinais muito positivos que na saúde dos seus colaboradores, de todos eles, não pretendem privilegiar nenhum segmento profissional. Recorde-se o modelo prevalecente no SNS, ao qual acedem todos os cidadãos em pé de igualdade, independentemente, portanto, do valor com que cada um contribui através do pagamento de impostos para o Orçamento do Estado.

N. Falemos da relação com os vossos beneficiários, da forma de comunicar e dos meios utilizados, porque parece existir alguma falta de informação no seio dos bancários no que às garantias e aos benefícios prestados diz respeito…
SC. Teremos de o admitir. Diria que, a par de alguma lacuna na informação, existe também, seguramente, de forma sistemática e organizada, alguma desinformação. Só assim poderemos compreender que, não raras vezes, valorizemos mais alguns euros gastos a menos na farmácia do que algumas centenas ou até milhares de euros despendidos a mais, por exemplo, numa cirurgia. É verdade que vamos muito mais vezes á farmácia do que ao bloco operatório e essa circunstância – poupança de alguns euros – está mais presente nas nossas memórias. Contudo, a nossa opção é, claramente, a de privilegiar o apoio aos nossos beneficiários nas situações mais complexas e que exigem um maior esforço financeiro. Contas feitas, a poupança nos medicamentos não compensa!

N. Fale-nos de projetos para o futuro, que se apresenta algo incerto, considerada a contínua movimentação e, até, a indefinição no setor bancário…
SC. É verdade que nos encontramos – todos os bancários – numa fase de grandes mutações no setor. Há, felizmente, alguns sinais de retoma, que carecem ainda de ser consolidados. É verdade que, entretanto se vai registando uma progressiva diminuição dos quadros de pessoal das instituições de crédito, o que tem reflexos no número de beneficiários do SAMS. Contudo, temos um modelo de organização e de gestão que nos permite alguma flexibilidade para procedermos aos ajustamentos que em cada momento se mostrem necessários. É nossa grande preocupação manter o nível de benefícios e de serviços prestados, em segurança, sem aventureirismos nem promessas irresponsáveis. Julgamos ser esta a forma de melhor garantir a sustentabilidade futura do SAMS. Para tanto, assumimos o compromisso de manutenção de uma gestão parcimoniosa e de rigor e contamos ainda com o suporte fundamental que é a competência, o empenho e a dedicação dos nossos trabalhadores. O SAMS pertence ao Sindicado dos Bancários do Norte, instituição quase centenária, prestigiada e respeitada. Por tudo isto, os bancários e os familiares podem continuar a acreditar num futuro melhor!

N. Por último, pela importância de que reveste, gostaria de abordar a dívida pendente da ACSS – Ministério da Saúde ao SAMS. Qual é o ponto da situação?
SC. É verdade que se encontra presente uma dívida que, pela sua magnitude e maturidade, nos preocupa. Encontramo-nos numa fase que cremos decisiva, porquanto, paralelamente ao processo judicial que corre no Tribunal Administrativo, foi retomado o diálogo entre as partes para se tentar encontrar, por essa via, uma solução para o problema que prevemos poder resolver- -se no curto prazo.


     
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