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Comemorar maio… sem esquecer abril!

Segundo a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que no artigo 1.º contempla o direito dos seres humanos à liberdade, “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos” e “dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.”
Por sua vez, o artigo 2.º refere que “Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades proclamados na presente Declaração, sem distinção alguma, nomeadamente de raça, de cor, de sexo, de língua, de religião, de opinião política ou outra, de origem nacional ou social, de fortuna, de nascimento ou de qualquer outra situação.”
Foi consensual que o Dia Mundial da Liberdade se celebrasse, em todo o mundo, em 23 de janeiro. Porém, para Portugal, embora membro das Nações Unidas, esses artigos foram, durante dezenas de anos, ostracizados, considerados como não existentes. Até que no dia 25 de abril de 1974, data em que, por obra dos indomáveis “Capitães de Abril” os direitos humanos foram “totalmente” restituídos ao povo português, que a partir daí passou a poder ser dono das suas próprias escolhas, para traçar o seu futuro e determinar as suas opções de vida. 25 de abril é, por isso, a data em que, embora em dissonância com o resto do mundo livre, o povo de Portugal comemora o Dia da Liberdade, liberdade que, como referi, lhe era negada por um sistema político capitalista retrógrado.
Mas os trabalhadores portugueses não podem e não devem esquecer, ou deixar esquecer, que só após a alvorada de abril puderam comemorar em liberdade outra efeméride muito grata à classe trabalhadora: o 1º de maio, Dia Mundial do Trabalhador.
O 1º de maio de 74 foi durante muitas dezenas de anos o primeiro a ser comemorado em festa, sem medo da perseguição da polícia política, sem carros com canhões de água a perseguir os manifestantes.
Foi o primeiro 1º de maio em que a festa, a liberdade e a solidariedade substituíram a luta contra a repressão e a mesquinhez de um patronato totalmente arreigado e vendido às políticas mais retrógradas da história de Portugal.
O 1º de maio de 74 foi, assim, um rasgo de luz e de unidade dos trabalhadores que parecia raiar nos céus de Portugal… Infelizmente, estes não souberam reter a lição que lhes foi proporcionada pelo obscurantismo de 40 anos e logo em 1975 foram eles próprios a virar-se de costas entre si e a dividir a força que lhes é atribuída pela razão das suas reivindicações…
A partir desse ano, de má memória para a jovem democracia portuguesa, não mais foi possível comemorar o 1º de maio em unidade e fraternidade.
De quem é a culpa? Não me compete a mim, por ser parte interessada e por isso passível de falta de isenção, aquilatar da culpabilidade deste ou daquele grupo, desta ou daquela entidade…
A unidade na ação é desejável e necessária, mas enquanto tal não for possível é preciso que, juntos ou divididos, os trabalhadores não deixem, estejam onde estiverem, de comemorar o seu Dia, de lutar pela defesa dos direitos que, não podem esquecer, lhes foram restituídos pela Revolução de Abril, o Dia da Liberdade.
O Dia da Liberdade – 25 de abril – deve ser de festa, sem esquecer a constante luta pela Liberdade… O Dia do Trabalhador – 1º de maio - deve ser de luta, sem esquecer que a festa só e possível em liberdade…
Por isso, devemos comemorar maio… sem esquecer abril.

Firmino Marques

     
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