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MIDAS - Animais tratados como “gente grande”

O Movimento Internacional em Defesa dos Animais (MIDAS) é uma associação sem fins lucrativos, fundada em Matosinhos em 1998. Dedica-se à recolha, tratamento e entrega para adoção de animais doentes, abandonados ou perdidos – sobretudo cães e gatos. Promove também com regularidade ações de sensibilização junto dos alunos das escolas – nomeadamente daquele concelho – para os deveres dos donos dos animais, numa tentativa de reduzir o número de abandonados. É também parceiro do Instituto de Reinserção Social para a colocação, em períodos específicos, de pessoas a cumprir medidas de prestação de trabalho a favor da comunidade.
Para melhor compreendermos a ação e os objetivos da instituição, falámos com Ana Albuquerque, que ali presta colaboração em regime de voluntariado.
Aquela advogada de 34 anos, denotando um entusiasmo e uma surpreendente entrega à causa, começou logo por dizer: “Aqui somos todos voluntários. Neste momento, cerca de quatro dezenas, alguns dos quais com 15 e 16 anos...” Para que conste…
De que vive então o MIDAS? “De donativos de associados e de padrinhos, dos mais variados eventos, de vendas, de angariações, nomeadamente de rações junto dos supermercados – quando nos deixam…” O sorriso é esclarecedor.
E vendem, disse? O quê? “Temos uma Loja Solidária com o material mais diverso. Por exemplo, o maior sucesso das vendas do ano passado foram autocolantes em forma de patas, ou com cães ou gatos. Mas também temos t’shirts, porta-chaves, porta-moedas, sei lá que mais! Só que por vezes alguns artigos esgotam-se e depois aparecem outros…” Como os sorrisos.
A associação tem em permanência uma média de 180 animais – maioritariamente cães. Mas também possui um gatil e, no que diz respeito a estes felinos, alguns deles encontram-se a cargo de uma outra associação – Bolinhas de Pêlo – “com a qual colaboramos frequentemente, como aliás é frequente a colaboração entre associações de defesa dos animais.” De resto, as instalações encontram-se completamente lotadas – problema comum a todas as instituições congéneres.
Vocês falam sobretudo em cães e gatos. Sobretudo? Há mais espécies? “Há. Por exemplo, coelhos domésticos abandonados. Mas isto na nossa associação. Porque há outra que se dedica a ouriços domésticos.” E esta, eihn?
Como é que os animais vão aí parar? “Há muita gente que os deixa amarrados à nossa porta, quantas vezes num estado de saúde absolutamente indescritível. Mas também há quem nos peça para ficarmos com animais. Outros encontramo-los na rua. E até já temos recuperado cães que foram atirados para a auto-estrada. Nestas circunstâncias, a recuperação torna-se por vezes extremamente perigosa, mas não podemos chamar a Polícia, porque senão o animal é abatido.” Momento de constrangimento. “Ah! E também há as ninhadas silvestres!...”
O regresso da alegria. Ninhadas silvestres? O que é isso? “São as jovens ninhadas que detetamos lá pelo meio de silvas e arbustos. Nem sempre é fácil recolhê-las, mas os nossos voluntários são persistentes…” Orgulho no olhar.
A adoção é um mero ato de toma-lá- -dá-cá? “Não. Tudo tem regras. Por exemplo, todos os nossos animais são dados após esterilização. Mas se não perfizeram ainda essa idade, as pessoas têm de assinar um termo de responsabilidade em como o farão na devida altura. O objetivo é o de que possa haver um controlo populacional, porque infelizmente não há lares para todos. Já agora deixe-me acrescentar que não há palavras para descrever o quanto é gratificante ver a reacção de um animal que aqui esteve acolhido depois de ser adotado. São de uma docilidade indescritível e comovente.” Quem diria!?...
Como sensibilizar os cidadãos para adotarem os animais? “Fazemos várias campanhas, sozinhos ou em colaboração com outras associações, temos o nosso facebook e o nosso sítio na internet, há pessoas que formulam o pedido diretamente à Câmara de Matosinhos… Enfim, não estamos parados. Já agora, acrescento que as nossas instalações funcionam num espaço cedido pela autarquia.”
Então de quando em quando vão às escolas. E… “E encontramos uma recetividade excecional por parte dos jovens. Aliás, o motivo destas nossas iniciativas é o de os sensibilizarmos desde cedo para a problemática da protecção dos animais. É tão gratificante verificar como aderem a esta causa…” De pequenino…
Como é que funciona a parceria com o Instituto de Reinserção Social? “São indivíduos, na maioria por terem sido condenados pelo crime de condução em estado de embriaguez – acontece muito com universitários na altura da Queima das Fitas – escolhem a nossa associação para prestarem trabalho a favor da comunidade. Funciona bem…” Se conduzires…
Para terminar, os porquês da decisão de Ana Albuquerque. “Sou voluntária há cerca de quatro anos, embora já de há muito tivesse esse vontade. Mas receava sentir-me deprimida com o sofrimento dos animais. Todavia, depois de ter começado, vi que esta atividade até exerce como que um certo efeito terapêutico em mim, sobretudo se me sinto um pouco em baixo e tenho necessidade de me distrair. O contacto com os animais é muito mais gratificante do que se possa pensar. Poder dedicar algum tempo a animais carenciados é algo de verdadeiramente extraordinário.” Aqui fica o repto. Para quem quiser saber (quase) tudo sobre o MIDAS, é fácil: www.associacaomidas.org. Lá só não se encontram as emoções de quem dedica boa parte do seu tempo a uma causa tão nobre.



     
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