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“Je suis bancário” – Não posso, não quero, não vou continuar a viver aterrorizado!

Bom dia colegas Chamo-me Paulo Montenegro e sou sindicalizado (SBN) à 22 anos. Muitas vezes pensei sobre se deveria ou não enviar este meu apelo/ desabafo, sempre receando que o seu envio e/ou divulgação, origine a que os meus serviços venham a ser “dispensados” por algum motivo...
Estando neste momento em voga a onda “Je suis Charlie”, decidi que não posso, não quero e não vou continuar a viver e a trabalhar aterrorizado, desde já assumindo as consequências que daqui poderão advir!
Talvez seja o momento de também gritarmos “Je suis BANCÁRIO”! Que fique claro estar a escrever em nome estritamente pessoal, mas com a convicção de ser o reflexo de muitos.
Dirijo-me a todos vós no sentido de expressar a revolta e o medo que à muito tempo grassa por toda a classe bancária e que, embora seja do conhecimento de todos nós, não o será do publico em geral, que ainda nos idealiza como uma classe que encerra às 15.00h e sai às 16.30h, anda de fato e gravata e trabalha sentado sob o ar condicionado.
Não necessitamos de sindicatos para marcação de férias, torneios de futebol, campeonatos de xadrez, passeios no rio...
Não necessitamos de sindicatos para nos visitarem em períodos pré- -eleitorais ou para nos “assediarem” para aderirmos ao sams sib/quadros/ norte/centro/sul ou outro serviço que seja...
Não necessitamos de protocolos com empresas para pneus mais baratos, ginásios com cotas baixas, descontos em restaurantes e lojas de roupa...
Tudo isto de nada nos vale, se e/ou quando um AVC ou enfarte se atravessar nas nossas vidas; ou quando um dia nos apercebermos que os nossos filhos já são adultos e perdemos o seu crescimento; ou que envelhecemos sem reconhecimento profissional; ou que a depressão é a doença que mais atinge a classe (e na qual eu próprio me incluo à três anos e meio)...
Precisamos de sindicatos ACTIVOS que visitem as agências APÓS as 16.30h... Que escutem as queixas dos trabalhadores e INTERVENHAM junto das entidades oficiais... Que exponham PUBLICAMENTE de forma PERSISTENTE E CONTÍNUA os exageros a que os bancários são sujeitos (Os média irão agradecer...).
Não podemos ser noticia apenas quando ocorrem assaltos, fraudes, fusões e despedimentos colectivos! Não se ouvem, vêem ou lêem noticias sobre as condições de trabalho dos funcionários e colaboradores bancários. Comparem a nossa visibilidade e notoriedade com a dos sindicatos dos professores! Serão eles melhores e/ou mais sacrificados do que nós?
Os trabalhadores bancários não se queixam do trabalho e dos objectivos atribuídos! Queixam-se das condições de trabalho, da prepotência, do exagero, da pressão desregrada, do abuso.
Muitas vezes questiona-mo-nos sobre o porquê da falta de união da classe bancária, do porquê da mesma sucumbir ao medo das ameaças de despedimento, de trabalhar durante 12, 13, 14 horas por dia sem reclamar ou que por isso seja mais bem remunerada ou reconhecida profissionalmente...

Julgo que a resposta é fácil:

Não acreditamos...
Não acreditamos nos sindicatos dos bancários...
Não acreditamos que nos defendam...
Não acreditamos naquilo que fazem...

Deixámos de ser pessoas, deixámos de ser números, passámos a ser animais no matadouro, dispensáveis para o abate quando não satisfazemos as "exigências" impostas!
Precisamos de UMA... repito... UMA FORÇA SINDICAL BANCÁRIA a nível NACIONAL, que nos represente a todos (norte, sul, centro e ilhas), pois somos todos bancários que, independentemente da localização geográfica, cor politica ou entidade bancária onde exerce a sua profissão, padecemos dos mesmos problemas!
Precisamos que todos vocês trabalhem em conjunto, se unam pelo bem da classe!
Não sei se obterei alguma resposta vossa ou se com esta mensagem/ apelo a todos vós irei mudar alguma coisa, mas não o poderia deixar de fazer.
Acredito cada vez mais que, como é uso dizer-se, “o futuro a Deus pertence”, pois nós, bancários, deixámos de acreditar na nossa força e nada estamos a fazer para melhorar!
Termino com os meus cumprimentos e agradecimentos pela atenção que espero terem dispensado a esta já minha extensa missiva.

Paulo Montenegro

     
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