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Culpados? Não há!

Sobre os testes de “stress” feitos à banca e divulgados recentemente pelo BCE, ficámos a saber que o BCP chumbou, isto é, teve notação negativa nos referidos testes. Como consequência disso, estará em vias de ser conjecturada mais outra redução do seu “pessoal operário”? Malafortunadamente é o costume. Quais serão os reais motivos causadores da menos boa situação financeira deste banco, outrora tão grandioso e florescente? Onde terá principiado a génese de tão grave problema? Isso não se diz; mas sabe-se. Responsáveis? Bem, os “caixas”, que tanto mexem nas massas, não são, disso tenho a certeza; os funcionários que atendem o público, também não; todos aqueles que operam nas agências ou nos serviços centrais também não serão, absolutamente. Contudo, se formos continuando pelas diversas categorias profissionais, facilmente chegaremos à conclusão que daí não vêm grandes ou pequenos prejuízos à instituição. Bom, experimentemos então trepar ao topo das hierarquias supremas, aos digníssimos administradores. Ora, então aqui, será que não existe culpa? Não!? Nem me atrevo a apontar o dedo a ninguém, só gostava de saber…Porventura estarão os valores, os desempenhos, as competências dessas altas figuras da banca directamente (apetecia-me pôr inviamente) proporcionais aos proventos auferidos, geradores de tantos gastos?
Muito a sério, recuso pendurar esta problemática na actual administração, uma vez que o estado patológico padecido pelo BCP já é mal antigo; obrigar-nos-ia a transitar por alguns elencos administrativos! Atentemos apenas nesta questão, qual é o montante dos sucessivos aumentos de capital processados e conseguidos desde os primórdios do anterior conjunto administrativo (tendo o primeiro aumento sido realizado escassíssimos meses após a sua tomada de posse) até ao encaixe de Julho passado? Terá sido cifra parecida com seis mil milhões de euros? Por aí…! Tais balúrdios serviram para fazer face ou dar cobertura a quê?
Outro pormenor convém trazer à colação, o valor das reformas pagas a uma “boa” meia dúzia de antigos “donos e patrões”, ou ilustres gestores, a totalizar cerca de meio milhão de euros por mês, catorze (serão mais?) vezes por ano. Caporal! Em média e a cada um são várias dezenas de milhares de euros mensais que, divaguemos um pouco, deixariam confortavelmente feliz qualquer trabalhador da agropecuária, do comércio, da indústria, escritórios, outros prestadores de serviços (no fundo os tais que sem nunca deixarem de ser eternos, como sacrificados contribuintes, executam no seu dia a dia laboral acções úteis e perfeitamente visíveis por todos), se adregassem auferir essas dezenas de milhar não num mês, mas por espaço de uns dois anos…
Rejeito postar aqui o nome “desses altos personagens” da banca portuguesa pela frugal razão de não lhes reconhecer importância alguma; aliás “eles” até são sobejamente conhecidos de muitos de nós, no mínimo pelo brutal despesismo causado.
Nenhuma surpresa quanto aos resultados do BCP referentes ao terceiro trimestre de 2014. Responsáveis? A crise, a desfavorável conjuntura internacional, a depressão económica!? Deixa-me rir, conforme o outro cantava. A culpabilidade de certa estirpe de profissionais (todos supinamente bem cotados e não é só na banca, valha a verdade) por tantos descalabros financeiros, desce, desce, até encalhar nas cómodas malhas da inexistência, na nulidade da gravidade dos factos. Sempre uma culpabilidade de modo inversamente proporcional aos rendimentos encaixados…
Saibamos proteger-nos.

Carlos Ribeiro Saraiva


Nota: o autor recusa reger-se pelo N.A.O., razão por que este texto está escrito segundo a norma antiga.

     
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