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Quando às trindades bate o sino

“Tenho só duas datas, a da minha nascença e a da minha morte, entre uma e outra todos os dias são meus”

Fernando Pessoa

Esse som abençoa o meu lugar.
Ouço as águas cantantes
Que correm nestes montes
E são puras as águas das fontes.
Falo com as estrelas distantes
Faço delas as minhas amantes
Sinto-me embalado pela vida
E, poetiso em noites de luar.
O chilrear da passarada
Sempre me desperta na alvorada
E cantam até o dia findar.
Por este tesouro que Deus me deu
Rezo - Lhe agradecido
Mas faço-lhe sempre um pedido:

No dia em que morrer.
Desejo dar parte das minhas cinzas ao vento,
Que este lugar não quero deixar
Mesmo à chuva e ao tempo.
A outra parte, se juntará
Às cinzas do meu filho que Deus tem lá
E se Ele de novo me der outra vida,
Quem me dera acordar
Neste paradisíaco lugar,
Beber água pura das fontes
Matar a saudade destes montes
Ouvir o chilrear da passarada
E dar graças à alvorada.
Mas as rédeas do meu destino
Sei que não são minhas
Sonhei com Ele que me disse,
Elas moram no teu coração
Mas, é o futuro que as tem
Que só a mim pertence
E a mais ninguém.

Raul Fernando Teixeira de Sousa

     
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