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Uma luta sem tréguas

Primeiro que tudo, a todos os colegas e amigos que não tive oportunidade de pessoalmente o desejar, votos de um bom ano. Reconheço, no entanto, que este é um desígnio difícil. Muito difícil. Infelizmente, a generalidade dos portugueses e os bancários em particular não têm muitas razões para se sentirem satisfeitos. Bem pelo contrário. O combate ao défice através de uma austeridade manifestamente excessiva tem provocado sacrifícios e danos brutais nos indivíduos e nas famílias.

Para muitos, o ano que há pouco findou foi de extremo sofrimento e angústia. Estes factos, pela sua enorme dimensão, deixam-nos tristes. Hoje, de uma forma pragmática e sem nenhum ardor clubístico, é possível afirmar, sem qualquer ponta de dúvida, que os autores do programa de ajustamento ignoraram a realidade e a especificidade portuguesa. É verdade que os diversos indicadores, ainda que de uma forma tímida e provavelmente pouco sustentável, dão alguns sinais de retoma económica. Mas, sejamos realistas, a “receita” imposta foi de tal forma excessiva e os danos causados tão significativos, nomeadamente no tecido social, que será dificílimo recuperar o país. Pelo menos a curto ou a médio prazo.

Todos sabemos que nesta crise não estamos sós. Ela é global e a União Europeia (ainda há bem pouco a panaceia para todos os nossos males…) vive um dos piores momentos da sua ainda curta história. Mas, no nosso país, há outras causas que nos lançaram nesta situação dramática. Falamos de, pelo menos, duas décadas (!) de falta de visão, de responsabilidade, de competência e de bom senso e que envolveram, de uma forma transversal, os mais variados atores políticos da nossa praça. Isto deve forçosamente levar-nos a pensar e a repensar o nosso modelo democrático e o papel dos agentes e dos partidos políticos.

O caciquismo empedernido, o clientelismo profissionalizado, a falta de preparação política e cultural dos habituais clientes das máquinas do poder e o divórcio, crescente entre governantes e governados são razões de sobra para que tenhamos a legitimidade de pedir, ou melhor, de exigir à nossa classe política um exercício de autocrítica séria e de mudança de comportamento e de atitude! Entretanto e enquanto perdura este autismo partidário que privilegia o “clube” em detrimento do país, os portugueses, nomeadamente os trabalhadores e os reformados, vão continuar a sofrer na pele os desmandos desta classe que só parece olhar para o umbigo.

Como toda a sociedade, também os bancários, no ativo e na reforma, têm sido fortemente penalizados. O seu rendimento disponível e a sua qualidade de vida têm-se vindo, de uma forma constante e progressiva, a degradar. Quer pelo brutal aumento de impostos, quer pela supressão de direitos, quer, ainda, pelas reduções e cortes, aos mais diversos níveis, a que está sujeito o seu agregado familiar. Temos consciência que a crise tem tido, naturalmente, um impacto negativo no desempenho e nos resultados dos bancos portugueses. Mas é bom recordar que a banca, nas últimas décadas, foi o setor onde o crescimento da produtividade e da rentabilidade gerou um maior volume de negócios e de lucros. Seria normal que os seus trabalhadores, que para isso muito e muito contribuíram, tivessem acompanhado esse desenvolvimento. Mas não.

A verdade é que os bancários têm, não só marcado passo, como retrocedido nas suas condições de trabalho e de vida! Esta é a triste verdade. Nua e crua. Não é previsível que a situação, em 2014, melhore. Pelo contrário. A banca, à boleia da crise, pretende reduzir custos, o que em tese se compreende e aceita, mas sem levar em linha de conta o elevado espírito de sacrifício, dedicação e profissionalismo que a maioria dos seus trabalhadores já deu e continua a dar provas. É, pois, num clima de forte instabilidade e insegurança para os bancários e suas famílias que se inicia um novo ano. A par da intransigência das instituições de crédito, designadamente nas negociações do ACT do setor (a reiterada insistência na eliminação da tabela remuneratória dos bancários reformados é um mero exemplo…) recorre-se a ameaças extremas, de consequências imprevisíveis, como os despedimentos coletivos!

É neste quadro que hoje, mais do que nunca, o SBN tem um papel fundamental, diria único, na proteção e na defesa dos associados. Ainda que privilegiando o diálogo e a concertação, o SBN não deixará de lutar, sem tréguas, de uma forma séria e responsável, pelos direitos e pela segurança dos bancários e suas famílias.


Paulo Coutinho

     
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