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A culpa da crise

Será do guarda-redes, um ídolo
Mesmo que não seja frangueiro
Não soube evitar aquele golo
Em jogo decisivo no estrangeiro

Do reformado por já não trabalhar
Do prisioneiro que come sem pagar
Do padre em pé a pregar no altar
Do paroquiano sentado a bocejar

Do professor proibido de castigar
Do bêbedo que só pensa em beber
Do aluno que se recusa a estudar
Do doente que não deixa de sofrer

Do homem que gosta de mulheres
Nestes tempos de enorme desatino
Será pela invasão de malmequeres
No jardim das flores de trato fino

Da meretriz que não paga imposto
Do automobilista nervoso a buzinar
Do novel mendigo que tapa o rosto
Ou do polícia que não quer multar

Será dos dias que estão a ficar frios
Talvez das nuvens suspensas no ar
Também dos muitos teatros vazios
Ou dos rios que correm para o mar

Da criança que não pára de chorar
Infeliz e faminta na noite escura
Por não ter com que se alimentar
Já conhece a fome, feroz e dura

Jamais será de ministros mentirosos
Aristocratas de governos vaidosos!
Que tão bem sabem desgovernar
E este meu pobre país… Afundar!


Carlos Ribeiro Saraiva

     
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