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Hipertensão arterial - Conceitos gerais

Este é um tema muito importante, dada a prevalência desta patologia nos EUA, na Europa e, nomeadamente, em Portugal, sendo a primeira causa de mortalidade nos países desenvolvidos. A atualidade clínica no nosso país é a seguinte: têm hipertensão 26,2% dos homens com menos de 35 anos, 12,4% das mulheres com menos de 35 anos, 54,7% dos homens entre os 35 e os 64 anos, 41,1% das mulheres entre os 35 e os 64 anos, 79% dos homens e mulheres com mais de 64 anos.

Entretanto, 82,1% dos hipertensos têm colesterol elevado; 32,9% têm diabetes; 71,4% têm vida sedentária; 39,1% tem obesidade; 5,2% são fumadores; 8,9% têm microalbuminúria. Cerca de 39% estão medicados e 27% têm a tensão controlada. A hipertensão é o fator mais importante no aparecimento da doença cardíaca e cerebrovascular. Em 2009, as doenças cardiovasculares foram a causa de mortalidade de 34,1% da população portuguesa, principalmente devido a AVC (15,1%) e doença coronária (8%).

Idealmente o tratamento da hipertensão deveria basear-se na modificação do estilo de vida, combatendo a inatividade física, o excesso de peso e a obesidade, sendo imperativo deixar de fumar, praticar atividade física de intensidade moderada e dieta hipocalórica e hipossalina, com redução de hidratos de carbono, de gorduras saturadas, de bebidas alcoólicas e de carnes vermelhas, aumentando o consumo de cereais integrais, de vegetais, de frutas, e de peixe.

É considerado o diagnóstico de hipertensão arterial quando ocorrem valores tensionais superiores a 140 mmHg de pressão máxima ou sistólica (PAS) e 90 mmHg de pressão mínima ou diastólica (PAD). Se tiver diabetes mellitus ou risco cardiovascular elevado, deverá iniciar tratamento com tensão arterial superior a 130/85 mmHg. A hipertensão será de Grau 1 se a pressão sistólica for >140<159 mmHg e/ou pressão diastólica >90<99 mmHg. Grau 2 se a pressão sistólica for >160<179 mmHg e/ou pressão diastólica> 100<109 mmHg; Grau 3 se a pressão sistólicafor >180 mmHg e/ou pressão diastólica> 110 mmHg. É considerada hipertensão sistólica isolada quando o doente tem pressão sistólica >140 mmHg com pressão diastólica <90 mmHg.

Etiologicamente, a hipertensão é considerada essencial quando não se consegue diagnosticar a causa subjacente e secundária quando existe causa responsável, sendo as mais importantes o hiperaldosteronismo primário, o feocromocitoma, a hipertensão renovascular, a hipertensão parenquimatosa renal, as doenças da tiroide, a Doença de Cushing, a coartação da aorta, a apneia do sono e a hipertensão arterial iatrogénica.

Os medicamentos anti-hipertensores mais usados em Portugal são os diuréticos (47,4%), os ARA (43%) e os IECA (39,2%), sendo menos utilizados os antagonistas do cálcio (18,9 %) e os betabloqueadores (16,2 %); recentemente surgiram os inibidores da renina; os anti-hipertensores centrais são usados em determinados casos: a clonidina – reduz as catecolaminas em circulação; a metildopa – poucos efeitos secundários e indicação precisa na hipertensão da grávida, devido a ausência de efeitos teratogénios. Vasodilatadores – minoxidil e hidralazina. Bloqueadores alfa-adrenérgicos – prazosina e doxazosina – benefícios em doentes com hipertrofia benigna da próstata.

No seguimento dos doentes hipertensos deve ser avaliada a tensão arterial com regularidade, em ambiente clínico, depois de alguns minutos em repouso, fazendo a média de duas a três medições. Deverá ser incentivada a automedição da pressão arterial no domicílio, com aparelhos automáticos validados. Nos casos em que poderão haver potenciais erros na medição da tensão arterial, deverá ser realizada a medição ambulatória.

Por Duarte Aguiar

     
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