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... da Saúde

… da Saúde:
"Estado de completo bem-estar físico, moral e social e não apenas a ausência de doença ou enfermidade"
(O.M.S.)

Penso que nunca como hoje a definição de Saúde que nos é dada pela sua Organização Mundial tem tanta acuidade, merecendo profunda reflexão. A vida que hoje vivemos duma maneira tão rápida, tem características que bem ponderadas poder-nos-iam levar a concluir que ninguém tem saúde tendo como padrão a definição da OMS.

Quando já se fala e escreve sobre a depressão nos bebés que mais haveria para dizer?
- Como se sentem os milhares de jovens que, do 10º ao 12º ano procuram obter as melhores médias para entrar na Universidade?
- Como se sentem os pais desses jovens?
- Como se sentem outros jovens quando acabado o seu curso não encontram qualquer saída profissional?
- Como se sentem os pais desses jovens?
- Como se sentem no dia a dia os trabalhadores a prazo carregando a instabilidade do emprego e a incerteza do futuro?
- E a sua família como se sente?
- Como se sentem os trabalhadores quase sem tempo para almoço e com um horário rígido de entrada e sem hora de saída?
Muitos, muitos mais exemplos se poderiam citar só para levantar uma questão muito simples: Terão todas estas pessoas saúde?

Mas no dia a dia, no correr preocupado para o trabalho ou na “fila parada” para passear ao fim de semana para “qualquer Foz” também se sente uma grande intranquilidade, nervosismo e, até se repararem bem, uma certa tristeza e alheamento na cara das pessoas. Na simples condução, no respeito e tolerância para com os outros, no egoísmo apoiado no carro de marca, nos óculos sobre a cabeça, no telemóvel na mão ou na etiqueta da roupa que se usa, nota-se em tudo isto uma tremenda fatalidade: viver sem felicidade.

Ter-se-à assim saúde?
E em casa?
Depois dum dia cheio de trabalho, de complicações, de aborrecimentos com tudo e com todos, estaremos calmos, relaxados e recetivos para ouvir os nossos filhos?
A/O nossa/o mulher/marido?
Para saber como correu o dia, as aulas e os problemas dos nossos filhos, para os ajudar e aconselhar?
Para saber que chegou a conta da água, da luz, do gás, da TV cabo? Claro que não.
Terá saúde o ambiente familiar?
E então que fazer?
Ir para a cama, tentar dormir e esquecer para iniciar amanhã um novo dia talvez até mais agressivo e prontos a esgrimir mais violentamente as armas da nossa angústia?
Ir ao médico e mergulharmos em antidepressivos de que somos um dos maiores consumidores europeus?
Tomar os comprimidos da mulher/homem, do amigo, do colega de trabalho que tem os mesmos problemas que nós e que até se “dá bem“ com eles?

Não, eu penso que não e que estas não são as soluções. Tem-se inequivocamente perdido qualidade de vida na melhoria tentada das condições quantitativas de sobrevida. Não vou aqui dar soluções para problemas tão complexos (até porque também deles ou de parte vou padecendo….) mas entendo que deveríamos todos fazer uma pequena reflexão sobre a nossa vida, sobre a nossa conduta e o modo como vivemos com os que nos rodeiam.

Porque sentindo-nos bem física, moral e socialmente damos um grande passo para que possamos percorrer por muito tempo a estrada da saúde.


Genéricos, mais uma vez

É com alguma satisfação que verifico o aumento da prescrição de medicamentos genéricos e ainda mais a sua aceitação pela quase totalidade dos doentes sendo até muitas vezes os próprios doentes a sugerir e a indagarem se o que se receita não é ou não tem genérico.

Vê-se portanto que cada vez mais há inteira confiança nos genéricos quer por parte dos médicos quer dos doentes, porque sem dúvida que a sua qualidade está garantida. O que se pode questionar é quem garante a qualidade dos genéricos. Em cada país existem responsáveis pela aprovação de cada medicamento (genérico ou não) e no caso de Portugal essa responsabilidade é da denominada Comissão de Avaliação do Medicamento. Mas, o que é um medicamento genérico?

Como devem calcular os laboratórios de produtos farmacêuticos – nem todos mas um número muito significativo – desenvolvem uma investigação científica contínua na procura de novas moléculas com aplicação terapêutica nas mais variadas situações patológicas. Essa investigação demora anos, os ensaios clínicos também e muitas vezes o novo produto sintetizado não tem aplicação clínica ou não é aprovado pelos organismos que superintendem a política do medicamento e que são – e nem podia ser de outra maneira – extremamente rigorosos na sua apreciação.

Tudo isto para concluir que a investigação fica muitíssimo cara pois para além do tempo gasto, envolve um conjunto de meios humanos e técnicos de alta qualidade e sofisticação. Logo à partida para além do preço do novo produto que se supõe ser alto tem de haver uma defesa para o laboratório que se traduz numa exclusividade de comercialização durante determinado período de tempo. Só após este tempo é que outros laboratórios, que se mostrem interessados, poderão comercializar o novo produto que sairá muito mais barato pois estes laboratórios não terão de suportar o peso do custo elevadíssimo da pesquisa científica, além de outros.

Surge assim o medicamento genérico. Este é, em resumo, absolutamente similar ao produto de marca inicial, produzido a partir da mesma substância química e cuja patente expirou. A aprovação de qualquer medicamento é, como devem calcular, um processo muito complexo pois tem de garantir a defesa da saúde das populações. Cada medicamento tem de possuir um conjunto de documentação demonstrando a sua qualidade, segurança e eficácia.

Claro que no caso dos medicamentos genéricos toda essa documentação é mais simplificada visto já ter sido obrigatória para o medicamento inicial mantendo-se toda a exigência no que se refere a qualidade. Esta, em termos científicos, passa pelo estudo de vários parâmetros que condicionam as chamadas biodisponibilidades e bioequivalências, da substância ativa conceitos estes que me dispenso de definir por demasiado técnicos e para além do âmbito deste artigo mas que servem para acentuar que a qualidade dos medicamentos genéricos é assim garantida.

- A prescrição é feita pela Designação Comum Internacional (DCI) que, quanto a mim, corresponde a uma forma mais correta de prescrever os medicamentos não se tendo assim de saber uma quantidade infindável de nomes comerciais bastando conhecer, isso sim, a molécula química ativa. Desta maneira e afastados os receios que a prescrição destes medicamentos fosse causar nos doentes resta-me salientar alguns benefícios que ela pode trazer. Assim:

- Obrigam ao abaixamento dos preços dos medicamentos sobretudo se, como é no caso de Portugal, estiverem inseridos num sistema de preços de referência (SPR). O que obviamente os torna mais baratos.

Duma maneira muito simples, dei uma noção sobre os medicamentos genéricos procurando essencialmente afastar o receio que os doentes possam ter ao serem confrontados com uma receita contendo esses medicamentos pois o efeito terapêutico é exatamente igual ao de marca.


Luís Aguiar,
Diretor clínico do SAMS

     
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