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Para que conste

Do associado abaixo identificado recebemos a seguinte mensagem, que transcrevemos e agradecemos. Porque este é, acima de tudo, um espaço de liberdade, aproveitamos para pedir a todos os associados que queiram expressar a sua opinião, que o façam, pois a sua voz não será apagada ou sequer censurada.

“Exmo. Senhor Firmino Marques e Caro Colega:

Sou um reformado da banca, que por ter sido diretor do Crédito do Banco Totta & Açores muitos anos e ter tido longa experiência nessa área, vejo com a maior preocupação a incompetência e amadorismo deste Governo. Estive no Banco de Portugal em 1974, requisitado ao meu banco, como assessor, para a área do crédito, do administrador residente no norte, Dr. Carlos Gomes. Presidi à Comissão Permanente de Política de Crédito, que tinha como missão estudar e produzir pareceres às operações de crédito de grande montante ou de grande grau de risco, que envolvessem mais do que um banco e que foram o embrião de sindicatos de bancos e dos saneamentos financeiros.
Por isso sinto-me à vontade para criticar a irracionalidade e o amadorismo deste Governo, bem como a jactância grotesca com que está a conduzir este país para a desgraça coletiva a fazer lembrar a bíblica "matança dos inocentes".
Produzi este artigo, que pretendo que seja mais um alerta para os bancários, classe a que me orgulho de pertencer. E a Nortada é, sem dúvida, o fórum mais apropriado para o divulgar e acordar alguns dos bancários que têm andado distraídos e afastados da vida sindical.
Se o caro colega entender que o artigo tem interesse, agradeço a sua publicação.

Cumprimentos,
Hernâni Mesquita“


Os vampiros sorriem… de quê?

“As comunicações ao país do ministro Gaspar são sempre mais um passo para o autêntico genocídio da classe média que este Governo tem vindo a executar para satisfazer os credores. As medidas previstas no orçamento do Estado são o golpe fatal na classe média e nos reformados, são de uma crueldade demencial. Todas abalam a confiança do povo, pois persistem em não respeitar regras fundamentais do Direito, como é o princípio da certeza jurídica e da segurança jurídica. Este Governo não merece nem a confiança nem o respeito da esmagadora maioria dos eleitores, ou seja, merece o mesmo respeito com que nos ataca e vai aos bolsos, condenando-nos à miséria.

Apenas da clique que dele recebe benesses lhe dá o apoio é vê-la a desdobrar-se em declarações que, de tão falsas que são, se percebe o frete... A falácia e o truque rasteiro são a ética deste Governo e dos seus apoiantes mais próximos. A quebra unilateral do contrato dos pensionistas e reformados com o Estado foi criminosamente violado por este Governo, levando a que ninguém possa estar seguro de que lhe venha a ser confiscada a sua reforma; apesar de a ter pago ao longo de toda a sua vida ativa. O Governo, cujo papel devia ser o de fiel depositário dos descontos que todos nós fizemos para a Segurança Social e as das entidades patronais, desviou-os para outras finalidades, passando a ser um infiel depositário.

Estas evidências e o conhecimento público de como se processaram as negociações do Fundo de Pensões da Banca, com evidente má-fé e chicoespertimos indignos de pessoa de bem por parte do Governo e apesar da clarividência prudencial dos sindicatos dos bancários, cujos ingentes esforços conseguiram obter diplomas que em princípio dão segurança e garantias à operação, devem, agora, manter os sindicatos alerta, pois já se constatou que, de um momento para o outro, o Governo dá o dito por não dito, faz tábua rasa de tudo o que assinou, pisando a Constituição e desrespeitando o Tribunal Constitucional. E, claro, aquilo que ainda restou do Fundo Pensões dos bancários deverá ser intocável e inegociável para qualquer outra finalidade senão aquela para que foi criado e principalmente a salvo do rapace e insaciável apetite deste Governo!

O atrevimento e o desrespeito demonstrado para com as promessas eleitorais, todas elas espezinhadas despudoradamente, mostram à saciedade a indignidade com que o nosso povo é tratado. Prova disso é a postura adotada pelo ministro Gaspar no anúncio das medidas: afivela a máscara e exibe um sorriso vampiresco que cai muito mal às pessoas que ainda têm uma réstia de sensibilidade. É assim "a modos" de alguém que num funeral dá os pêsames à viúva com uma sonora e desbragada gargalhada e de seguida aproxima-se do féretro rodeado de círios e canta os parabéns a você.

Não sei mesmo de que sorri o ministro: não acertou nenhuma previsão, não atingiu nenhum objetivo, a sua receita não funciona, a gripe a que se destinava a terapêutica evoluiu para pneumonia e o desfecho está bem próximo do suspiro final. A auréola de grande técnico esfumou-se e pode dizer-se que hoje ombreia com o homem do fraque! Qualquer pessoa que tenha estado na banca com funções de concessão de crédito sabe que quando uma empresa se encontra em graves dificuldades a solução é mais tempo e menos juros; se assim não for e existir um credor psicopata e obstinado que siga a política de asfixiar a empresa, não só não receberá a dívida como a falência levará à perda dos créditos.

Citando a Dr.ª Maria João Rodrigues, conselheira de alto nível da União Europeia, numa entrevista ao JN de 22 de setembro, demolidora da política que está a ser seguida, insiste que há outras vias que não aquelas que vivem só da austeridade custe o que custar. Questionada pelo entrevistador a respeito da preparação técnica do ministro das Finanças, disse: "mas isto não é um problema de preparação técnica. É de convicção baseada numa escola de pensamento. Estão convencidos (estes governantes) de que o país precisa de um choque liberal e estão errados". O sublinhado é meu.

É opinião generalizada no meio dos economistas práticos que, além de ligados ao meio académico, são gestores de empresas e têm larga experiência profissional – coisa que o ministro das Finanças não tem, vide o seu CV –, que Victor Gaspar tem revelado uma mentalidade de contabilista esforçado que procura a todo o custo acertar o deve com o haver, o máximo que se espera de um profissional deste género. Dizem até que o nosso ministro está robotizado, tem um chip no lobo frontal, de onde lhe vem a insensibilidade e aquele falar arrastado a soletrar o que já leva escrito, ao estilo zombie.

Cá por mim, parece-me mais que no lugar do coração tem uma caixa registadora e que as pupilas são cifrões. Isso explica o seu desprezo pelas pessoas e a preferência pelos números. A consequência é a indiferença pelos desempregados, pelos milhares de falências de empresas, pelas pessoas caídas na miséria mais abjeta que chegam ao ponto de não terem recursos para se alimentarem e para comprarem remédios. Por tudo isto este Governo ficará na nossa História como a maior praga e desgraça que se abateu sobre o nosso país e como o maior inimigo do povo.
Assim apareçam os conjurados justiceiros e haja uma janela a preceito no Ministério das Finanças…”
Hernâni Mesquita

     
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