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“In Memoriam”

Manuel Coutinho Nogueira Borges

Manuel Coutinho Nogueira Borges, o NB, como por vezes ele próprio gostava de referenciar, partiu abruptamente para a derradeira viagem.
Não foi em agosto, mês por si referido num poema publicado em livro.
Partiu antes do tempo, não por ter pressa, simplesmente por respeito e obediência ao destino final. Por entre as múltiplas composições literárias esparsas em diversos jornais e revistas, deixou ainda dois livros – “Não Matem a Esperança” e “Lagar da Memória”.
Um outro ficou por terminar. Seria editado no fim do presente ano.
Porque também me situo no último quarto do meu percurso e para concluir este singelo memorial, apenas acrescento: Nogueira Borges, colega e amigo… até logo.

Carlos Alberto Ribeiro Saraiva.


Carolina Rocha Ribeiro – 1944-2012
O último adeus, por João Gouveia

Repousa em Paz
Disse Platão: “Todo aquele que, com os seus próprios olhos, contempla a beleza do mundo, é, desde logo, votado ao seu desaparecimento”.
Na verdade, todos sabemos que, na natureza, tudo tem um princípio e um fim – o nascimento e a morte. Mas este alfa e ómega da vida têm, nos seres humanos, naturais efeitos diferentes e reações contrárias, pois enquanto o nascimento nos provoca emoções de festividade e alegria, a morte tem, em nós, efeitos desoladores de infinita perda e profunda tristeza.
E por isso, apesar de sabermos que a morte é a única certeza que o homem tem após o nascimento, a súbita notícia do falecimento de alguém a que nos unem laços familiares ou de amizade deixa-nos sempre com um sentimento misto de estupefação e amargurada tristeza por aquela perda irreparável.
E foi exatamente um sentimento de dor e consternação que nos envolveu, quando fomos confrontados com essa funesta realidade: o falecimento da nossa colega, amiga e companheira de tantos anos, Carolina Ribeiro, no passado dia 16 de junho.
Na altura em que foi criado o Grupo de Teatro, inserido no Grupo Desportivo e Cultural do Banco Borges & Irmão, de imediato se apresentou a Carolina, oferecendo colaboração, que veio a tornar-se incalculavelmente frutuosa.
Com efeito, as qualidades, como atriz, fizeram com que tivesse desempenhado muitas e inesquecíveis personagens, durante todo o período de 25 anos da existência do Grupo de Teatro. Mas não foi só no Teatro que a Carolina, mulher de muitas facetas, mostrou as capacidades artísticas, pois, anos mais tarde, foi criado um Grupo de Fados, que passou também a integrar, desde o início, dadas as especialíssimas e excelentes qualidades da voz, com um timbre melódico e carateristicamente fadista, capacidades que lhe dariam, por certo, um garantido sucesso, se ela tivesse enveredado pela vida artística, como carreira profissional.
Podemos ainda afirmar que a Carolina Ribeiro, para além das qualidades artísticas como actriz e fadista, era uma mulher com um caráter frontal e decidido, mas gentil, alegre, boa companheira e sempre pronta a uma intervenção conciliadora, num grupo com variadas e naturais diferenças de temperamentos e opiniões.
Por tudo isto, nós, colegas e amigos, nos sentimos pesarosamente tristes pela partida.
Por tudo isto, os que pudemos, estivemos presentes nas exéquias funerárias, não podendo deixar de referir que na missa de corpo presente, depois da prédica, por oportuna ideia do colega Ernâni Vicente, também pertencente ao Grupo de Teatro e ao Grupo de Fados, foi cantado, em sua homenagem, o fado “Foi Deus”, seu predileto.
Por tudo isto, Carolina, nós te recordaremos para sempre, com muitas saudades.


…Memorial de Homenagem,
por Luiz Gonzaga Martins

Solicitado a partilhar um momento de lembrança em homenagem à Carolina Ribeiro, associada do SBN com quem privei nas culturais, quer no Grupo de Fados e Guitarradas do GDCE/BBI, depois SBN, quer no Grupo de Teatro do GDCE/ BBI, pese embora com enorme saudade, logo o ensejo aceitei, tomando-o como uma boa ocasião de dar testemunho da grande admiração e do enorme reconhecimento artístico.
Mulher destemida e forte, a Carolina guardava para si as angústias e ia buscar arte e engenho para a interajuda, pelo gesto e pela palavra com que, carinhosa, fazia sentir a presença, passando ao grupo, em qualquer circunstância, a certeza de que ela era aliada de todos e de cada um.
As performances nas representações artísticas, quer no canto quer no teatro, gozavam dos mais belos e preciosos detalhes, com que impregnava todos os atos criativos. Pessoa generosa de sentimentos, a felicidade brotava, natural, em cada uma das criações, participações e representações artísticas. Submetida, com grande sofrimento, a momentos deveras críticos que a vida lhe fez penar, na verdade sempre dentro do seu Ser habitou a Mulher que foi sempre uma pessoa admirável e encantadora.
Hoje, recordando tempos da alegre amizade e de são convívio, sentimos, todos, a falta do sorriso bondoso com que ornava a presença e que, hoje, lembramos com saudade. E será bem certo que, sempre que nos reunamos, tais lembranças serão de homenagem à sua memória, pois todos aqueles que com ela convivemos, quer profissional quer artisticamente, sentimo-nos gratos por todos os momentos de felicidade com que criou e recriou, no seio de todos nós, as criações e representações artísticas!
Por isso, para nós, para quem a ausência será sempre difícil, lembrando a memória, voltaremos a sorrir, pois, sabemos que… algures, ela continuará a sorrir-nos!
Nesta justa e sincera homenagem, fica, aqui, bem expressa a fraterna cordialidade e partilha, quer pela palavra amiga quer pela justa reflexão.
Porque a Carolina, sempre com coragem e olhando sempre novos horizontes, seguiu, destemida, na força e na paz dos seus cantos, falas e gestos, o gosto pelas pessoas e pela vida!
Enfim, a Carolina, lutadora do amor, da esperança, da verdade e da vida, ganhou e mereceu a vitória de todas as batalhas que enfrentou.
E assim tendo sido, voltando, hoje, a aplaudir todos os triunfos, mesmo aqueles infortunados que travou contra o destino, fica-nos a memória, como vivo exemplo da coragem humana. Abraço fraterno com o carinho de sempre!


Mário Mateus Costa da Rocha,

jovem na sensibilidade, no acreditar e na intervenção cívica, deixou-nos mais sós no último dia de junho, aos 74 anos de idade. Sócio do Sindicato dos Bancários do Norte desde agosto de 1963, era quadro reformado do Banco Santander Totta, sendo originário do Banco Totta & Açores.
No Porto, mantinha-se ligado aos colegas como coordenador da Delegação da Comissão de Reformados daquela instituição Ativista bem considerado por todos os seus pares, no sindicato deixa a saudade de um fino e lúcido traço de pensamento e intervenção.
Em diversos momentos incluiu quer estruturas representativas dos trabalhadores no BTA, quer órgãos deliberativos do sindicato.

 

Os corpos gerentes do SBN, a família bancária e a direção da revista Nortada associam-se à dor das famílias enlutadas.

     
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