Pesquisa

ok
Home»Nortada»Nortada Detalhe
 
Para onde caminhamos?

Na véspera de comemorarmos mais um Natal e uma passagem de ano, consideradas as festas da família, não podemos deixar de pensar quantas famílias não terão motivos nem condições para as festejar. Tirando as grandes fortunas, julgo não haver nenhuma família que não tenha sido afetada pelas medidas de austeridade que a crise nos obriga a viver.

Os trabalhadores bancários, nomeadamente os da CGD, do BPN, do BdP e do IFAP, sentiram os efeitos de medidas extremamente violentas, com consequências no rendimento familiar, já que ainda não lhes foram atribuídos os aumentos salariais acordados em sede de negociação. Entre estes, houve ainda uma dupla penalização para os bancários do BPN, submetidos a uma pressão psicológica inumana e vivendo cotidianamente na incerteza da manutenção dos seus postos de trabalho.

Para além desta discriminação, foram estes trabalhadores que continuaram durante todo o ano a dar o seu melhor por uma instituição tão mal tratada por aqueles que tiveram a responsabilidade de a gerir, mas também por aqueles a quem compete levar à Justiça os que contribuíram para a situação. Tarda em sabermos toda a verdade, a não ser que os únicos que poderão ser condenados ao desemprego, sem apelo nem agravo, serão, também mais uma vez, aqueles que nada contribuíram para o descalabro: os trabalhadores do BPN, que assim veriam seriamente ameaçado o sustento das suas famílias.

Quem responde pelos danos morais, pela instabilidade que estes trabalhadores e as suas famílias viveram durante estes anos, sem saberem qual o seu futuro? Quem responde pelos insultos, pelas ameaças a que estiveram sujeitos estes trabalhadores, durante estes anos? Sim, porque foram eles que tiveram de responder estoicamente nos balcões, face aos clientes revoltados pelas fraudes feitas por indivíduos alguns não desconhecidos.

Estes trabalhadores, de facto, não poderão festejar esta quadra com alegria e esperança. Nem eles nem nós, porque o nosso espírito de solidariedade tal não nos permite. Mas, se pensarem que estes problemas são apenas para as famílias dos trabalhadores do BPN, enganam-se. Veja-se, por exemplo, o que pretende fazer uma instituição que tem como lema a solidariedade, a fraternidade e a proteção à família - o Montepio Geral.

A sua administração, durante o fim de semana, dedica-se a fazer propaganda relativa ao apoio das famílias, enquanto nos restantes dias despedaça as dos seus trabalhadores, querendo transferir ilegalmente os seus postos de trabalho para Lisboa, chegando ao cúmulo da impudência de declarar à "Visão" que, "apesar do excesso de trabalhadores, no Montepio na há despedimentos"! Para além do mais, todo este descaro constitui uma autêntica provocação ao apelo do Presidente da República, no sentido de se investir para que as populações possam ficar radicadas nas suas terras.

O Montepio quer fazer o contrário. Quer desertificar uma das zonas do país onde a força do trabalho mais contribui para o desenvolvimento da economia. Este não é, todavia, um problema exclusivo dos trabalhadores do ex- Finibanco - é de toda a classe. Se não lutarmos, estas manobras do Montepio concretizar-se-ão, seguramente, como um despedimento selvagem e encapotado em regime de low cost. Já basta haver tantos patrões à espera da alteração da legislação, recorrendo ao argumento cobarde de que para o ano despedir é mais barato.

Será que a alteração da legislação se destina a que o país seja mais competitivo? Mas em quê? Para o desenvolvimento da nossa economia, ou para o desenvolvimento da taxa de desemprego? Que interesses pretendem defender? O dos trabalhadores ou o dos patrões? Sim, porque os dos verdadeiros empresários também não são esses. O exemplo desta dicotomia está na posição do Montepio Geral, porque na restante banca existem alguns verdadeiros empresários. Porém, o ano não se resume apenas a estes exemplos. Houve dossiês bastante conturbados - veja-se o caso das transferências dos fundos de pensões da banca.

No momento em que escrevo este editorial apenas existem dúvidas e não certezas. Não, os sindicatos não cederão relativamente às responsabilidades consagradas nos IRCT. Acordo, só no respeito por todos os compromissos assumidos. Os fundos já estão devidamente provisionados para responder por todas as responsabilidades resultantes dos acordos coletivos. Gostaria de terminar dizendo que para o ano esperaríamos melhores dias. Infelizmente, tal não é minha convicção. Em 2012 receberemos ainda piores notícias.

Todavia, uma coisa eu enfatizo: só perde quem deixa de lutar. O SBN não poupará esforços para estar na vanguarda de todas as lutas que forem necessárias para defender o volume de empregabilidade do setor e os interesses daqueles que representamos.


Mário Mourão

 

     
   Imprimir        Voltar        Topo
Copyright © 2007 SBN