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A (des)esperança...

"A esperança é o sonho do homem acordado"
mas "Aquele que vive de esperança, morre de fome"

Os trabalhadores (des)esperam... Esperam por um ano de 2012 mais livre, mais fraterno e solidário... Entretanto, desesperam.
Os trabalhadores (des)esperam que, finalmente, tenham liberdade de negociação coletiva... Entretanto, desesperam.
Os trabalhadores (des)esperam ver os seus impostos reduzidos... Entretanto, desesperam.
Os trabalhadores (des)esperam melhores condições sociais... Entretanto, desesperam.
Os trabalhadores acreditaram em mudanças, (des)esperaram por melhores condições de vida... Entretanto, desesperam.
Os trabalhadores acreditaram em substanciais mudanças políticas... Entretanto, desesperam. Os trabalhadores sonharam acordados com um amanhã de mais "sol", mas a luz não resplandece... Entretanto desesperam.
Os trabalhadores (des)esperavam por mais e melhor emprego... Entretanto desesperam.
Os trabalhadores desesperam por estar a ser usados como "pólvora para o canhão" desta ou de qualquer outra troika...

E se, segundo Alberto Morávia (in "O homem como fim") "Há uma ligação muito estreita entre a adoração da ação e o uso do homem como meio de atingir fins que não são o homem. Como há uma ligação aproximada entre este desespero e a ação, entre a razão e a ação.

A proeminência dos valores da ação sobre os da contemplação indica, sobretudo, que o homem abandonou totalmente a busca de uma ideia aprazível do homem e o desejo de o colocar como fim. E que, na impossibilidade de agir segundo um fim, ou de agir para ser homem, ele decide agir de qualquer maneira, apenas para agir."

Contudo, e porque, segundo Henri Lacordaire, "O desânimo é a morte da virilidade" e a "esperança é a última a morrer," os trabalhadores (des)esperam que, como diz Isabel Gouveia (in "Poemas vários",) da esperança não reste apenas a teia:


A Teia da Esperança

A teia tecida
nas noites de esperança,
rasgada e ferida,
segue a nossa andança.

E juntos, mãos dadas,
olhamos pra ela,
vontades paradas,
quais barcos sem vela.

Amigo, que o braço
cansado de tédio
ergamos no espaço!
É esse o remédio.

Depois de cerzidas,
não ficam marcadas
profundas feridas
em teias rasgadas!


Firmino Marques

     
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