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Agências de "rating"... ou de "ratice"?

"As agências de rating detêm um grande poder e são verdadeiros atores políticos..."
(João Rodrigues, investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra)

"É preciso refletir sobre o papel das agências de rating a nível global, não sendo desejável a existência de "uma pequena estrutura oligopolista"."
(Trichet, presidente do BCE)


A função das agências de rating deveria ser, apenas, a de avaliar a capacidade de uma empresa ou de um estado pagar as suas dívidas no prazo acordado... Acontece, porém, que desde a sua fundação - e já lá vão mais de cem anos - o seu poder e influência atingiram uma dimensão "soberana", forçando a que o sistema financeiro mundial delas dependessem.

Tudo se desenrolava com normalidade até que, com a crise mundial desencadeada em 2008, se revelaram as deficiências, (ou os pouco escrúpulos) colocados nas análises, muito tendo contribuído, segundo analistas de renome na economia mundial, para afundar na crise toda a economia mundial, pondo a nu os pés de barro destas instituições.

Segundo um relatório do Senado norte-americano, a atuação destas agências - em especial da Moody’s - esteve na base da crise financeira de 2008, a maior desde a Grande Depressão, já que, mesmo após o escândalo imobiliário ter rebentado, continuaram a conceder ratings máximos (AAA) a produtos tóxicos.

Com que objetivos? Segundo o mesmo relatório, o próprio método de funcionamento das agências pode ser considerado perverso, já que não se pode pôr fora de causa a existência de um conflito de interesses quando são pagas pelas entidades que avaliam e que essa avaliação serve os interesses dos investidores.

Que tipo de investidores e qual a sua ligação e interesses mútuos com estas agências? É com base nos critérios destas agências que é avaliada a dívida portuguesa e que assim se agrava a crise em Portugal. É com base nestes critérios de avaliação - em muitos casos contrários à avaliação feita pelo próprio FMI – que a dívida de Portugal atingiu as proporções atuais, no que aos juros diz respeito.

Que bom seria analisar as suas ligações aos investidores... Que bom seria que uma verdadeira e impoluta agência de risco pudesse comparar os riscos da dívida portuguesa face a outras consideradas seguras (veja-se o que presentemente se passa com a dívida soberana dos EU). Perante tamanho cenário, será lícito, ou até prudente, dar a empresas privadas tanto poder de condicionamento sobre os estados? E já agora: porque não constituir uma agência que avalie o "rating" dessas "soberanas" agências...? - Provavelmente ficaríamos horrorizados com os resultados... Ficam as perguntas...


Firmino Marques

     
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