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O PEC(ado) para Portugal é só para os trabalhadores?

É já antiga, do tempo do Império Romano, a fama da incapacidade do povo português para a governação. Diziam os romanos que "na parte mais ocidental da Península Ibérica existe um povo que nem se governa nem se deixa governar". Sábias palavras... que ainda hoje são de todo actuais.

Senão vejamos. Ao longo da nossa longa história, Portugal tem já um também longo rosário de épocas de crise. Para não ir mais longe na História, lembro apenas as mais recentes: crise de 1890/91; crise de 1929; crise de 1947; crise do início da década de 70 e, posteriormente, já na vigência da vida democrática, a crise da década de 80.

Atravessamos agora a que podemos, provavelmente, caracterizar como a pior crise dos últimos cem anos... Crise de que, não podendo de todo desculpar a classe política que ao longo dos últimos 20 anos nos tem governado, também não podemos, nem devemos esquecer que foi na sua génese importada, e que teve início nos EUA.

Reconhecemos que a presente situação mundial é complexa e grave, marcada por uma crise, mais estrutural do que conjuntural, e por uma globalização económica e financeira desregulada, que inverte a ordem dos valores ao colocar os interesses económicos e a especulação acima da dignidade e dos direitos das pessoas, com efeitos perversos sobre sociedades, indivíduos e decisores políticos.

Vivemos, assim, dias marcados pela dúvida e pela incerteza, que afectam os indivíduos e as instituições e que perturbam sobremaneira as relações sociais e económicas e as decisões políticas.

As sociedades em geral - e a ocidental em particular - vivem demasiado centradas em interesses imediatos e egoístas, com a consequente perda do sentido do bem comum e de referenciais éticos estruturantes. Parece prevalecer o comodismo de quem desiste de construir o futuro.

Acreditamos, no entanto, na capacidade que o povo português teve para superar as crises que marcaram a nossa História colectiva e na força transformadora dos valores éticos por que pugnamos e que tantos reclamam como essenciais à vida em sociedade, para mais uma vez dar o exemplo ao mundo, do poder deste povo que, sendo amante da autonomia individual, saberá ultrapassar estes momentos difíceis que a nação atravessa.

Mas...
Mas essa responsabilidade não pode, mais uma vez, ser canalizada para os trabalhadores...
O PEC(ado), se é original, deve englobar todo o povo, independente da sua condição económica, cultural ou política. Se não devem ser apenas os ricos a pagar a crise (apesar de neles se encontrarem grande parte das culpas por ela) a eles deve caber parte importante da sua liquidação.
Não podem é ser sempre os mesmos a suportar os sacrifícios...!


Firmino Marques

     
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