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A crise, as greves e o (des)emprego

Na greve geral de 24 de Novembro, em que, pelos bons motivos que constituem a defesa dos direitos e dos interesses dos trabalhadores – no activo ou na reforma – de todos os sectores de actividade económica, foi notória a unidade na acção das duas centrais sindicais, após 22 anos de divergências. Neste contexto, os meus mais sinceros votos e o meu mais ardente desejo vão no sentido de a excepção passar a constituir a regra.


É inegável que o mundo – o mundo global – atravessa uma das maiores crises conhecidas na história da humanidade em tempo de “paz”…

Só por demagogia, ou por razões políticas inconfessáveis, é que algumas vozes – partidárias e “sindicais” – no desejo de protagonismo e explorando o, legítimo, desespero de uma grande parte da população atirada para o desemprego, quantas vezes por empresários sem escrúpulos que nada mais vêem à frente do que o lucro despudorado, ainda que obtido à custa da exploração desenfreada do suor dos trabalhadores, só por demagogia ou razões políticas inconfessáveis, repito, é que se poderá atribuir o desemprego às políticas sociais e económicas aplicadas em Portugal.

Sabemos, e reconhecemos, que nem sempre este e outros governos terão estado ao lado dos trabalhadores. Mas querer culpar a governação de todos os males(?) não será algo de mentiroso, demagógico e oportunista? Será que o movimento sindical – ou melhor, algum movimento sindical – não tem contribuído, com a sua quota parte (que não será assim tão pequena) – para o actual desemprego vivido em Portugal? Vejamos.

- Ao omitir-se aos trabalhadores que a situação económica difícil do país tem origem, em grande parte, na crise mundial, na deslocação das empresas para países onde a legislação do trabalho é praticamente inexistente, com condições laborais e ordenados miseráveis, não comparáveis com as existentes em Portugal, apesar de baixas.
- Ao decretar-se greve, por tudo e por nada – não tendo em conta as condições económicas das empresas – não estará esse movimento “sindical” a contribuir para uma mais rápida destruição de postos de trabalho?
Quantas vezes uma dessas greves – a arma mais importante dos trabalhadores – impediu um anunciado encerramento de qualquer empresa?
Quantas vezes uma dessas greves contribuiu para que os trabalhadores com ordenados em atraso vissem repostos os seus direitos?
Pelo contrário, quantas dessas greves não contribuíram para o encerramento das empresas, com o consequente desemprego dos operários em causa?

Como disse, considero a greve a arma mais importante na defesa dos trabalhadores… mas quando usada com clarividência, em casos extremos de impossibilidade de negociação e com a certeza de ganho para os trabalhadores. Se assim não for, a arma (a greve) voltar-se-á – como genericamente tem acontecido –, contra os próprios trabalhadores.

É por isso que, desta vez, concordo em absoluto com a posição assumida pelo Presidente da República. “É necessário que quem de direito (o Governo e os sindicatos democráticos) expliquem ao povo o porquê do desemprego, a fim de que este o entenda”, pois só assim poderemos contribuir para que o mesmo pare de subir…

Só assim poderemos contribuir para o emprego…

A honrosa excepção constituiu, sem margem para quaisquer dúvidas, a greve geral de 24 de Novembro, em que, pelos bons motivos que constituem a defesa dos direitos e dos interesses dos trabalhadores – no activo ou na reforma – de todos os sectores de actividade económica, foi notória a unidade na acção das duas centrais sindicais, após 22 anos de divergências. Neste contexto, os meus mais sinceros votos e o meu mais ardente desejo vão no sentido de a excepção passar a constituir a regra.


Firmino Marques

     
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