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Considerações sobre o glaucoma

De Luís Torrão, oftalmologista do SAMS, recebemos o presente artigo que, assim o esperamos, contribuirá para elucidar muitos dos bancários e familiares que, sem o saberem, poderão ser portadores desta doença, os quais deverão seguir os conselhos aqui insertos.

O glaucoma é um grupo de doenças em que o nervo óptico é danificado levando a uma perda progressiva do campo visual. Existe classicamente uma associação de glaucoma à hipertensão ocular mas a associação não é exclusiva. Existem pessoas que podem ter perda progressiva de campo visual, glaucoma progressivo, com pressões oculares normais, assim como podem existir pessoas sem dano do nervo óptico com tensões oculares acima do considerado normal.

A associação clássica à hipertensão ocular vem do facto de este ter sido desde sempre o factor de risco melhor conhecido e mais fácil de modificar.

O nervo óptico, é o “cabo” que leva a informação até ao cérebro. Este nervo é constituído por mais de um milhão de células e a sua lesão progressiva no glaucoma leva a perda de campo visual por morte destas células. A perda lenta e progressiva leva ao aparecimento de pequenos escotomas (defeitos no campo visual) que apenas podem ser detectados com recurso a um exame chamado perimetria e que é conhecido vulgarmente pelo nome de “campo visual”.

Existem vários tipos de glaucoma. O glaucoma crónico de ângulo aberto, variante mais prevalente, é totalmente assintomático e pode progredir até fases avançadas da doença sem qualquer tipo de sintoma ou sinal. Este facto, associado a uma assimetria interocular
na progressão, fazia com que não fossem raras as histórias de pacientes que apenas conheciam o diagnóstico quando eram confrontados com a irremediável perda da visão de um dos olhos.

O oftalmologista pode estratificar o risco conhecendo bem o doente nomeadamente a idade, existência de história familiar e a hipertensão ocular. Ao proceder ao exame objectivo, a observação do fundo ocular, permite obter dados importantes acerca da possível existência de lesões provocadas pelo glaucoma. Também a espessuras da córnea, na medida que interfere na medição da pressão intra-ocular, pode ser um factor de risco importante. A medição da espessura da córnea pode ser feita recorrendo a um ou vários exames auxiliares. Estão em maior risco os pacientes com córneas mais finas, na medida em que subestima o real valor da pressão intraocular.

Os últimos anos trouxeram novos exames auxiliares importantes para ajudar a diagnosticar o glaucoma. O grupo dos exames estruturais (os que avaliam a estrutura em vez da função) tem ganho particular destaque. Destes, o OCT é um exame muito requisitado e que permite, mesmo com uma colaboração mínima do paciente, obter medições directas da camada de fibras nervosas. Serve sobretudo para casos em que existam dúvidas e para documentar a perda de fibras em exames subsequentes. Estes exames permitem também dissipar dúvidas em relação a pacientes que foram medicados com colírios hipotensores e a que hoje se retira a medicação por melhor se documentar a ausência de progressão.

A decisão de tratar um paciente nem sempre tem por base a certeza no diagnóstico, mas pode ser tão só a melhor decisão perante existência de um risco calculado muito elevado. O tratamento do glaucoma é difícil e requer pacientes muito colaborantes. O tratamento deve ser rigorosamente cumprido recorrendo a rotinas muito metódicas para não minorar a eficácia terapêutica. Algumas vezes, recorrer a técnicas de laser ou cirurgia, é não só uma alternativa possível, como necessária, na medida em que os medicamentos nem sempre são suficientemente eficazes para diminuir a pressão intra-ocular até aos valores necessários. A própria cirurgia de catarata pode ajudar a diminuir os valores da pressão intra-ocular, ao que parece, aumentando o espaço de drenagem do humor aquoso (líquido que preenche a parte anterior do globo ocular), e desta forma ajudar a controlar o glaucoma.

O glaucoma é uma doença em que o médico e o paciente devem desenvolver uma relação de confiança forte e duradoura de maneira a delinear e seguir a estratégia mais adequada a cada caso. “Cada caso é um caso” e a melhor arma terapêutica é a informação. Não hesite em colocar todas as dúvidas ao seu médico oftalmologista.
     
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