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“Inverno social europeu”

"Mas não há dúvida que a situação é incompreensível para todos: trabalhadores em geral, sindicalistas e restante população, que se interrogam como será possível que aquela gente não tenha vergonha, depois de as suas empresas, os seus bancos, terem tido lucros de quase 20% e terem visto os impostos reduzidos em 50%."

E pronto. Férias acabadas, terminaram também alguns eventuais momentos em que as preocupações do quotidiano podem ter dado lugar a situações pontuadas pela alegria da confraternização com familiares e amigos.

Agora, voltam os tempos de um maior envolvimento com a conjuntura envolvente, pautada por ventos que teimam em não deixar de soprar notícias pouco agradáveis. De facto, não é necessário irmos muito longe para que os trabalhadores bancários não possam calar a sua insatisfação face à posição intransigente das instituições de crédito, no que diz respeito às tabelas salariais, cujos aumentos, apesar de escassos, mesmo assim só foram conseguidos mercê de uma luta incansável por parte dos sindicatos e da FEBASE.

Mas não há dúvida que a situação é incompreensível para todos: trabalhadores em geral, sindicalistas e restante população, que se interrogam como será possível que aquela gente não tenha vergonha, depois de as suas empresas, os seus bancos, terem tido lucros de quase 20% e terem visto os impostos reduzidos em 50%. Nós sabemos que em negócios não há grandes lugares para grandes pregões moralizantes e para acentuadas virtudes éticas, mas raramente se terá visto tamanha falta de pudor. Enfim, é o que temos, neste país de brandos costumes. Só esperemos que os banqueiros, que foram os responsáveis pelo eclodir da tremenda crise que avassalou o mundo e que destruiu os paradigmas económico-financeiros em que estava assente, não se preparem para voltar aos métodos que tantos lucros lhes deram e que tantos prejuízos provocaram sobre milhões de trabalhadores, arrastando dezenas de milhar de pequenas e médias empresas para um poço sem fundo.

Mas Portugal é apenas uma pequena peça desta economia globalizada, pelo que temos de continuar particularmente atentos para o que se passa em torno de nós, sobretudo no que diz respeito às decisões que são tomadas em Bruxelas, agora que a presidência belga vai ser confrontada pelos sindicatos europeus com questões muito concretas sobre que medidas pensa tomar para colocar o dossiê social em primeiro plano. 

Os últimos três meses deste ano vão ser invernosos. Não apenas sob o ponto de vista meteorológico, mas também sob o ponto de vista social, uma vez que os sindicatos europeus não estão dispostos a que a presidência belga faça esgotar o tempo do seu mandato em promessas vãs e desprovidas de conteúdo.

E não podemos esquecer, em Portugal, que muito do que acontecer em Bruxelas, neste domínio, terá, inevitavelmente, repercussões no nosso país. Daí, que os sindicatos portugueses estejam também fortemente empenhados, com um forte sentido de solidariedade, nestas acções, em parceria com os seus congéneres europeus.

Daqui também, um aceno de muita simpatia para esse "Inverno Social Europeu".

Firmino Marques


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