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Guerra colonial: autocrítica de Froufe de Andrade, sócio do SBN

O sócio do SBN Jaime Froufe de Andrade fez uma autocrítica à sua actuação na guerra colonial enquanto alferes miliciano de operações especiais ("ranger"), durante a sua comissão de serviço em Moçambique. O ex-combatente, convidado a proferir uma conferência na Biblioteca-Museu República e Resistência, em Lisboa, sobre o tema "Memórias Literárias da Guerra Colonial", admitiu não ter tido um comportamento correcto na sequência de um golpe de mão a uma base da Frelimo.

O nosso colega, agora na reforma e que foi também jornalista profissional, manifestou ainda o desejo de reparar esse acto leviano que cometeu aos 22 anos. Convidamos os leitores a visionar na net aquela história, contada pelo próprio. Para tanto, digite, em YouTube, as seguintes três palavras código: guerra colonial rádio. De referir ainda que este nosso associado publicou há dois anos um livro, rapidamente esgotado, que mereceu da agência Lusa o seguinte despacho: "A Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto (AJHLP) lançou "Não sabes como vais morrer", de Jaime Froufe de Andrade, um novo título da Colecção Memória Perecível. Trata-se de um conjunto de oito histórias da guerra colonial que o autor viveu em primeira pessoa durante a sua comissão de serviço em Moçambique, como alferes miliciano de operações especiais ("rangers"), entre 1968 e 1970.

São outros tantos retratos da vida que centenas de milhar de jovens portugueses viveram, nos anos da guerra colonial, no meio do "mato", em Moçambique, Angola ou na Guiné-Bissau. As histórias são escritas com dramatismo, em que cabem momentos de humor, perplexidade, angústia e ansiedade, mas também a profundidade psicológica, que faltam a muitos relatos de guerra.

As cerca de duas gerações de portugueses que viveram a guerra em África reconhecer-se-ão facilmente nestas linhas escritas por Froufe de Andrade. Noutro capítulo, o autor narra o regresso atribulado de Moçambique a Portugal, a bordo do navio Vera Cruz, sobrelotado com três mil militares. Quando navegava perto do Cabo da Boa Esperança (o mítico Cabo das Tormentas de Camões), na África do Sul, o enorme navio foi atingido, na sequência do efeito conjunto de duas ondas sísmicas e de uma tempestade, por gigantescas vagas, sofrendo graves avarias e tendo estado a ponto de soçobrar.

As circunstâncias desta viagem são narradas em primeira pessoa por Froufe de Andrade e ainda por um conjunto de 12 depoimentos por ele próprio recolhidos junto de outros militares, oficiais, sargentos e praças, que consigo viajaram. O autor entrevistou ainda o oficial piloto que estava de turno na ponte de comando do navio e pesquisou também o diário de bordo do navio, no Arquivo Central da Marinha, onde recolheu depoimentos dos dois comandantes que seguiam a bordo - o comandante do navio e o comandante dos militares a bordo. Jaime Froufe de Andrade, nasceu em 1945, no Porto. Foi jornalista profissional e trabalhou durante muitos anos em "O Primeiro de Janeiro" e no "Jornal de Notícias", nos quadros da revista "Notícias Magazine", distribuída semanalmente com aquele jornal portuense e com o lisboeta "Diário de Notícias".?

     
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