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Fim do ciclo de 75 anos do SBN

Fim do ciclo de 75 anos do SBN
Mário Mourão enaltece o passado e apela à unidade para os desafios do futuro

A glorificação do passado, a chamada de atenção para os ingentes desafios do presente e o apelo à unidade como única forma de vencer os combates do futuro constituíram as tónicas fundamentais da intervenção (cuja versão completa reproduzimos nestas páginas) que o presidente da Direcção do SBN, Mário Mourão, proferiu na cerimónia de encerramento das comemorações do 75º aniversário da constituição do SBN, ocorrida no passado dia 12 de Março.

Coube a Alfredo Correia, presidente da Mesa da Assembleia Geral, do Conselho Geral e do Congresso, proferir as palavras de abertura, tendo merecido particular atenção as que dedicou aos representantes da Associação Portuguesa de Bancos ali presentes, congratulando-se pela sua presença ao lado dos trabalhadores bancários: “Ao longo de todos estes anos, o SBN sempre se bateu pelas virtualidades do diálogo social. Honrá-lo-emos, porque queremos contratos justos e dignos, mas não abdicaremos de vermos os trabalhadores bancários tratados com justiça e com respeito.”

Momento de particular emoção foi a entrega de lembranças ao associado mais antigo (Nelson Silva), e à associada e ao associado mais novos – Cláudia Oliveira e Duarte Costa. Naquilo que bem se pode qualificar como um verdadeiro encontro inter-geracional, demonstrativo da força e da pujança do passado, do orgulho do presente e da certeza do futuro, foi Nelson Silva quem entregou a peça de cristal a Duarte Costa, num gesto significativo do contínuo crescimento do sindicato, que continua a registar um crescendo de adesão de associados recém-chegados à profissão.

O secretário-geral da UGT, João Proença, proferiu depois uma comunicação em que aludiu à situação sócio-económica que o país atravessa e às perspectivas que se colocam aos trabalhadores no presente cenário de incerteza da conjuntura internacional. Depois também ele recebeu uma lembrança das mãos do vice-presidente do SBN, Pereira Gomes. Foi chamado ao palco Artur Santos Silva, na qualidade de “cidadão ilustre, português exemplar e que mantém a qualidade de sócio do SBN”. Santos Silva, emocionado, saudou efusivamente o papel que o sindicato tem desenvolvido na interligação com todos os parceiros sociais e em prol dos trabalhadores que defende. Na circunstância, coube a Mário Mourão a entrega da lembrança com que o sindicato assinalou a efeméride.

A cerimónia aproximava-se do fim. Foi o cortar do bolo, com os inevitáveis “parabéns a você” cantados a plenos pulmões pelo meio milhar de participantes, a apresentação de um filme institucional do SBN propositadamente produzido para o efeito.

Com esta iniciativa, encerra-se mais um círculo de oiro do nosso sindicato. Com efeito, temos hoje o privilégio de brindarmos por um aniversário que honra sobremaneira o sindicalismo português e que nos proporciona justificado orgulho por podermos ser continuadores activos de um legado cheio de história e de luta em prol dos trabalhadores bancários.

A nossa organização nasceu e foi registada com um nome diferente, porque se encontrava confinada ao distrito do Porto, conforme impunham as normas burocráticas do regime corporativista, que via em todas as associações de classe potenciais inimigos da opressão que se fazia sentir sobre o nosso povo e sobre o nosso país.

Em boa verdade, há que reconhecer que o regime tinhas boas e sobejas razões para temer a força dos bancários. Não esqueçamos que foi precisamente no seio da nossa organização que sucessivamente nasceram e se formaram gerações de sindicalistas que deram o melhor de si e das suas vidas para lutar em prol dos direitos da nossa classe, em prol da liberdade de que o nosso país carecia e da democracia que demorava a surgir.

Dos fracos não reza a História – diz o povo, na sua tradicional sabedoria. Mas o nosso sindicato foi alicerçado aos ombros de gente de rija têmpera e de força indómita. Por isso o SBN está repleto de História e de histórias e episódios que demonstram a tenacidade da luta de grande parte daqueles que nos antecederam.

Não têm conta as reuniões clandestinas levadas a efeito à revelia do conhecimento dos próceres do regime, dos homens de óculos escuros e gabardine, dos bufos e informadores. Como incontáveis são também as acções destinadas a definir estratégias para mobilizar a classe e que tantas vezes culminaram com a elaboração de comunicados cuja distribuição só era possível pela coragem daqueles que arriscavam a sua liberdade individual em nome da liberdade que defendiam para todos.

Foram momentos que a memória não pode esquecer e que todos nós temos o dever de fazer conhecer às gerações que, nascidas já depois do 25 de Abril, não podem naturalmente imaginar o sacrifício daqueles que tanto deram para nada receberem, a não ser o reconhecimento e a gratidão daqueles que lhes sucederam. De resto, esta Direcção tudo está a fazer para compilar os momentos decisivos destes 75 anos, a fim de que o passado não fique omisso perante o futuro.

Nesta circunstância, quero aproveitar o momento em que estamos aqui reunidos para prestar a minha mais sincera homenagem aos membros dos corpos gerentes que nos antecederam – quer àqueles que no regime salazarista honraram a classe bancária, quer àqueles que depois continuaram a lutar pelos mesmos ideais.

E é com o maior prazer que registo aqui, na solenidade da data a que estamos conjuntamente a dar corpo, a presença de alguns destes nossos colegas, com o elevado significado de que, apesar de divergências de pensamento, todos nós acabamos por colocar, acima delas, o nome, o prestígio e a história do SBN! Mas que sublime manifestação de vivência democrática, esta que nos encontramos a viver hoje mais uma vez! Esta é a unidade pela qual, bem certo de formas nem sempre coincidentes, desde sempre todos nós nos batemos!

E quero também endereçar daqui uma saudação muito cordial a todos os colaboradores do sindicato – aos que já cá não estão e àqueles que hoje tanto contribuem para que sejamos uma estrutura cada vez mais eficaz –, sem os quais não teria sido possível chegarmos à comemoração desta efeméride.

Claro que para termos chegado até aqui foi necessário ultrapassar um sem número de vicissitudes e tornear os mais diversos constrangimentos – primeiramente colocados pelo salazarismo e pelo marcelismo, depois provocados pela euforia da liberdade conseguida mas nem sempre bem orientada e, por fim, por um patronato implacável, obcecado pelo lucro fácil à custa da exploração daquilo que devia considerar o seu mais importante património: os trabalhadores bancários.

Hoje, somos uma organização que ultrapassou as fronteiras distritais que a limitavam primeiramente. A nossa área geográfica de influência estende-se por todo o Norte do país e por isso nos confronta sistematicamente com o resultado que sobre os trabalhadores bancários provocam as assimetrias regionais, ainda que problemas como as horas extraordinárias não remuneradas, objectivos desmesurados e irrealizáveis e as mais diversas pressões exercidas pelas hierarquias, entre outros, se tenham tornado um mal comum a todas as zonas, qual pandemia para que ainda não foi encontrada vacina, mau grado todos os esforços que temos vindo a desenvolver nas mais diversas sedes.

Por isso, pelo sacrifício que hoje constitui cada vez mais o exercício da profissão bancária, quero também dedicar uma saudação efusiva, amiga, fraterna e solidária àqueles que são vítimas dos problemas que referi, bem como aos seus familiares, que se vêem obrigados a prescindir da companhia dos maridos, mulheres, pais e filhos, os quais ficam retidos nos balcões num trabalho quase escravo apenas para que os banqueiros engrossem os seus já tão abastados pecúlios.

Mas, para além da dispersão geográfica, o nosso sindicato tem também um papel fundamental na cidade do Porto, uma vez que apoiamos grupos de teatro e outras iniciativas de carácter cultural que ocorrem na capital nortenha, como é o caso da dinamização periódica que se realiza nas ruas Cândido dos Reis e das Galerias Paris, procurando fazer destes quarteirões tantas vezes esquecidos pólos de revitalização cultural da baixa portuense.

Por outro lado, também no que diz respeito às actividades recreativas e desportivas o nosso sindicato tem vindo a desenvolver um esforço acrescido, tornando possível aos associados e aos membros dos respectivos agregados familiares a prática de um cada vez maior número de modalidades de competição e de recreação.

Entretanto, a negociação colectiva continua a merecer também toda a nossa dedicação e todo o nosso empenhamento. Cada vez mais cientes de que é nessa sede que poderão ser resolvidos, ou pelo menos minorados, os problemas que afrontam os nossos associados, a ela temos votado todos os recursos possíveis a fim de que sejam respeitados os direitos adquiridos dos trabalhadores bancários e de que os mais novos não sejam lesados nas suas legítimas expectativas.

Há cerca de dois anos, após um referendo cujo resultado concedeu esmagadora maioria à proposta dos corpos gerentes do SBN, o nosso sindicato ficou legitimado para, desde o primeiro momento, ser um dos membros constitutivos da Febase, como mais um significativo passo rumo à unidade dos trabalhadores bancários de todo o país.

Vem aqui a propósito citar outro ditado popular: “a união faz a força”. Por isso a Febase iniciou já este ano as tarefas respeitantes à contratação colectiva, falando a uma só voz e concitando assim a unidade dos três sindicatos verticais. Unidade que – diga-se de passagem – se evidenciava cada vez mais indispensável e incontornável, uma vez que o patronato de há muito também já tinha logrado reunir esforços e interesses numa mesma associação. Sei que ainda há muito a fazer, mas o caminho faz-se caminhando. Aqui estamos para enfrentar os escolhos com que depararmos nesta tarefa, tão árdua quão gratificante.

Tarefa do progresso, tarefa do futuro, tarefa da unidade. De resto – e porque a memória dos homens é curta, torna-se imperativo avivá-la – é bom lembrarmos que a unidade que preconizamos não só não é um conceito oco e desprovido do mais profundo significado, como tem sido um constante apanágio do SBN. Estivemos na constituição da CGTP – a quem demos um forte impulso para a sua consolidação. Mais tarde contribuímos para a edificação do projecto do Movimento da Carta Aberta, que haveria de dar lugar ao nascimento da UGT. E depois, em 2008, repito, fomos um dos alicerces que conduziram à constituição da Febase.

Uma última palavra para o nosso SAMS. Quero aqui garantir-vos, sem quaisquer margem para dúvidas, que estamos firmemente devotados num combate sem tréguas para o tornarmos cada vez melhor, com serviços cada vez mais ágeis e que respondam de uma forma ainda mais rápida e eficaz às necessidades dos beneficiários. Nesse sentido, temos vindo a fazer todos os investimentos possíveis no posto de S. Brás, ao mesmo tempo que nas delegações, devido às características em mutação do trabalho bancário, incentivaremos uma política de “saúde de proximidade”, com a celebração de mais e melhores acordos e protocolos com entidades externas.

Todavia, importa sublinhar que o actual modelo do SAMS já cumpriu a sua tarefa. É, agora, chegado o momento de reflectirmos sobre o modelo que queremos implantar para o futuro. A essa análise, a esse debate, todos serão chamados, num diálogo aberto e empenhado, que a ninguém deixará de fora, incluindo os antigos dirigentes, que desempenharam um papel determinante na formatação do actual modelo. Desta ingente tarefa ninguém poderá eximir se, porque o SAMS não é uma estrutura das direcções do SBN, mas sim um importantíssimo e insubstituível subsistema de saúde ao serviço de todos os bancários do Norte, de todos os beneficiários. O encerramento das comemorações dos 75 anos do SBN equivale, pois, ao virar de uma página do livro que os bancários do Norte vêm gravando a letras de oiro – cor, aliás, que o nosso primeiro logótipo adoptou como símbolo dos valores que são comuns a todos nós.

Vem isto a propósito do novo logótipo que adoptamos a partir de hoje. Vira-se uma página, sim, mas mantêm-se os princípios e os valores que nos nortearam desde o início. Não se trata, pois, de uma ruptura com o passado, de que somos legítimos e orgulhosos herdeiros. Significa, antes, a preservação e a garantia da continuidade da luta dos nossos maiores. Por isso vos convido a juntarem-se a mim neste momento em que honramos o passado e em que vos exorto, de mãos dadas e de ombros juntos aos outros ombros-irmãos, a encararmos com determinação um futuro que tudo faremos para que seja de oiro também!

     
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