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CES divulga “Declaração de Paris” - Europa encontra-se numa encruzilhada

Em resultado de uma conferência realizada nos passados dias 27 e 28 de Maio em Paris, a Confederação Europeia de Sindicatos (CES) sublinha que a Europa se encontra actualmente numa encruzilhada, enfrentando o retorno maciço do desemprego, enquanto no próximo ano assistiremos à destruição de empregos numa escala sem precedentes desde a década de 30: “No entanto, até agora a resposta das autoridades – europeias e nacionais – não tem sido adequada à dimensão do problema”.

A CES salienta que esta situação se deve ao facto de o desemprego há mais de trinta anos ter vindo a ser dominado pelo modelo económico neoliberal, cujo colapso está na génese da catástrofe económica que agora atinge a Europa e o resto do mundo: “Os abusos amplamente praticados pelo sector financeiro configuram a versão actual de um processo de alquimia.”

E acrescenta que a prudência de longo prazo foi ignorada, ao mesmo tempo que deu lugar à ganância e à especulação em Wall Street, em Londres e em outros dos mais importantes centros financeiros: “As consequências da queda muito rapidamente geraram desigualdade, aumento do emprego precário e pressão para cortes a nível do Estado providência e dos direitos dos trabalhadores, bem como da negociação colectiva. Agora, a tudo isto é necessário juntar o crescimento do desemprego, a diminuição nos gastos públicos e o colapso da procura em inúmeros países.

Os cidadãos esperam que os governos, através da acção do sector público, e as organizações sindicais, devolvam o equilíbrio democrático, que tem sido subalternizado em função dos mercados.” Por isso, a CES exige que nunca mais possa ser permitido ao capitalismo financeiro causar uma crise comparável à actual e que também nunca mais as crescentes desigualdades possam ser encorajadas, objecto de indiferença ou negligenciadas.

A confederação apoia totalmente o movimento sindical internacional no combate à crise, sendo que, a este respeito, a Europa tem um papel importante e específico a desempenhar: “A UE é a única instância no mundo com capacidade para desenvolver uma acção simultaneamente directa e de coordenação no que constitui a entidade económica de maior dimensão no mundo. Este facto faz dela um líder e não uma seguidora. Demasiadas vezes deu a ideia de se remeter a um papel secundário, atrás dos maiores países.

No entanto, se não for capaz de desenvolver uma acção concertada no que respeita ao progresso económico e social, então as suas mais importantes realizações, como o mercado único, a moeda única e o alargamento, ficarão sujeitas a uma enorme pressão, na medida em que os Estados-membros procurarão desenvolver a sua própria abordagem quanto a matérias como o comércio, a política monetária e as relações internacionais.

A UE tem de assumir as suas responsabilidades em relação aos Estados-membros, sujeitos a pressões extremas, e agir para evitar que fiquem dependentes do Fundo Monetário Internacional. A intervenção do FMI em toda e qualquer iniciativa deve visar a salvaguarda da coesão social, mais do que cortar nas despesas públicas e nos serviços públicos.”

Decididamente, a UE tem de adoptar uma abordagem convincente quanto ao desemprego, pelo que a CES reclama um novo contrato social para a Europa, como motor para a justiça social e para melhores empregos, integrando mais e melhores empregos, o reforço dos sistemas de protecção social para proporcionar mais segurança e igualdade e para evitar a exclusão social, o reforço dos direitos dos trabalhadores, o fim do predomínio das regras de mercado a curto prazo, melhores salários e a solidariedade europeia enquanto protecção contra os excessos do capitalismo financeiro.

 

     
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