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Adaptação às mudanças

Mário Mourão, presidente da Direcção
Adaptação às mudanças

Em primeiro lugar quero endereçar as minhas mais calorosas felicitações a todos os associados do nosso sindicato, pela forma como decorreu o acto eleitoral. A significativa afluência às urnas testemunha o elevado espírito cívico com que viveram mais esta jornada de democracia no seio do SBN.
Quero, também, saudar muito vivamente e deixar o penhor do meu agradecimento a todos os membros dos corpos gerentes e das estruturas estatutárias que agora deram por findas as suas tarefas nas funções que vinham desempenhando.
Quero, enfim, agradecer também a todos os presentes, que prontamente se disponibilizaram para participar neste acto que constitui, até pelo momento que o sector vivencia, um marco de assinalada relevância na vida do SBN e do movimento sindical português.


A crise financeira que abalou as economias mundiais e que inevitavelmente se estendeu a Portugal, espalhando os seus malefícios tentaculares sobre a economia real, não dá mostras de querer ceder o passo ao processo de recuperação por que anseiam todas as famílias.
Todos estamos recordados do verdadeiro abalo telúrico que se abateu também sobre o sector bancário, muito por culpa do verdadeiro caso de polícia que ocorreu no BPN e que – não fosse a pronta e decidida actuação governamental – bem poderia ter posto em causa a credibilidade de toda a banca junto dos investidores, situação que seria tanto mais problemática quanto é certo que nenhum país pode subsistir sem o normal funcionamento das instituições de crédito.
Desde o primeiro momento da eclosão do problema que temos vindo a seguir e a acompanhar minuciosamente todas as diligências efectuadas pelo poder político no sentido de que a confiança dos aforradores não fosse abalada e de que a desconfiança e a descrença não se instalassem generalizadamente em toda a população.
Por isso saímos imediatamente a terreiro, apoiando a nacionalização decretada para o BPN, até pela prontidão e pela eficácia da decisão. Mas não podemos aceitar que a salvação do banco passe pela imolação sacrificial de centenas de trabalhadores, que se têm visto atirados para o desemprego ou que se confrontam com profundas ameaças – directas e indirectas – sobre o seu posto de trabalho.
Com efeito, os trabalhadores dos bancos – na circunstância particular,do BPN – constituem alicerces incontornáveis para a recuperação das instituições, até porque são eles quem ocupa a linha da frente no contacto com o público.
Não. Não podemos aceitar que os trabalhadores, que sempre dedicaram o melhor do seu esforço à instituição e que se sujeitaram depois a injustos e imerecidos enxovalhos quando se tornaram conhecidos os contornos da corrupção que se tinha instalado a nível da gestão, se tornem agora meras peças do jogo de engenharia financeira que procura a recuperação do banco.
Por outro lado, reclamamos que o Governo seja consequente com as suas promessas de preservação do emprego, não permitindo também que as avultadas verbas injectadas no BPN e para suporte do sistema financeiro sirvam como alavanca para processos de despedimento que em caso algum se justificam. O Governo tem de assumir até ao fim as suas responsabilidades neste processo. Esta é uma exigência que os sindicatos verticais do sector continuam a formular, para o que têm procurado o diálogo com os mais altos
responsáveis do poder político.
Neste domínio, cabe aqui uma referência muito especial ao papel que a UGT desenvolveu em todo o processo e que possibilitou a abertura para o diálogo que tem sido conseguido com o Governo.
Aqui está, pois, uma das muitas virtualidades de podermos ser membros de pleno direito da central sindical que, sem alardes e sem daí ter retirado quaisquer proveitos de natureza mediática, assumiu integralmente as funções de que está cometida. Assim se cumpriu, uma vez mais, um dos objectivos essenciais do sindicalismo: a actuação solidária e desinteressada em prol dos direitos e dos interesses dos trabalhadores.
Que seja castigado e severamente punido quem tem as responsabilidades e as culpas do descalabro. Mas que os trabalhadores não sejam usados como argumento falaz quando se trata de proceder ao saneamento financeiro, que só pode ser conseguido através de boas práticas de gestão e não à custa de despedimento de trabalhadores que são essenciais ao bom e normal funcionamento das instituições – do BPN e de todos os outros bancos.
Por outro lado, é inaceitável a atitude dos banqueiros, que persistem em manter uma política de permanente afrontamento com os seus trabalhadores e com os sindicatos que os representam.
Não podemos pactuar com argumentos totalmente carentes de qualquer razoabilidade. Há que dizer bem alto – e repetir até à exaustão – que os bancos não tiveram nem têm prejuízos. O que aconteceu – isso sim – foi que os seus lucros foram menores. Mas nem por isso deixaram de ser lucros – e bem significativos, por sinal.
Por isso não se compreende nem se aceita que os banqueiros persistam em apresentar propostas miserabilistas de aumentos salariais.
Os 0,9 por cento que os bancos propõem agora para aumentos salariais só podem ser considerados, neste contexto, uma provocação a que saberemos dar resposta adequada e atempada.
Mas, para o conseguirmos, é necessário que nos empenhemos cada vez mais aprofundadamente numa das nossas principais apostas, consubstanciada no sindicalismo de proximidade.
Com efeito, os sindicatos têm de adaptar-se às mudanças que os tempos provocam sobre a sociedade, em geral, e, neste particular, sobre os trabalhadores. É que, se é um facto que há alguns anos eram os trabalhadores que vinham ao encontro dos sindicatos, presentemente, e em virtude de uma vida profissional cada vez mais impiedosa que retira aos trabalhadores grande parte do tempo que poderiam dedicar aos seus afazeres pessoais e às suas famílias, são balcões,
por muito afastados que estejam das zonas da sede e das delegações, para auscultar dos seus anseios e das suas necessidades.
Outra adaptação que nos é exigida vai no sentido de aproximar cada vez mais o nosso subsistema de saúde às novas exigências dos beneficiários. Para isso temos de continuar a trabalhar activamente na construção de um SAMS para todos os bancários – independentemente de se encontrarem no activo ou na situação de reforma.
E, para se caminhar nesse sentido, torna-se necessário alargar os convénios a mais entidades clínicas, promovendo também aquilo a que posso chamar de – perdoem-me o neologismo – “saúde de proximidade”.
É por termos perfeita consciência das mutações, aos mais diversos níveis, a que atrás me referi, que é nosso firme propósito promovermos uma revisão estatutária susceptível de tornar o SBN ainda mais funcional, dotado de mecanismos de intervenção sindical que respondam aos tempos da modernidade.
Mas teremos de atender também às questões patrimoniais, que apresentam sempre um elevado grau de sensibilidade e de dificuldade.
Assim, resolvido que foi o buraco orçamental provocado pelo Complexo Residencial de S. Miguel-o-Anjo, a nossa atenção, neste domínio, será agora dedicada aos edifícios da Rua Cândido dos Reis, no Porto, e à Quinta de Pais, cuja exploração mensal continua a acumular défices consecutivos.
Como tive oportunidade de referir quando há momentos abordei a problemática relacionada com o SAMS, os colegas reformados estarão no cerne das nossas preocupações, pelo que incrementaremos a luta pela redução e, se possível, pela eliminação, do fosso remuneratório existente em relação aos colegas no activo.
Por fim, virando-nos para o interior da nossa instituição, cujo historial de 75 anos nos confere responsabilidades acrescidas de boa gestão, adequaremos a política de pessoal às exigências e às necessidades consentâneas com a realidade do sector.
Uma última palavra para essa grande conquista que foi a constituição da Federação do Sector Financeiro – a Febase. Aqui fica a manifestação do nosso firme propósito de contribuirmos activa e empenhadamente para que a mais poderosa organização sindical portuguesa cumpra os objectivos para que foi criada.
Sabemos que a tarefa não é fácil, não desconhecemos que há ainda muito caminho por trilhar, temos consciência de que as tarefas de consensualização interna nos obrigarão a muito diálogo, mas nem por isso baixaremos os braços – antes trabalharemos com mais afinco, no sentido de contribuir para levar a nau a bom porto.
É nosso propósito que a Febase não seja um marco final na evolução do movimento sindical do sector financeiro em Portugal, mas sim uma etapa incontornável para que possamos atingir o almejado sonho de um sindicato único.
Colegas, a partir de agora novos desafios se nos abrem. Saibamos enfrentá-los com clarividência e com firmeza. Mãos à obra, porque a tarefa é difícil mas aliciante. Os bancários esperam por nós!

  

Alfredo Correia, presidente da Mesa
Novo ciclo se abre

Antes de dar a palavra ao Secretário-geral da UGT, Eng.º João Proença, para encerrar esta cerimónia, gostaria de em meu nome pessoal e da Mesa a que tenho a honra de presidir, manifestarvos a satisfação pela vossa presença. Ela significa da parte dos eleitos que hoje tomaram posse a consciencialização da responsabilidade da vossa candidatura e eleição, o primeiro passo de uma relação com os bancários que em vós delegaram a defesa e o combate pelos direitos humanos, sociais e sindicais. Da parte dos nossos convidados a sua presença significa a manifestação da solidariedade sindical para com o SBN, o que nos dias de hoje deve merecer especial realce e relevo.
Quero enviar uma saudação a todos os bancários, pela sua participação neste acto eleitoral. A taxa de participação significa a interpretação e opção entre as propostas que as diferentes candidaturas apresentaram. Ao optarem, com uma margem de cerca de 85%, por um projecto de continuidade, de credibilidade, honestidade e dedicação ao SBN, fizeram-no em detrimento dos rostos de um passado não muito distante da ambiguidade e sem rumo. Fizeram-no com um sentido de responsabilidade e consciencialização do melhor para o futuro da sua instituição de classe: o nosso SBN.
Um agradecimento aos meus companheiros de mesa que ora nos deixam e o desejo de que nos projectos que agora irão abraçar conservem a imagem de dedicação e empenho com que nos brindaram.
Não posso esquecer, neste momento a isenção e profissionalismo dos colaboradores do SBN. Os bancários podem orgulhar-se destes profissionais, sobretudo daqueles que connosco colaboraram para levar a bom porto este processo eleitoral.
Estes resultados redobram as responsabilidades dos Corpos Gerentes agora eleitos. Um novo ciclo se abre. Na actual conjuntura,
cujos contornos todos conhecemos, onde o elo mais fraco e mais frágil são os trabalhadores, a nossa responsabilidade, o nosso
dever, a nossa obrigação perante os bancários será: dedicação, transparência, empenho e trabalho – muito trabalho – na defesa dos direitos sindicais e do nosso sistema de saúde onde prevalecerá uma gestão rigorosa, racionalmente justa e moderna.
Da nossa parte, enquanto órgão institucionalmente supremo, podem contar com uma colaboração empenhada e dedicada
mas, acima de tudo, vigilante e actuante no cumprimento dos Estatutos e da democracia abrangente. Os associados do SBN contarão connosco.



     
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