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Reformas douradas…

…acumulação de reformas, vencimentos milionários, fundos de pensões exclusivos sacados a empresas “falidas” e outras habilidades de “grandes gestores/políticos”

Estão muito na moda as mensagens sobre a matéria em assunto. Tenho-as recebido de todos os quadrantes. Na verdade, nenhuma me tem surpreendido. Não sendo a pessoa mais bem informada na roda dos meus amigos, graças a Deus que me esforcei por andar atento aos tempos por que vamos passando. Quando me reformei, e já lá vão quase dez anos, não tinha já ilusões quanto a isto. Fui quase durante 30 anos funcionário bancário, com acesso a informação bastante profunda. Pois bem, como conclusão geral desses trinta anos, nunca vi tanta desigualdade como nos últimos da minha carreira.

As diferenças entre os que geravam a riqueza da banca e os “magníficos” gestores da mesma, foram sendo cada vez mais dilatadas, chegando ao ponto a que chegamos em que essas diferenças são vergonhosamente imorais. E, o pior de tudo é que o prejuízo dos não magníficos se prolonga nas suas reformas. Prejuízo também extensivo aos novos funcionários, normalmente bem habilitados, mas com contratos e vencimentos miseráveis. Certa comunicação social não faz disto o eco que merecia.

Normalmente esta comunicação fala dos bons vencimentos dos bancários o que é um gravíssimo erro ou até falta de ética por não consistência das notícias que produz. Devia informar-se melhor! Bem me lembro que nos últimos anos da minha actividade (anos noventa) entrou na moda afirmar-se que a actividade creditícia tradicional estava ultrapassada e o que era bom era vender “produtos financeiros”, alguns dos quais hoje se apelidam de produtos tóxicos.

Também nessa altura começaram a “democratizar-se” os Privat Banks que se propunham gerir as “grandes fortunas” com rendimentos a condizer. Já tinha existido a Dona Branca cujo processo veio a castigar a ganância de quem queria ganhar muito de forma fácil (“juros elevados”). Não ficou de exemplo. Hoje as Donas Brancas são mais sofisticadas e trabalham com “offshore”. Estes foram “inventados” com que finalidade? Isto foi o que se passou na banca, fruto da aplicação das teorias neoliberais, que permitiu a especulação financeira que veio a provocar a crise que agora atravessamos.

Afinal o mercado não se auto regula! Negociou-se com “moeda” e valores que não existiam. Foi nestas condições que se criaram os apetites insaciáveis dos novos gestores “topo de gama” que tinham que enriquecer, alguns de forma absurda. Foi assim que conseguiram os tais lucros fabulosos da banca e outros sectores que agora reclamam por ajuda dos governos, afinal ajuda de todos nós, dos nossos impostos. Onde param esses lucros fabulosos? E o que é que vai agora acontecer a esses senhores gestores tão finos, tão espertos e tão ricos? – Nada, eu acho que nada.

A justiça anda a passo de lesma; nomeiam-se comissões parlamentares de inquérito que, de certeza, vão dar em nada, como deram em nada todas as anteriores. Politiza-se o que deve ser resolvido pelos tribunais que com a sua lentidão e trapalhadas de investigação não me merecem qualquer confiança. É por isso, meus amigos, que as mensagens que acima refiro de nada vão adiantar. Uma verdade é mais ou menos certa: para comer da gamela de uma boa administração é seguro passar-se por um governo qualquer, não interessa a cor. E é quase tudo o que gostaria de dizer sobre isto. Um abraço e não se amofinem com a crise. Já houve piores dias Lembram-se do FMI em Portugal? Não foi assim há tanto tempo!..

Rogério Pinto

 

     
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