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Tempestade e bonança

Nuvem alta beija a montanha
Porque o vento está de feição?
E a força do vento é tamanha
Que de lá nos chega o trovão!

E do céu, a relampejar,
Num horizonte imenso e negro
Chove tanto que faz lembrar
O mar alto que mete medo!

E é tal o barulho, nos rios,
O enorme caudal a correr
Que as aves calaram os pios?
E os peixes estão a tremer!

Mas eis que nos chega a bonança
Pela noite, mui caladinha?
Repondo o sossego e a alegria!
É que e natureza e a esperança
Coabitam na mesma casinha
E mandam na noite e no dia!


António Monterroso

 

     
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