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Saúde:
“Estado de completo bem-estar físico, moral e social e não apenas a ausência de doença ou enfermidade”
(O.M.S.)



Constipações e gripes

Talvez mais cedo do que era previsto ou daquilo a que cronologicamente o calendário aponta, eis que surge um Inverno antecipado e muito rigoroso, época que, como todos nós sabemos e quase todos sentimos, é propícia ao aparecimento de manifestações, mais ou menos violentas, do aparelho respiratório.

É a época em que nos lugares públicos como cafés, restaurantes e transportes e no próprio local de trabalho ou até mesmo em casa ouvimos as pessoas a tossir, a espirrar e, como se diz frequentemente, a “fungar”. Aparecem também as dores de cabeça e de garganta e a rouquidão. E então ouvimos frequentemente dizerem-nos que estão “gripados” ou “constipados”. Mas serão estas duas designações, usadas comumente por quase todos, sinónimos para a mesma manifestação clínica, ou são diferentes?

Claro que são diferentes e vou tentar diferenciá-las e indicar também o melhor meio de protecção para ambas e como deveremos efectuar o tratamento. Aquilo que vulgarmente se chama de “constipação” são afecções das vias respiratórias superiores (nariz e naso-faringe), provocadas a maior parte das vezes por vírus, mas também por bactérias. Traduzem- se geralmente por obstrução nasal (vulgarmente designada por nariz entupido) ou por escorrência nasal abundante. Pode haver irritação da garganta, dor e até rouquidão.

Por vezes aparece cefaleia (dor de cabeça), que pode traduzir conjuntamente uma afecção dos seios peri-nasais, ou sinusite. Pode, inclusivamente aparecer febre, geralmente não muito elevada. São situações de uma maneira geral benignas, que duram poucos dias e com um tratamento não agressivo que pode incluir um antipirético, um anti-histamínico e gotas para o nariz, quando este incomodar bastante.

Raramente deve ser prescrito um antibiótico, que deve sê-lo por um médico quando no exame clínico verificar a possibilidade de estar associada uma infecção bacteriana, sobretudo das amígdalas ou dos seios peri-nasais. Quanto à tosse, deve evitar-se (o mais possível) os antitússicos, visto a tosse ser um mecanismo de defesa que se utiliza na expulsão de secreções nocivas e inibi-la não é a medida correcta. O uso de mucolíticos (substâncias que fluidificam as secreções) é o indicado, aconselhando-se a ingestão de líquidos para ajudar a sua expulsão.

Quanto à gripe, o problema é bem diferente, quer pela sua etiologia, quer pela sintomatologia e morbilidade que pode causar. A gripe é sempre uma doença de causa vírica e que cursa a maior parte das vezes com sintomas mais intensos do que a anterior. Geralmente começa a manifestar-se com mialgias (dores musculares), sobretudo na região dorso-lombar e nos membros inferiores, com sensação de cansaço e muitas vezes com dores fortes.

É uma sensação de intenso mal-estar, que a maior parte das vezes obriga o doente a acamar ou pelo menos a ficar em casa. Juntamente com a dor poderão aparecer cefaleias e outras manifestações do foro respiratório. A temperatura elevada é sempre uma constante, sendo por vezes bastante alta, o que a diferencia das vulgares constipações. A maior parte das vezes o repouso em casa e o uso de antipiréticos resolvem a situação em três a cinco dias.

Contudo, se a febre persiste e aparecem outros sintomas como a tosse, a expectoração (sobretudo se for amarelada, escura ou esverdeada), algumas dificuldades respiratórias ou uma pontada no peito ou nas costas, deve ser obrigatória a ida ao médico. Devem sobretudo ter mais cuidado com esta situação as crianças, as pessoas mais idosas e as que padeçam de doenças crónicas como por exemplo a diabetes ou doenças do foro cardíaco ou respiratório, como a asma brônquica ou a deficiência pulmonar obstrutiva crónica.

Quero, sobretudo, lembrar que os fumadores são muito mais sensíveis a este tipo de complicações, que por vezes apresentam um quadro de alguma gravidade. Quero ainda referir que não se deve fazer auto-medicação nesta situação, para além de antipiréticos, e nomeadamente, antibióticos, que não têm qualquer acção sobre os vírus e que portanto, são completamente ineficazes. Só devem ser prescritos por médicos e perante um quadro complicado.

Por último, o problema da vacina. Esta não imuniza contra todos os vírus que podem originar uma afecção gripal. Fá-lo simplesmente contra aqueles que nesse ano são mais responsáveis pela patologia referida. E isto significa uma protecção superior a 80%. Ainda no caso de vacinado apresentar um quadro gripal, a sua duração e intensidade é inferior à que teria se não estivesse vacinado.

A vacina não tem efeitos secundários apreciáveis, podendo só aparecer uma pequena reacção local ou uma temperatura sub-febril de curta duração. Devem, sobretudo, ser vacinados os mais idosos e pessoas que tenham doenças crónicas. Não há que ter receio e os resultados compensam.

 
Luis Aguiar
Director Clínico do SAMS

 

     
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