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A pandemia é uma realidade

Por António Morais, médico pneumologista do SAMS


Desde o dia 2 de março de 2020, altura em que foram diagnosticados os primeiros casos de covid-19 em Portugal, embora hoje se saiba que já umas semanas antes tivemos pessoas infetadas que não foram detetadas, que a surpresa e o desconcerto a que o vírus SARS-CoV 2 nos tem sujeitado são as características principais daquilo que vivemos e continuamos a viver. Efetivamente, no início, ninguém previu que um ano depois nos encontrávamos ainda a lutar sem perspetiva do fim, que teríamos novas variantes do vírus que complicariam ainda
mais a luta contra o mesmo e que a nossas vidas, economia e bases estruturais da sociedade ficassem alteradas, provavelmente de forma inalienável.
Perante toda esta imprevisibilidade, existem alguns atos absolutamente incontornáveis a ter, quer para preservar a nossa integridade, quer para manter o maior equilíbrio social e comunitário possível.


  • Limitar, através do nosso comportamento, a transmissibilidade do vírus. Tal exige que consideremos sempre como possível estarmos infetados e, como tal, devemos respeitar as regras de etiqueta respiratória, como o uso de máscara, a lavagem regular das mãos e o distanciamento de dois metros, e desta maneira também no protegemos de alguém com quem contactemos e que possa estar eventualmente infetado.

  • Mantermos a nossa atividade fora da nossa casa, a nossa bolha, ao estritamente necessário.

  • Em caso da presença de sintomas respiratórios e/ou febre, devemos procurar o mais célere possível ser testados para a possível infeção por SARSCoV2.

  • Os doentes deverão cumprir a prescrição terapêutica instituída, de forma a manter as doenças crónicas estáveis e sem episódios de agravamento.
    Esta orientação torna-se ainda mais premente para todas Por António Morais, médico pneumologista do SAMS aquelas doenças de maior risco e que se tem associado a uma pior
    evolução e a uma maior mortalidade no contexto da covid-19.



Outra vertente da pandemia que enfrentamos tem a ver com o plano de vacinação em curso. Não podemos deixar de referir que a existência de várias vacinas apenas após um ano do início de uma pandemia com um vírus não conhecido previamente é um marco na evolução da humanidade, ainda mais com o grau de eficácia e segurança a que estão associadas. Efetivamente, a proteção de doença grave atinge os quase 100% e, apesar de vários milhões vacinados, são reportados escassos casos de efeitos adversos e de duvidosa relação.
Não existe neste momento qualquer razão racional, ou válida, para alguém recusar a vacinação, comprometendo, em caso de recusa, a sua segurança e a da comunidade. Efetivamente, nesta altura é dramático não ser possível disponibilizar as vacinas a todos os cidadãos, sendo muito difícil ver morrer alguém com a doença, situação essa que não ocorreria em caso de ter sido vacinado previamente. Nos países mais avançados em termos de vacinação, verifica-se que o número de doentes graves e de mortalidade tem diminuído de forma significativa, comprovando a eficácia das vacinas administradas.
O facto de neste momento apenas 15% dos cidadãos portugueses terem uma dose de vacina contra a covid-19 e apenas cerca de metade as duas doses que conferem a imunidade, mesmo considerando os cerca de um milhão de diagnósticos de infeção, conferidores igualmente de imunidade natural, leva-nos à conclusão de uma pequena percentagem da população portuguesa como estando imunizada.
Por tudo isto, temos de manter o mesmo nível de alerta e de cuidados.
Quanto mais tarde tivermos uma nova vaga, mais pessoas vão estar protegidas e menos impacto de doença e mortalidade iremos ter.


     
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