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Home»Nortada»Nortada Detalhe Junho a Agosto 2021
 
Que bom!…e que mau!

Que bom seria que os novos banqueiros reconhecessem o esforço dos trabalhadores das suas instituições. Foram eles, os trabalhadores, quem deu o máximo de si para que hoje os gestores ao mais alto nível apresentem e anunciem resultados que, provavelmente, resultarão em chorudos prémios para as administrações.

Que bom que os cinco maiores bancos tenham apresentado resultados positivos de 708 milhões de euros no primeiro semestre de 2021.
Queremos bancos financeiramente saudáveis e robustos, pois foi para isso que milhares de trabalhadores bancários se empenharam e deram o seu melhor nos últimos anos, contribuindo com um número incontável de horas suplementares não remuneradas, estando sempre na linha da frente do combate para repor a confiança que foi abalada por uma gestão danosa ao longo de anos, confiança essa fundamental para que o setor financeiro esteja efetivamente ao serviço da economia e dos cidadãos.
Que bom seria que os trabalhadores pudessem agora ver o quanto foi recompensado o seu esforço por estes anos de tormento, sempre receando que poderiam ser postos em causa os seus postos de trabalho, devido à situação incerta por que passaram aquelas instituições bancárias.
Que bom seria que os novos banqueiros reconhecessem o esforço dos trabalhadores dessas mesmas instituições. Foram eles, os trabalhadores, quem deu o máximo de si para que hoje os gestores ao mais alto nível apresentem e anunciem resultados que, provavelmente, resultarão em chorudos prémios para as administrações, porque

Que mau!...
... para os trabalhadores há também recompensas que passo a enunciar.
• Despedimentos continuados por todo o país, ainda mais injustificados pelos lucros verificados anualmente.
• Ameaças de despedimento coletivo, provocando uma instabilidade inaceitável na laboração quotidiana, ao mesmo tempo que lançam um clima de terror nas famílias.
• Serem permanentemente objeto de medidas destinadas a provocar o medo, o que gera uma incerteza permanente a prejudicar a excelência do trabalho desenvolvido.
• Presenciarem o sistemático recurso ao outsorcing, para o preenchimento de funções para as quais se encontram totalmente habilitados, o que gera um clima de desumanização prejudicial até para as relações interpessoais.
• Permanente número de dispensas, sem qualquer tipo de critério objetivo, causando justificada revolta entre os trabalhadores.
• Deplorável sentido ético e moral utilizado para as pré-reformas e para as hipocritamente chamadas “rescisões por mútuo acordo”, que mais não são que documentos prefabricados pelas administrações, impedindo assim qualquer margem de negociação.
• Toda a gama de pressões para que os trabalhadores acabem por tomar decisões em contraciclo com os seus direitos e interesses, uma vez que lhes são sonegadas informações indispensáveis a uma avaliação suscetível de ter em conta todas as vertentes que são anunciadas.
• O dramatismo que recai, sobretudo, sobre os mais fragilizados, aqueles que menos capacidade têm para fazer valer os seus direitos.
• Continuados encerramentos de balcões, designadamente em zonas de interioridade, o que, para além de lesar os trabalhadores em causa, provoca profundos prejuízos nas populações afetadas.
• Níveis brutais de desemprego, que já atingiram dez mil bancários só nos últimos dez anos, o que coloca o setor entre os mais desfavorecidos do país.
• Serem ultrapassados pelos processos de digitalização e de automatização do setor, sem que lhes seja conferida a devida requalificação, possibilitadora de um acompanhamento, com sucesso, destes fenómenos.
• Não reconhecimento, por parte das administrações, que são eles a coluna vertebral que sustém a viabilidade do setor bancário e que tiveram um papel fulcral nos momentos mais dramáticos da pandemia.
• Serem afastados, juntamente com os seus sindicatos representativos, dos normais procedimentos de negociação coletiva, o que contraria todas as tendências que se verificam em termos de concertação social.

     
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