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Antes, durante ... e depois?

O SBN realça o papel que os trabalhadores bancários têm tido neste período pandémico, ao serem daqueles que também foram destacados para estarem na linha da frente, continuando a prestar serviços fundamentais para os cidadãos e para as empresas.
por Mário Mourão

Os bancários viveram nos últimos anos da sua vida profissional momentos muito difíceis e conturbados. Não me sai da memória, por exemplo, a crise de confiança que se abateu sobre o setor, fruto dos comportamentos e das atitudes pouco zelosas que alguns banqueiros tiveram na gestão ruinosa das instituições financeiras em Portugal, tendo os trabalhadores e suas famílias sido atingidos pelos efeitos nefastos daquelas avalanches, destruidoras da reputação de que o setor e os trabalhadores bancários eram e são credores.

Foi um tempo de incerteza, de medo e, acima de tudo, devastador para milhares de trabalhadores, que foram obrigados a abandonar o setor para que a banca pudesse corrigir os desvarios cometidos ao longo de anos. Os que continuaram no setor foram o rosto dos bancos perante a fúria dos clientes, dos quais alguns perderam as suas poupanças, enquanto outros responsabilizavam os trabalhadores bancários pelas trampolinices que alguns gestores fizeram.

Todos os portugueses foram e são chamados a pagar, com os seus impostos, a pesada fatura da banca. Mas os bancários, para além de pagarem os seus impostos, perderam milhares de postos de trabalho, acrescendo que foram vergastados com baixos salários, com trabalho extraordinário não remunerado, com redução de rendimentos por força dos planos de reestruturação e com a ameaça constante de mais despedimentos, tudo isto sob o "guarda-chuva" da insensibilidade social da nova geração de banqueiros, que só pensam em retribuir os acionistas com cada vez mais chorudas distribuições de dividendos.

Mas os malefícios não ficaram por aí. Deste o início do período pandémico, as nuvens negras continuam a pairar sobre os trabalhadores bancários, agravando a instabilidade do setor.

Todavia, será que tem que ser assim? Claro que não. A banca, mais uma vez, é chamada a fazer o seu papel na economia - falo designadamente das moratórias que tão importantes são para as empresas (mas é necessário saber, quando elas forem levantadas, se as unidades produtivas estarão em condições de assumir os compromissos com o setor ou se os trabalhadores bancários vão passar por mais uma fase difícil das suas vidas, com mais ameaças de despedimentos e com retração das atualizações salarias, como sempre, nos bons e nos maus momentos, se comportou a banca). O certo é que, apesar de hoje os bancos estarem mais bem preparados para responder a situações de crise económica, sabemos que continuamos a viver numa imprevisibilidade constante. Os trabalhadores bancários, tal como tantos outros, foram chamados a estar na primeira linha da frente, mantendo os balcões abertos para que a economia funcionasse e para que os cidadãos não fossem privados dos serviços bancários. No entanto, foram e continuam a ser ignorados pelas várias entidades. É bom ficar bem vincado que não querem agradecimentos, porque consideram que essa foi e é uma obrigação perante o país. Mas exigem respeito!

Sabemos que o ano de 2021 traz renovadas ameaças ao emprego na banca, pois todos conhecemos o apurado sentido de oportunismo que os novos banqueiros têm. Por exemplo, ao falarem da digitalização que o setor se prepara para implementar, percebe- -se que "têm na manga" uma oportunidade renovada para tentarem eliminar mais postos de trabalho. Ao contrário, para nós a digitalização deve ser uma ferramenta para aumentar a produtividade, melhorando o atendimento ao cliente e permitindo condições laborais mais saudáveis - não apenas para aumentar receitas.

O impacto que a digitalização tem tido nos empregos, principalmente no que diz respeito à prestação de serviços, e a nova concorrência de plataformas digitais como as FinTechs não devem ser motivo nem constituir argumentos para destruir postos de trabalho ou para produzir impactos nefastos para os trabalhadores bancários.

O SBN aproveita para mais uma vez realçar o papel que os trabalhadores bancários têm tido neste período pandémico, ao serem daqueles que também foram destacados para estarem na linha da frente - nunca é demais repetir -, continuando a prestar serviços fundamentais para os cidadãos e para as empresas. O SBN sente orgulho de representar estes trabalhadores e felicita todos os que se mantiveram no desempenho das suas funções para que o país pudesse funcionar.

Neste momento, a pergunta que se coloca é a seguinte: maltratados antes da pandemia, ignorados durante o surto do SARS-Cov-2, para os trabalhadores do setor financeiro o que virá depois?

     
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