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Banca avança para nova vaga de rescisões

Publicado em 1/8/2020 por Expresso - Economia

BCP corta pessoal em 2021 e NB promove 115 saídas. CGD tem dois programas em curso. Sindicatos falam em pressões


O BCP vai avançar para a redução de pessoal no próximo ano, como assumiu Miguel Maya esta semana, mas não está sozinho. A diminuição de pessoal não é uma tendência do passado – continua a acontecer e vai ser uma realidade no futuro.
O Novo Banco está a fechar 115 saídas em 2020 e a CGD também continuará o seu plano de diminuição de trabalhadores. Tudo isto com um corte na rede de agências, que o Santander admite ser também um trabalho pela frente.
Na sua newsletter, a comissão nacional de trabalhadores do Novo Banco assinala que foi informada de que o plano de reestruturação irá avançar em julho, estando previstas 115 saídas, a maior parte por reformas antecipadas e 20 por rescisões por mútuo.
O Expresso conseguiu confirmar esta informação, mas o banco não quis comentar. O objetivo será iniciar conversações para que a redução de pessoal ocorra até ao final deste ano. Em maio já houve outras 20 saídas por reformas antecipadas no banco, que tem de cumprir metas inscritas no plano negociado com a Comissão Europeia em 2017.
Na CGD também há programas de pré-reformas e de revogações por mútuo acordo, este último desde 2017, por conta do plano de capitalização acordado com Bruxelas, que termina este ano. Ambos continuam em vigor, como confirma o banco ao Expresso, dizendo que são “mais vantajosos face às demais práticas do mercado” e que as saí das são, “na sua esmagadora maioria, por iniciativa dos colaboradores”.
Há sindicatos, como o STEC e o SBSI, a acusar o banco liderado por Paulo Macedo de pressões para a redução de pessoal, apontando também críticas à retirada de isenções de horário de trabalho. A CGD defende que “a alegação não tem fundamento” e que “é natural que, em algumas situações em que haja mudança de função, a isenção de horário possa cessar”. “Nos primeiros seis meses de 2020, a Caixa atribuiu mais isenções de horário do que as que retirou”, remata.
No BCP saíram 110 trabalhadores entre julho de 2019 e junho deste ano, mas haverá uma nova intensificação da diminuição do quadro em 2021. “Vamos fazê-lo no início do ano”, assumiu o presidente em conferência de imprensa, explicando que não quis avançar já para um processo desse género para que possa ser feito num ambiente macroeconómico menos danoso.
O líder do BCP admitiu que pouco há a fazer do lado dos proveitos e que vai ter de se focar novamente no campo dos custos — e os encargos com pessoal continuam a ser uma das fatias mais elevadas no sector. “O tema da eficiência é fundamental para o futuro do banco”, explicou. O cost-to--income, que mede o peso dos custos no produto bancário, está nos 50%, quando o objetivo é que desça aos 40%. A pandemia veio complicar ainda mais a difícil equação, já de si penalizada pelo ambiente de juros em mínimos: o lucro do BCP caiu 55% no primeiro semestre, situando-se nos €76 milhões.
O Santander fechou junho com 6163 trabalhadores, menos 167 no espaço de um ano. “As saídas em causa foram feitas, na generalidade, por reformas e pré-reformas”, adianta a instituição em resposta ao Expresso. “É natural que o perfil de colaboradores do banco se vá alterando. Temos o objetivo de contratar 100 profissionais com perfil tecnológico, para acelerar a transformação comercial e digital do banco”, explica.
Para que o saldo de trabalhadores seja negativo é preciso que saiam mais funcionários do que os que entram. O Santander vai fechar balcões, apostando em agências de maior dimensão e com novas tipologias, como unidades em cafés.
“Continuará a haver redimensionamento da rede ajustado às necessidades do banco, que resultarão no encerramento de alguns balcões, como tem vindo a acontecer”, indica, adiantando que “o processo de transformação digital será para continuar”. No primeiro semestre o lucro caiu 37%, para €173 milhões.

     
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