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Delmiro Carreira: um ato de justiça

A homenagem que o senhor Presidente da República concedeu, a título póstumo, a Delmiro Carreira, é o reconhecimento do incomparável e incansável trabalho que aquele sindicalista desenvolveu até ao dia que nos deixou, faz agora precisamente um ano. Mas é também, na pessoa de Delmiro Carreira, o reconhecimento do insubstituível papel do sindicalismo democrático e dos seus mais lídimos representantes na consolidação do regime saído da Revolução dos Cravos, consagrando, constitucionalmente, direitos, liberdades e garantias que colocam Portugal como um país que galhardamente passou a estar no pelotão da frente das democracias industrializadas.
Com esta cerimónia Sua Excelência, o Senhor Presidente, assegura que a memória não se perca e que se mantenham bem vivas, em todos nós e nos que hão de suceder-nos, as caraterísticas de lutador indomável pelas causas que considerava justas, como justas continuam e continuarão a ser.
Nesse aspeto, o foco primordial de Delmiro Carreira era, em conjunto connosco, que partilhámos a sua caminhada, a defesa intransigente dos trabalhadores bancários. E, num posicionamento que definia bem o seu caráter humanista, as bandeiras que empunhava não se destinavam apenas aos trabalhadores no ativo, mas também aos reformados, defendendo que estes continuassem a ter igualdade de tratamento, em sede de contratação coletiva. Na década e meia que desempenhou as funções de presidente da Direção do Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas, Delmiro Carreira encabeçou, em parceria com os dirigentes das organizações homónimas do Norte e do Centro, um vastíssimo leque de reivindicações e de lutas, para que os bancários não vissem desfeiteados muitos dos direitos que tinham adquirido através de antigos combates, que procediam do tempo da ditadura.
E, como seria fastidioso enumerar todas as lutas que Delmiro Carreira connosco encabeçou, permitam-me apenas, que destaque uma: o direito ao emprego das mulheres na banca, como hoje acontece, ao contrário da infame discriminação que as afetava. Delmiro Carreira não lutava, pois, por interesses corporativos ou de classe, mas sim pelos mais elevados valores que podem definir uma sociedade em plena posse dos direitos que o regime democrático lhes confere.
Bem-haja, pois, o Senhor Presidente, pelo ato de justiça, proporcionando à família de Delmiro Carreira momentos de mitigação da profunda tristeza que a afeta, e a todos nós um profundo orgulho por termos sido companheiros de combate de um dos mais ilustres expoentes que até hoje militou no movimento social democrático em Portugal.
     
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