Pesquisa

ok
Home»Nortada»Nortada Detalhe Março a Agosto 2020
 
O Maio que Abril abriu…e que o “covid-19” adiou

Compete a todos nós, independentemente da classe, cor ou credo, sermos os guerreiros numa luta sem tréguas, rumo à vitória. Até porque o programa seguirá dentro de momentos. Sim, porque o Maio que Abril abriu, o Covid-19 apenas adiou!



Durante cerca de 48 anos, os trabalhadores portugueses viram-se espoliados do direito de comemoração do Dia do Trabalhador. Foram 48 anos de repressão, em que as liberdades de expressão, de reunião e de manifestação foram sacrificadas ao chamado Estado Novo, que de novo apenas trouxe ao povo a repressão policial e o controlo político por forças antidemocráticas, sob a capa de uma estabilidade política e económica.

Estado Novo que levou a população portuguesa ao mais absoluto obscurantismo, onde uma pequena minoria prosperava e enriquecia à custa da maioria, que sobrevivia, desprotegida, em condições de extrema pobreza e analfabetismo.

Foram tempos em que, sob o lema de “Deus, Pátria, Família”, tudo era permitido às forças policiais, em que todos os direitos, incluindo, em muitos casos, o direito à vida, foram sonegados ao povo português. Foram tempos em que aos pobres apenas restava a imigração clandestina para países onde a democracia não era palavra vã e em que a exploração capitalista não atingia os limites desmesurados que se viviam em Portugal.

Estado Novo que levaria os portugueses para uma guerra colonial que, durante cerca de treze anos, sacrificou a juventude portuguesa, matando muitos dos jovens e estropiando outros. Estado Novo a que apenas a Revolução dos Cravos pôs cobro no dia 25 de abril de 1974, data a partir da qual foram restituídos ao povo todos os direitos de que tinham sido arredados.

Data a partir da qual passou a ser permitido aos trabalhadores portugueses comemorar, em conjunto com os proletários do mundo livre, o Dia Internacional do Trabalhador, o 1º de Maio. Comemoração que, para além da festa dos trabalhadores, sempre foi e continuará a ser um dia de luta por melhores condições de vida, quer no âmbito económico e social, quer, e sobretudo, no âmbito cultural e familiar.

Desde esse glorioso dia de abril de 1974, os trabalhadores portugueses têm sabido, na sua diversidade, com mais ou com menos unidade, mas sem unicidade, manter viva a chama do 1º de Maio. Abril abriu maio

Mas, como “não há rosa sem espinhos”, o mundo foi surpreendido com uma guerra que, embora silenciosa, em que não existem exércitos em confronto, a humanidade tem como inimigo aquilo a que se convencionou chamar “Covid-19”, que coloca em perigo a raça humana, quer em termos de saúde, quer em termos da economia.

É, como disse, um inimigo silencioso e invisível, que não respeita as convenções internacionais e que, por isso mesmo, se transformou num adversário mais perigoso, um adversário que não respeita democracias ou ditaduras, um adversário que impediu os trabalhadores portugueses de, pela primeira vez desde o 25 de Abril de 1974, comemorarem, em festa e em liberdade, o 1º de Maio.

Compete a todos nós, independentemente da classe, cor ou credo, sermos os guerreiros numa luta sem tréguas, rumo à vitória. Até porque o programa seguirá dentro de momentos. Sim, porque o Maio que Abril abriu, o Covid-19 apenas adiou!

     
   Imprimir        Voltar        Topo
Copyright © 2007 SBN